quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Concurso Nacional de Leitura

Apresentamos em baixo os alunos que no básico e no secundário venceram a 1ª eliminatória do Concurso Nacional de Leitura, a partir das leituras realizadas. Justamente, O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá / O Mundo em que viviAmor de Perdição / O retorno. Os resultados encontram-se afixados na biblioteca, mas aqui ficam para uma consulta mais acessível. 


Básico:
(1º lugar) - Catarina Alves Moreira de Albuquerque D' Orey - 8º 6ª;
(2º lugar) - Maria Carta Gaudich - 9º 4ª;
(3º lugar) - Sofia Spencer Salomão Isidoro - 9º 6ª; 

Secundário:
(1º lugar) - Maria Faria Sampaio Guerra Tavares - 11ºF;
(2º lugar) - Sandra Isabel Belchior Ferreira - 11º F;
(3º lugar) - Maria Madalena Maymone Martins Quintela - 11ºF ; 

(Deixamos as nossas felicitações a todos os alunos participantes e desejando que os que vão participar na fase distrital possam ter um bom desempenho.)

George Orwell - a construção da liberdade

"Numa época de mentiras universais, dizer a verdade é um ato revolucionário (1)".

Há figuras, personalidades que pensam os seus dias, dão-nos formas de desenhar a construção do quotidiano e lembram-nos como a nossa fragilidade, o nosso desamparo se apresenta como um molde por onde os mais desjustados à dignidade humana se confinam em páginas de indiferença. Fez ontem, sessenta e quatro anos que deixámos de visitar a presença física de um homem que compreendeu como poucos o que foi o século XX - Geoge Orwell.

Foi um dos escritores que mais influenciou o século XX. Deixou uma obra importante que soube diagnosticar a tragédia humana que representou o século XX em tantas geografias. De A Quinta dos Animais, entre nós,  Triunfo dos Porcos, a 1984, a sua obra traçou, como uma alegoria, os mecanismos do desprezo pela humanidade que marcaram significativamente o século passado.

Orwell, demonstrou com clareza, como o controle da informação, o apagamento da memória, a destruição de uma consciência humana, a ausência da individualidade, a anulação da espiritualidade construiram regimes inquietantes, feitos de angústia e sofrimento de dimensões indescritíveis. Revelou nas suas páginas, o que muitos respeitados intelectuais não souberam verificar, quando as marchas de paz no Mundo, eram a expressão armadilhada de uma doutrina de tirania.

O início do século prometia uma difusão de regimes democráticos, perto do que alguns consideraram a progressão da História. Vivemos a confirmação do regresso da História, onde a promessa de uma humanidade «feliz», onde a dignidade seja respeitada continua, não só por construir, mas como regrediu a níveis preocupantes. Ao poder esmagador dos estados autoritários do século XX, assiste-se pela fragmentação dos poderes tradicionais à mesma limitada oportunidade que o indivíduo tem em garantir a sua voz de individualidade.

As transformações tecnológicas têm contribuído para isolar o indivíduo, pelo controle quase de ubiquidade que as máquinas permitem e pelo tempo desperdiçado na sua aprendizagem que nunca poderá ser de igual riqueza ao que se dispende a alimentar o conhecimento dos outros. Sendo o tempo uma realidade tão preciosa, a evolução económico-social tem garantido a liberdade humana, nas instituições que devem garantir a Democracia?

Tocqueville há dois séculos lembrou que para as sociedades democráticas, as que respeitam a identidade humana, o mais perigoso é que «no meio das pequenas ocupações incessantes da vida privada, a ambição perca o seu ímpeto e a sua grandeza (2)". Estamos pois de regresso às palavras de Orwell e essa é a sua grande "vitória", do tempo que o compreendeu muito limitadamente. 

(1) George OrwellSelected Writings, Penguin
(2) Alexis de TocquevilleDa Democracia na América
Imagens, in http://www.famousauthors.org/george-orwell

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Memória de Audrey

"Remember, if you ever need a helping hand, it's at the end of your arm, as you get older, remember you have another hand: The first is to help yourself, the second is to help others".

Vinte e dois anos sem a graça e a beleza de uma mulher e de uma actriz que faz parte da memória do cinema e das tardes encantadas quando o cinema era uma celebração e uma iniciação a mundos novos. Lembramo-la pelo seu  sorriso doce, de um tempo em que o cinema era ainda uma entrada artesanal no sonho e na aventura de descobrir. Evocação de fitas que acompanharam várias gerações. 

De Roman Holiday a Breakfast at Tiffany's, Guerra e Paz, até My Fair Lady, mas também a generosidade por causas nobres. Audrey Hepburn, quando o tempo ainda parecia domesticado pela doçura do sorriso. Um ícone, por onde a alegria e a a elegância se afirnaram como formas sublimes e sedutoras da beleza.

Fica a sua lembrança, na memória dos dias. O seu site além de muito material fílmico agrupa uma das suas causas, justamente, a das crianças desfavorecidas. Aos curiosos o acesso, aqui fica

...

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

No nascimento de Eugénio


Nasceu neste dia no ano distante de 1923. Foi nosso autor do mês, mas a sua dimensão carece que dele falemos sempre um pouco mais, ele que nos guarda as palavras, as simples palavras. Um dos seus poemas, nessa procura da simplicidade maior, da luz solar, da água, da beleza dos gestos essenciais da vida.

Estive sempre sendo nesta pedra
escutando, por assim dizer, o silêncio.
Ou no lago cair um fiozinho de água.
O lago é o tanque daquela idade
em que não tinha coração
magoado (porque o0 amor, perdoa dizê-lo, 
dói tanto! Todo o amor. Até o nosso,
tão feito de privação). Estou onde
sempre estive: à beira de ser água.
Envelhecendo no rumor da bica
por onde corre apenas o silêncio.

Eugénio de AndradePoesia, Modo de Ler   

Concurso Nacional de Leitura

Realizaram-se hoje na Escola Secundária Rainha Dona Amélia as provas da 1ª eliminatória do Concurso Nacional de Leitura para o presente ano letivo. Hoje dia dezanove de janeiro, fizeram as provas os alunos do 3º Ciclo do Ensino Básico e os do Secundário. As provas tiveram como base a leitura dos livros: O gato malhado e a Andorinha Sinhá de Jorge Amado e O Mundo em que vivi de Ilse Losa para o Básico e O retorno de Dulce Maria Cardoso e Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco para o Secundário.
Amanhã divulgaremos os nomes dos alunos que passaram à 2ª eliminatória, que será de nível distrital.

Sonhos azuis pelas esquinas: livro da semana

Título: Sonhos azuis pelas esquinas
Autor: Ondjaki 

Edição: -...ª 
Páginas:1...
Editor: Caminho 
ISBN:... 
CDU: 821.134.3-31"19/20" 


aperta, e as sombras e os panos e as tranças nas meninas que passam - crianças que olham o mar com a simplicidade das pedras, aqui onde todas as varandas penduram ausências de gentes por regressar. os pássaros voam parados, suspensos e próximos, dando sombra às árvores e graças ao céu azul.  

sobre as pedras e pedras sobre a ilha, mas o chão respira uma frescura humana, os panos vestem as pessoas e as pessoas buscam negócios de regateio. chega um barco cheio de palavras caladas. (...) mais tarde a noite dará voz às sombras, as sombras serão calmaria e escuridão. as árvores beijarão os pássaros. os dedos hão de alcançar um torpor de mansidão. (...)

(Os lugares que habitamos nem sempre são o que queremos ser e vamos por cidades onde queremos ser mais perto de nós, ver a luz distante em cada porto e os sonhos azuis, na cor imensa que faz recordar as possibilidades de todas as histórias. Uma viagem por cidades e por aquilo que mais precisamos, estar dentro de nós com o sonho na respiração).

Ondjaki, "Gorée", in Sonhos azuis pelas esquinas

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Luther King - A memória da Humanidade

A "civilização" americana em muitos dos seus fundamentos deu-nos figuras universais, que modelaram a forma mais sublime da consciência humana. Martin Luther King foi um dos mais elevados exemplos de humanidade, feito de determinação, coragem e visão de um mundo mais justo. 

Luther King, nasceu em Atlanta, na Geórgia, formou-se no Morehouse College, tendo sido ordenado pastor da Igreja Baptista aos dezoito anos. Estudou na Universidade de Boston, onde foi influenciado pelas ideias pacifistas de outro imenso ser humano, Mohandas Gandhi. Martin Luther King conduziu a sua vida pela defesa dos direitos cívicos dos americanos, em especial dos que eram profundamente discriminados. Procurou defender com energia e coragem os direitos das minorias, em especial os negros que eram vítimas de segregação racial. Lutou por estes ideais através de protestos e marchas pacíficas e discursos de grande determinação e inspiração.

Participou na fundação do CLCS (Conferência de Liderança Cristã do Sul) que organizou os protestos não-violentos, especialmente contra a situação de segregação racial dos negros nos Estados do Sul. Situação que limitava o direito de voto, discriminava as pessoas nos seus direitos mais básicos apenas pela cor da sua pele. As manifestações de protesto em Alabany em 1961 e 1962, em Birmingham em 1963, em St Augustine em 1964 e em Selma reafirmaram o seu protesto e a luta pelos direitos cívicos na América.

Em 1964, recebeu o Prémio Nobel da Paz, como reconhecimento da sua luta não violenta contra os preconceitos raciais. Em 1965 conseguiu concretizar a marcha entre o Alabama e Selma e a partir de 1968, ano em que foi assassinado em Memphis, organizou uma campanha de luta contra a pobreza (A Campanha dos Pobres). A partir de 1986, os Estados Unidos celebram na 3ª segunda-feira do mês de Janeiro, um feriado designado - Dia de Martin Luther King.

Martin Luther King representa a consciência da humanidade pela defesa da dignidade humana e dos valores que devem organizar a sociedade - a igualdade de todos perante a Lei. As suas palavras e a sua luta são uma inspiração para continuar a procurar individualmente melhorar a construção de uma Humanidade inacabada e que esteja cada vez mais próxima do valor que cada um tem.

Mais do que estas palavras, o vídeo colocado no post anterior, com o seu inspirado discurso, «I Have a Dream», realizado em 1963 demonstra a grandeza deste homem, que abriu um caminho de esperança. Em momentos da nossa própria contemporaneidade, algumas das suas ideias encaminharam linhas de esperança para uma sociedade mais humana. "Yes we can" do presidente Obama foi beber muito a esta ideia de King, de que sim, é possível com determinação mudar a ferrugem instalada pela ignorância.