Espaço de partilha e divulgação das atividades da Biblioteca Escolar da Escola Secundária Rainha Dona Amélia
quinta-feira, 19 de março de 2015
quarta-feira, 18 de março de 2015
terça-feira, 17 de março de 2015
Encontro com o Ilustrador João Amaral
Esta manhã, três turmas do ensino secundário e uma do básico em duas sessões tomaram conhecimento com a obra do ilustrador João Amaral e em concreto com a sua adaptação do romance de José Saramago, A viagem do Elefante. Foi feita uma apresentação biográfica da obra e do trabalho de João Amaral. A sessão correu muito bem, tendo sido apreciada pelos alunos e pelos docentes, onde o ilustrador deu a conhecer uma obra de Saramago com utilização de conteúdos plásticos e gráficos. O ilustrador mostrou a sua metodologia de trabalho, desde a adaptação do texto original, até às diferentes fases do desenho manual e da utilização de marcadores, incluindo a sua adaptação ao digital. A BD como forma criativa e o desenho como suporte de mensagens e de histórias foram amplamente tratados, nos seus diferentes suportes.
segunda-feira, 16 de março de 2015
A memória de Natália
"Pusemos tanto azul nessa distânciaancorada em incerta claridade
e ficamos nas paredes do vento
a escorrer para tudo o que ele invade.
Pusemos tantas flores nas horas breves
que secam folhas nas árvores dos dedos.
E ficámos cingidos nas estátuas
a morder-nos na carne dum segredo" ( "IX", in Poemas)
Natália nasceu nas ilhas de lava e fogo, há um pouco mais de noventa anos, para nos dar uma poesia e uma criação da palavra capaz de nomear as coisas, a vida, a memória, as experiências do quotidiano com um ousadia apenas possível para os que buscam a identidade intrínseca de do real. Deixou-nos fisicamente há justamente vinte e um anos e para quem a conheceu, o seu espírito era de uma ousadia permanente.
Percebeu antes de todos, que a banalização, a falta de rigor, a ausência de consciência e de memória fariam saltar as mais gritantes formas de injustiça. Ousou sobre um País cinzento, com paixão, "o corpo do amor", essencial a qualquer criação, para buscar a inocência perdida das crianças, no espanto inicial de saber olhar. A sua inteligência, a sua ousadia, a sua liberdade criativa serão sempre uma memória do País cinzento, que das praias de lava ousava o abraço e o beijo de outros encontros, capazes de redimir o Homem.
Escritora, poetisa, participou na luta contra o Estado Novo, tendo livros como Canto do País Emerso ou Satírica proibidos pela censura. Defendeu como poucos o património da língua portuguesa, na senda da célebre ideia de Pessoa e a importância do património cultural. Fez da sua tertúlia da liberdade um ponto de discussão e promoção de direitos humanos. Falou das mulheres com um sentido mágico, lutando no final dos anos oitenta por ideias essenciais da participação da mulher na sociedade. Foi deputada, mas nunca se submeteu aos valores do carreirismo político, tendo a sua vida literária tido pontos de contacto com figuras como António Maria Lisboa ou Cruzeiro Seixas.
Natália foi sempre ela própria, onde conciliava conhecimento enciclopédio com os rasgos de originalidade, numa composição de profunda energia. Com Dimensão encontrada (1957) e Comunicação (1959) revelou uma exuberância lírica que acompanhava a sátira, onde se notavam o desejo de chegar à utopia, à fantasia. à vida plena que queria usufruir plenamente. Morreu num tempo em que esse mundo de uma construção pelo conhecimento, uma sociedade participada caía nos escombros do individualismo. Quem assistiu à declamação das suas poesias, percebe como só da pátria de lava e fogo poderia fazer nascer uma voz tão livre e tão próxima do coração da terra.
Entrevista a Einstein - Livro da semana
ISBN: 978-972-564-686.6
CDU: 821.133.1-83"20"
Sinopse:
« (…) Durante muito tempo, pensámos em linhas rectas, pelo menos esforçámo-nos por isso, em termos de rectidão e de clareza, com a ajuda daquilo a que chamávamos a lógica, a razão, ou ainda a geometria; no nosso pensamento rectilíneo, esforçávamo-nos por ir de um ponto ao outro, o mais rapidamente, o mais simplesmente possível, o nosso pensamento evoluía em triângulos, quadrados, rectângulos e subitamente fomos invadidos pela curva! Pela sinuosidade! (…)
O pensamento é lento e frágil. Não é soberano. Não é a coisa mais bem partilhada do mundo, longe disso. Para uma massa de espíritos receosos, saber é enganar-se, saber é perder-se. Subsiste em todos nós algo de mágico e de feérico. Precisamos de feiticeiros, que nos toquem a flauta imperecível e que se encham à nossa custa. Preferimos a crença ao conhecimento, as patranhas às certezas. É assim. (…)
É fácil de compreender. Veja: o universo é irresistível. Constitui uma autêntica sedução. É belo, se esta palavra ainda tem sentido nestes espaços incomensuráveis. Ele encerra em si toda a beleza. Cruelmente, sempre que o olhamos, reduz-nos sem cessar à nossa insignificância. Esmaga-nos. E, no entanto, ao acolher-nos, amplia-nos, abre-nos os olhos e, mais ainda, o nosso espírito, aceita-nos. Os Antigos diziam: revela-se-nos, mostra-se. Ao contrário de Deus, que põe tanto cuidado em se esconder, ele é um imenso exibicionista.(…)
Esta necessidade de um objectivo, de um desígnio, primeiro passo para a finalidade geral do mundo, aplicámo-la, ao que parece, ao universo, como se tudo tivesse de funcionar num sentido comparável ao nosso. Como se as galáxias e os electrões se deslocassem sobre a nossa atitude e desposassem todos os nossos movimentos interiores. Como se o sentido dominasse a realidade. Como se, nos infinitamente grande e pequeno, tudo obedecesse à vontade de alguém, à maquette de um arquitecto habilmente dissimulado. Como se as estrelas estivessem ali penduradas para responder às nossas velhas perguntas. (…)
Quando um pensamento percorre incessantemente o universo, quando se aventura e se perde em distâncias incomensuráveis, na infinidade dos possíveis, e se volta por um momento a fim de fixar nas minúsculas querelas da Terra, reivindicações de fronteiras, possessões, insultos e ameaças (…) um nacionalismo estreito, mesquinho, que nos deixa paralisados, o que dizer?
Como reagir, no regresso das estrelas?»
(É um pequeno grande livro sobre uma figura enorme, justamente Einstein. Um livro que nos dá a hipotética entrevista de um homem que repensou o universo. Por ele caminhamos pela sabedoria de um homem que redesenhou os conceitos do espaço e do tempo, da matéria e da energia. Uma fonte de informação e de prazer sobre a diversidade de uma das mais importantes figuras do século passado. Um livro a descobrir.)
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