Espaço de partilha e divulgação das atividades da Biblioteca Escolar da Escola Secundária Rainha Dona Amélia
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Antologia de Torga - Livro da semana
Título: Antologia Poética
Autor: Miguel Torga
Edição: 1ª
Páginas: ...
Editor: D. Quixote
ISBN: ...
CDU: 821.134.3-1"19"
Autor: Miguel Torga
Edição: 1ª
Páginas: ...
Editor: D. Quixote
ISBN: ...
CDU: 821.134.3-1"19"
Sinopse:
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
E vendo
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
E vendo
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.
Miguel Torga, Diário XIII
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
A respiração da cidadania...
(...) alguns homens pensarão, trabalharão e sentirão como nós; ouso contar com esses continuadores colocados a intervalos irregulares ao longo dos séculos, com essa intermitente imortalidade. A vida é atroz, sabemos isso. Mas precisamente porque espero pouco da condição humana, os períodos de felicidade, os progressos parciais, os esforços de recomeço e de continuidade parecem-me outros tantos prodígios que compensam quase a massa enorme dos males, dos fracassos, da incúria e do erro. (...) As palavras liberdade, humanidade, justiça reencontrarão aqui e ali o sentido que temos tentado dar-lhe."(1)
"Um pé na erudição, outro na magia, ou, mais exatamente e sem metáfora, nesta magia simpática que consiste em nos transportarmos em pensamento ao interior de alguém.(...) é somente por orgulho, por ignorância grosseira, por cobardia, que nos recusamos a ver, no presente, os lineamentos das épocas que hão-de-vir. Aqueles livres sábios do mundo antigo pensavam como nós em termos da física ou de filologia universal: encaravam o fim do homem e a morte do globo. Plutarco e Marco Aurélio não ignoravam que os deuses e as civilizações passam e morrem.(...) Este século II interessa-me porque foi, durante muito tempo, o dos últimos homens livres.
"Um pé na erudição, outro na magia, ou, mais exatamente e sem metáfora, nesta magia simpática que consiste em nos transportarmos em pensamento ao interior de alguém.(...) é somente por orgulho, por ignorância grosseira, por cobardia, que nos recusamos a ver, no presente, os lineamentos das épocas que hão-de-vir. Aqueles livres sábios do mundo antigo pensavam como nós em termos da física ou de filologia universal: encaravam o fim do homem e a morte do globo. Plutarco e Marco Aurélio não ignoravam que os deuses e as civilizações passam e morrem.(...) Este século II interessa-me porque foi, durante muito tempo, o dos últimos homens livres.
Nada mais frágil que o equilíbrio dos lugares belos. As nossas fantasias de interpretação deixam intatos os próprios textos, que sobrevivem aos nossos comentários; mas a menor restauração imprudente infligida às pedras, a menor estrada macadamizada cortando um campo onde a erva crescia em paz desde há séculos criam para sempre o irreparável. A beleza afasta-se, a autenticidade também." (2)
(Num tempo em que a Liberdade, a Fraternidade e a Humanidade, velha divisa do imperador Adriano [nas vésperas do seu nascimento] e da casa de Marco Aurélio estão em falência significativa, um livro essencial. Escrito por Marguerite Yourcenar durante duas décadas é um documento admirável, um expoente da literatura do século XX, onde desenhou com humildade e sabedoria o olhar sobre a vida do imperador Adriano. Livro que chega a esse plano tão difícil, às palmeiras da voz. Livro que nos chega de um tempo que já não é o nosso, mas ainda próximo pela descoberta íntima da voz, do sentido mais partilhado de uma vida. Ainda é o que procuramos em tempos carentes de Humanidade.).
(1) - Marguerite Yourcenar, memórias de Adriano ( do corpo do livro)
(2) - Marguerite Yourcenar, memórias de Adriano (do conjunto dos apontamentos das diversas edições da obra).
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
Concurso Nacional de Leitura
Apresentamos em baixo os alunos que no básico e no secundário venceram a 1ª eliminatória do Concurso Nacional de Leitura, a partir das leituras realizadas. Justamente, O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá / O Mundo em que vivi e Amor de Perdição / O retorno. Os resultados encontram-se afixados na biblioteca, mas aqui ficam para uma consulta mais acessível.


Básico:
(1º lugar) - Catarina Alves Moreira de Albuquerque D' Orey - 8º 6ª;
(2º lugar) - Maria Carta Gaudich - 9º 4ª;
(3º lugar) - Sofia Spencer Salomão Isidoro - 9º 6ª;
Secundário:
(1º lugar) - Maria Faria Sampaio Guerra Tavares - 11ºF;
(2º lugar) - Sandra Isabel Belchior Ferreira - 11º F;
(3º lugar) - Maria Madalena Maymone Martins Quintela - 11ºF ;
(Deixamos as nossas felicitações a todos os alunos participantes e desejando que os que vão participar na fase distrital possam ter um bom desempenho.)
George Orwell - a construção da liberdade
Há figuras, personalidades que pensam os seus dias, dão-nos formas de desenhar a construção do quotidiano e lembram-nos como a nossa fragilidade, o nosso desamparo se apresenta como um molde por onde os mais desjustados à dignidade humana se confinam em páginas de indiferença. Fez ontem, sessenta e quatro anos que deixámos de visitar a presença física de um homem que compreendeu como poucos o que foi o século XX - Geoge Orwell.
Foi um dos escritores que mais influenciou o século XX. Deixou uma obra importante que soube diagnosticar a tragédia humana que representou o século XX em tantas geografias. De A Quinta dos Animais, entre nós, Triunfo dos Porcos, a 1984, a sua obra traçou, como uma alegoria, os mecanismos do desprezo pela humanidade que marcaram significativamente o século passado.
Orwell, demonstrou com clareza, como o controle da informação, o apagamento da memória, a destruição de uma consciência humana, a ausência da individualidade, a anulação da espiritualidade construiram regimes inquietantes, feitos de angústia e sofrimento de dimensões indescritíveis. Revelou nas suas páginas, o que muitos respeitados intelectuais não souberam verificar, quando as marchas de paz no Mundo, eram a expressão armadilhada de uma doutrina de tirania.
O início do século prometia uma difusão de regimes democráticos, perto do que alguns consideraram a progressão da História. Vivemos a confirmação do regresso da História, onde a promessa de uma humanidade «feliz», onde a dignidade seja respeitada continua, não só por construir, mas como regrediu a níveis preocupantes. Ao poder esmagador dos estados autoritários do século XX, assiste-se pela fragmentação dos poderes tradicionais à mesma limitada oportunidade que o indivíduo tem em garantir a sua voz de individualidade.
As transformações tecnológicas têm contribuído para isolar o indivíduo, pelo controle quase de ubiquidade que as máquinas permitem e pelo tempo desperdiçado na sua aprendizagem que nunca poderá ser de igual riqueza ao que se dispende a alimentar o conhecimento dos outros. Sendo o tempo uma realidade tão preciosa, a evolução económico-social tem garantido a liberdade humana, nas instituições que devem garantir a Democracia?
Tocqueville há dois séculos lembrou que para as sociedades democráticas, as que respeitam a identidade humana, o mais perigoso é que «no meio das pequenas ocupações incessantes da vida privada, a ambição perca o seu ímpeto e a sua grandeza (2)". Estamos pois de regresso às palavras de Orwell e essa é a sua grande "vitória", do tempo que o compreendeu muito limitadamente.
(1) George Orwell, Selected Writings, Penguin
(2) Alexis de Tocqueville, Da Democracia na América
Imagens, in http://www.famousauthors.org/george-orwell
terça-feira, 20 de janeiro de 2015
Memória de Audrey
"Remember, if you ever need a helping hand, it's at the end of your arm, as you get older, remember you have another hand: The first is to help yourself, the second is to help others".
Vinte e dois anos sem a graça e a beleza de uma mulher e de uma actriz que faz parte da memória do cinema e das tardes encantadas quando o cinema era uma celebração e uma iniciação a mundos novos. Lembramo-la pelo seu sorriso doce, de um tempo em que o cinema era ainda uma entrada artesanal no sonho e na aventura de descobrir. Evocação de fitas que acompanharam várias gerações.
De Roman Holiday a Breakfast at Tiffany's, Guerra e Paz, até My Fair Lady, mas também a generosidade por causas nobres. Audrey Hepburn, quando o tempo ainda parecia domesticado pela doçura do sorriso. Um ícone, por onde a alegria e a a elegância se afirnaram como formas sublimes e sedutoras da beleza.
De Roman Holiday a Breakfast at Tiffany's, Guerra e Paz, até My Fair Lady, mas também a generosidade por causas nobres. Audrey Hepburn, quando o tempo ainda parecia domesticado pela doçura do sorriso. Um ícone, por onde a alegria e a a elegância se afirnaram como formas sublimes e sedutoras da beleza.
Fica a sua lembrança, na memória dos dias. O seu site além de muito material fílmico agrupa uma das suas causas, justamente, a das crianças desfavorecidas. Aos curiosos o acesso, aqui fica.
...
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
No nascimento de Eugénio
Nasceu neste dia no ano distante de 1923. Foi nosso autor do mês, mas a sua dimensão carece que dele falemos sempre um pouco mais, ele que nos guarda as palavras, as simples palavras. Um dos seus poemas, nessa procura da simplicidade maior, da luz solar, da água, da beleza dos gestos essenciais da vida.
Estive sempre sendo nesta pedra
escutando, por assim dizer, o silêncio.
Ou no lago cair um fiozinho de água.
O lago é o tanque daquela idade
em que não tinha coração
magoado (porque o0 amor, perdoa dizê-lo,
dói tanto! Todo o amor. Até o nosso,
tão feito de privação). Estou onde
sempre estive: à beira de ser água.
Envelhecendo no rumor da bica
por onde corre apenas o silêncio.
Eugénio de Andrade, Poesia, Modo de Ler
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