segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Concurso Nacional de Leitura

Realizaram-se hoje na Escola Secundária Rainha Dona Amélia as provas da 1ª eliminatória do Concurso Nacional de Leitura para o presente ano letivo. Hoje dia dezanove de janeiro, fizeram as provas os alunos do 3º Ciclo do Ensino Básico e os do Secundário. As provas tiveram como base a leitura dos livros: O gato malhado e a Andorinha Sinhá de Jorge Amado e O Mundo em que vivi de Ilse Losa para o Básico e O retorno de Dulce Maria Cardoso e Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco para o Secundário.
Amanhã divulgaremos os nomes dos alunos que passaram à 2ª eliminatória, que será de nível distrital.

Sonhos azuis pelas esquinas: livro da semana

Título: Sonhos azuis pelas esquinas
Autor: Ondjaki 

Edição: -...ª 
Páginas:1...
Editor: Caminho 
ISBN:... 
CDU: 821.134.3-31"19/20" 


aperta, e as sombras e os panos e as tranças nas meninas que passam - crianças que olham o mar com a simplicidade das pedras, aqui onde todas as varandas penduram ausências de gentes por regressar. os pássaros voam parados, suspensos e próximos, dando sombra às árvores e graças ao céu azul.  

sobre as pedras e pedras sobre a ilha, mas o chão respira uma frescura humana, os panos vestem as pessoas e as pessoas buscam negócios de regateio. chega um barco cheio de palavras caladas. (...) mais tarde a noite dará voz às sombras, as sombras serão calmaria e escuridão. as árvores beijarão os pássaros. os dedos hão de alcançar um torpor de mansidão. (...)

(Os lugares que habitamos nem sempre são o que queremos ser e vamos por cidades onde queremos ser mais perto de nós, ver a luz distante em cada porto e os sonhos azuis, na cor imensa que faz recordar as possibilidades de todas as histórias. Uma viagem por cidades e por aquilo que mais precisamos, estar dentro de nós com o sonho na respiração).

Ondjaki, "Gorée", in Sonhos azuis pelas esquinas

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Luther King - A memória da Humanidade

A "civilização" americana em muitos dos seus fundamentos deu-nos figuras universais, que modelaram a forma mais sublime da consciência humana. Martin Luther King foi um dos mais elevados exemplos de humanidade, feito de determinação, coragem e visão de um mundo mais justo. 

Luther King, nasceu em Atlanta, na Geórgia, formou-se no Morehouse College, tendo sido ordenado pastor da Igreja Baptista aos dezoito anos. Estudou na Universidade de Boston, onde foi influenciado pelas ideias pacifistas de outro imenso ser humano, Mohandas Gandhi. Martin Luther King conduziu a sua vida pela defesa dos direitos cívicos dos americanos, em especial dos que eram profundamente discriminados. Procurou defender com energia e coragem os direitos das minorias, em especial os negros que eram vítimas de segregação racial. Lutou por estes ideais através de protestos e marchas pacíficas e discursos de grande determinação e inspiração.

Participou na fundação do CLCS (Conferência de Liderança Cristã do Sul) que organizou os protestos não-violentos, especialmente contra a situação de segregação racial dos negros nos Estados do Sul. Situação que limitava o direito de voto, discriminava as pessoas nos seus direitos mais básicos apenas pela cor da sua pele. As manifestações de protesto em Alabany em 1961 e 1962, em Birmingham em 1963, em St Augustine em 1964 e em Selma reafirmaram o seu protesto e a luta pelos direitos cívicos na América.

Em 1964, recebeu o Prémio Nobel da Paz, como reconhecimento da sua luta não violenta contra os preconceitos raciais. Em 1965 conseguiu concretizar a marcha entre o Alabama e Selma e a partir de 1968, ano em que foi assassinado em Memphis, organizou uma campanha de luta contra a pobreza (A Campanha dos Pobres). A partir de 1986, os Estados Unidos celebram na 3ª segunda-feira do mês de Janeiro, um feriado designado - Dia de Martin Luther King.

Martin Luther King representa a consciência da humanidade pela defesa da dignidade humana e dos valores que devem organizar a sociedade - a igualdade de todos perante a Lei. As suas palavras e a sua luta são uma inspiração para continuar a procurar individualmente melhorar a construção de uma Humanidade inacabada e que esteja cada vez mais próxima do valor que cada um tem.

Mais do que estas palavras, o vídeo colocado no post anterior, com o seu inspirado discurso, «I Have a Dream», realizado em 1963 demonstra a grandeza deste homem, que abriu um caminho de esperança. Em momentos da nossa própria contemporaneidade, algumas das suas ideias encaminharam linhas de esperança para uma sociedade mais humana. "Yes we can" do presidente Obama foi beber muito a esta ideia de King, de que sim, é possível com determinação mudar a ferrugem instalada pela ignorância.

Luther King - As palavras e os gestos da coragem

"I have a dream that one day this nation will rise up and live out the true meaning of its creed: "We hold these truths to be self-evident; thal all men are created equal".

I have a dream that one day even the state of Mississippi, a state sweltering with the heat of injustice, sweltering with the heat of oppression, will be transformed into an oasis of freedom and justice.

I have a dream that my four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the color of their skin but by the content of their character.
I have a dream today". (...)


segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Construir a memória - Torga

«(...) É muito tarde para as lentas
narrativas do coração.
o vento continua
a tarefa das folhas:
cobre o chão de esquecimento.
Eu sei: tu querias durar.
Pelo menos durar tanto como o tronco
da oliveira que teu avô
tinha no quintal. Paciência,
querido, também Mozart morreu.
Só a morte é imortal» 
 
 Eugénio de Andrade, «Nao Sei», in saldalingua.worpress.com
Imagem, entre as serranias do parque natural de Montesinho

Mozart: uma vida secreta - livro da semana

Título: Mozart, uma vida secreta
Autor: Wolfgang Amadeus Mozart
Edição: 1ª
Páginas: 155
Editor: Cavalo de ferro
ISBN: 989-623-020-X
CDU: 82-6

Sinopse: 

Conhecemo-lo pela genialidade da sua música. Foi sem dúvida um expoente de uma expressão cultural, a perfeição pela simplicidade daquela forma de composição. 

Mas foi mais do que isso. Representou uma ruptura no caminho difícil de permitir ao Homem construir o seu conhecimento do Mundo, formulando um caminho. Incompreendido, lutou sempre usando a liberdade e a convição. 

Se a música o eternizou nessa perfeição de quem canta com os anjos, a sua atitude, a sua rebeldia de se afirmar pelo seu talento, acima dos protocolos da corte e da mediocridade de tantos foi um exemplo inspirador. No século XVII um cozinheiro, um funcionário da corte ainda vale mais do que um músico, mesmo que ele se chame Mozart e encante os anjos. Foi esse o seu erro, a ingenuidade de quem acredita sempre no valor do belo acima de qualquer outra dimensão. Nesta Vida Secreta, as suas cartas à família denunciam os seus valores essenciais que a sua música sempre exprimiu. Alguns excertos:

"Dêem-me o melhor piano da Europa, mas com uma audiência que nada percebe, ou que nada quer perceber, e que não sente comigo aquilo que toco, e perderei todo o prazer. (...) mas sabia também que não podia agir de forma diferente sem faltar à minha consciência e à minha honra. (...) 

Se podemos chamar divertimento livrarmo-nos de um príncipe que não nos paga e abusa de nós até à morte, então é verdade, estou divertido, (...)" Bem", disse ele, "parece-me que aqui dificilmente conseguirá fazer um bom trabalho", "Porquê?" Vejo por aqui tantos medíocres que fazem carreira, e eu com o meu talento não deveria ser capaz? (...) Pois também aqui tenho os meus inimigos, mas onde é que não os tive? No fim de contas, é sempre bom sinal".

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Lembrança de Cecília Meireles

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos 
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo 
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.


Cecília Meireles, «Canção», in Da Viagem (1939)
Imagem, in folhademinasgerais.blogspot.com