Espaço de partilha e divulgação das atividades da Biblioteca Escolar da Escola Secundária Rainha Dona Amélia
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
Carta de uma leitora - Sara (10º H)
Cara Srª Claudia Gray,
Sempre que escrevo os meus contos ou o meu interminável livro inspiro-me em si, na forma como escreve e transmite as emoções mais profundas.
Olá, sim, sou só mais uma fã dos seus livros, mas não se livra já de minha carta, pois eu não lhe escrevo para relatar desespero e loucura acerca do seu próximo expectante sucesso. Venho apenas por este meio partilhar a minha admiração para consigo.
Tornei-me admiradora das suas palavras há pouco tempo. Porém quando iniciei as minhas leituras, você conseguiu tocar-me na alma com descrições psicológicas exactas dos sentimentos das personagens. A perfeita complexidade das palavras em histórias fictícias que se tornam rapidamente em pura realidade no nosso pensamento, seja fértil ou não, tem uma enorme capacidade de inventar o impensável.
Sempre que escrevo os meus contos ou o meu interminável livro inspiro-me em si, na forma como escreve e transmite as emoções mais profundas.
Bem, com isto s+o pretendo demonstrar que a admiro muito enquanto escritora.Por favor, continue a fazer o magnífico trabalho que tem feito até hoje ao nos espantar em cada livro publicado e boa sorte no futuro!
Com grande admiração,
Sara de Melo Barreira Pinela (10ºH)
Gandhi - a consciência da humanidade
«Sempre foi para mim um
mistério o facto de os homens se sentirem honrados com a humilhação dos seus
semelhantes.» (1)
A trinta de Janeiro de
1948, despedia-se deste mundo físico um homem de uma imensa grandeza, que com
simplicidade, determinação e beleza soube congregar em si a dimensão única da
consciência da Humanidade. Fez da verdade e da justiça a sua causa de vida, enfrentou
o Império britânico com a força do espírito, com a sua satyagraha, onde juntou
a sua preocupação com os outros à ideia de não-violência.
Albert Einstein, disse
dele, em 1948, «gerações vindouras dificilmente acreditarão, que um homem
destes, de carne e osso, tenha alguma vez andado por este Planeta».
Relembramos, hoje, os sessenta e seis anos de uma memória excepcional, Mahtama
Gandh e lembrar os esquecidos ideais humanos, na medida em que essa memória
representa a consciência da própria humanidade.
Falamos aqui de uma figura
intemporal que lutou com energia, abnegação e inteligência por um mundo mais
justo e mais igual entre todos. Com consciência lutou pela verdade nas relações
humanas, mostrou-nos que a força do espírito, alimentado pela razão pode vencer
impérios e que não existem deuses acima da Verdade, considerada como valores
universais.
Lutou pela independência
da Índia através da desobediência civil, através de marchas cívicas de protesto
ordeiro, aceitando o sofrimento para justificar uma causa nobre e defendendo a
verdade, mesmo que representada num só homem. Defendeu o trabalho manual, a
reposição da dignidade entre todos, a recuperação da auto-estima dos mais
humildes na sua construção individual do futuro. Conduziu a sua vida na conquista
de um sonho, o mais elevado. Iluminar a Humanidade para um caminho de paz e
harmonia. Deixou-nos elevados valores ligados à liberdade individual, condições
para afirmar a liberdade política, a justiça social e a tolerância.
Criou um pensamento que assentava em dois
princípios: a Satyagraha (a força da verdade e do amor) e o Ahimsa (a
não-violência). Todos os movimentos que no século XX lutaram contra a opressão
dos impérios coloniais, ou contra a violência ou o racismo inspiraram-se nele.
Todos os homens que aspiraram no século XX a um mundo melhor, livre da
injustiça social, da guerra e da ditadura individual foram procurar motivação
nas suas palavras.
De Martin Luther King a
Nelson Mandela e a Aung San Suu Kyi na Birmânia, todos compreenderam que a
força do seu exemplo e a nobreza da sua causa permitiram fazer evoluir o Homem.
Da guerra do Vietname à praça de Tianamen, o seu exemplo deu força à coragem de
alguns para se construir uma Humanidade mais fraterna. Este homem, vítima da
intolerância, no seu próprio tempo, com as questões relacionadas com a
separação da Índia e do Paquistão, após a saída dos Ingleses, guardou para nós
o melhor de uma consciência mundial, disponível a todos.
(1) Mahatma Gandhi, 1893,
durante os protestos na África do Sul
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
Comentários ao conto "Tenório" - Profª Teresa Santos
A mensagem fortíssima que Miguel Torga pretende
transmitir-nos é um “ataque” social para aqueles líderes mundiais que são, de
certa forma, gananciosos e que querem ser eternos no poder/controlo de uma
nação, com objetivos que só eles sabem. Esta importante mensagem serve para nos
mostrar e para mostrar aos líderes
mundiais que, eventualmente, não obstante do quão importante o cargo é, irá
sempre ser necessária uma substituição no “sistema”.
A mensagem que Miguel Torga nos quer transmitir é a lei
natural da vida, Tenório substituíra um galo mais velho quando era pequeno e
novo e quando já era velho foi substituído pelo seu filho. Não devemos também
ser demasiado vaidosos, mas, principalmente, devemos aproveitar a vida e resignarmo-nos
com o seu ciclo.
A mensagem que Miguel Torga pretende transmitir aos leitores
através deste conto, é a contradição entre a vida e cultura de uma sociedade,
utilizando animais com sentimentos e emoções humanas. Tenório representava a
ambição de querer sempre mais, a cobiça e vaidade pois vivia numa constante
luta para agradar…
A mensagem que Miguel Torga quer passar é que fazemos parte do mesmo presente
temporal e, quer queiramos ou não, do mesmo futuro intemporal. Agora, sofremos
as vicissitudes que o momento nos impõe, companheiros na premente realidade
quotidiana. Mais tarde, seremos o pó da História, o exemplo promissor ou
maldito, o pretérito que se cumpriu bem ou mal. Se eu hoje me esquecesse das
tuas angústias , e tu das minhas, seríamos ambos traidores a uma solidariedade
de berço…
Miguel Torga clarifica-nos o quão importante é a renovação.
A renovação é uma medida necessária não só para acompanhar os tempos, mas também
para proteção. A renovação é uma mudança para melhor e as pessoas que não o
conseguem ver são vaidosas e valorizam-se demasiado.
Francisco Diniz /Inês Grosso / Sara de Melo Barreira / David Ferreira /Thomas Utca Machado - (10º E).
Os Bichos de Torga
(Na apresentação aos alunos do escritor Miguel Torga, foi proposto na Biblioteca a leitura do conto "Tenório", inserido no livro Os Bichos. Deixam-se algumas das imagens usadas para ilustrar o conto e com elas criar uma sessão de leitura e de diálogo sobre a ideia do conto. A leitura do conto foi precedida de uma breve apresentação de Torga e do seu reino maravilhoso. Do resultado de algumas questões colocadas publicaremos noutro post, o essencial do que foi produzido pelos alunos).
Esta é a história verdadeira de Tenório, o galo. Nascido duma ninhada que a senhora Maria Puga deitou amorosamente debaixo das asas chocas da Pedrês, em doze de janeiro, pelas três da tarde, quando a velhota o viu sair da casca, disse logo:
- É frango.
E realmente. Aquela amostra de crista que trazia do ovo, poucas semanas depois, parecia já uma mitra. E ninguém mais duvidou de que era frango macho. Dos dois irmãos, muito tinhosos, sempre engeridos, desses é que a incerteza se manteve por largo tempo.
- Que te parece, António?
- Eu sei-te lá mulher!...
- O da dianteira está-se mesmo a ver. Aquelas três são pitas, com certeza.
Galo! Galo e duma maneira tal, que agora no quinteiro, mal franzia a testa, tremia tudo! E então lindo! A crista caía-lhe dobrada sobre o ouvido. Um rico brinco de cada lado. E em todo o lado. E em todo o peito, sobre o papo redondo, um avental de penas que pareciam de pavão! Sem falar nas asas, um primor de beleza, nos esporões que, de brancos, lembravam marfim, e naquela rica voz, legítimo orgulho da dona.
- Nem há...
Qual medo, qual pudor, qual nada! Era ou não era um galo a valer?! Ou não via como, em toda a capoeira alvoraçada, do espanto se passara a um rumor de pura admiração? Na capoeira e até lá dentro...
- Ouviste o frango, António?
- Ouvi.
É danado, o seu galo! Onde não chega, manda. (...)
Era a Júlia Pirraças a falar à dona. Ele ouvia com ar modesto. Por dentro, a babar-se, evidentemente. Quem é que não gosta que lhe louvem as valentias?...
Ah, se não fosse o espinho que começava a crescer-lhe no coração!...
O galo velho tem coisa...
Galo velho! Isto é que era uma vida!... Andava um homem sabe Deus como, roído por dentro, não lhe apetecia arreganhar os dentes, e logo uma sentença sem apelo: - galo velho!
- Mata-se e faz-se um bolo. O filho já dá conta do recado... Era o senhor menino, que começava a pôr as unhas de fora! Ah, mas saía-lhe cara a brincadeira! Oh, se saía! Garoto! (...).
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