terça-feira, 2 de junho de 2015

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Livro da semana - O mundo

Título: O mundo
Autor: Juan José Millás 
Edição: 1ª 
Páginas: 174
 Editor: Planeta
 ISBN: 978-989-657-003-3
CDU821.134.2-31"19/20"

"As tardes mortas, com a perspetiva que dá o tempo, acabaram por ser as mais vivas da minha existência. Foram elas, para o bem ou para o mal, que me fizeram; daquelas tardes por onde deambulei ocioso, como um fantasma, nasci. (...) 

E o que vi, sobretudo, foram as ligações invisíveis que uniam tudo, e eram tão sólidas, as ligações, que na realidade profunda tudo era a manifestação de uma vida. Aquela diversidade estava ao serviço da unidade, pois só havia uma coisa, a minha rua, quer dizer,a Rua, ou seja, o mundo." 

No dia mundial da criança, um livro sobre cada de um de nós e essa experiência da infância e de como ela molda a vida. Todos nós somos diferentes e vivemos experiências de infância particulares. De algum modo a infância torna-se uma rua, onde crescemos, onde vimos o mundo e a partir do qual construímos a nossa própria forma de ser. Juan José Millás escreveu um livro sobre a sua infância e também sobre o seu mundo.

Há livros assim. Livros que entram em nós como um vento, inundando todos os momentos por onde as palavras respiram o que viveram e o que construíram, entre o silêncio e o pavor de desencontros. A voz que se esquece de si no mundo que não se entende, nos milagres que não presenciamos, nos lugares que são pouco nossos. Há livros que aspiram a contar-nos as experiências de sal e lágrimas com que muitas vezes crescemos, na incompreensão de uma festa onde somos pouco acolhidos.

O mundo é um desses raros livros, onde a infância marca uma vida, o seu frio e o seu vento, e onde, entre o maior desconforto e a maior solidão, se procura construir vidas reais. Realidade forjada, a partir de uma ficção vivida, dos seus ciclos, de tudo o que não entendemos e que permanece em nós. Um livro sobre a infância, na Espanha do franquismo, sobre os adultos e a sua solidão feita de medos e sobre uma sociedade de pobreza, de carência, que renega a memória de cada um, a sua participação no real.

Um livro sobre a dificuldade de cada criança em ser aceite, do social como linha forçada de uma individualidade pouco compreendida e das feridas que da infância trazemos para os mundos irreais de onde tentamos renascer. Um livro que é uma memória de um tempo, de uma geração de um mundo que se fazia e criava na rua que nos fazia crescer. Ainda lá estamos, mesmo que já lá não vivamos, pois os seus cheiros e as suas cores ainda nos acordam em muitos momentos. 

junho

junho tem ar de festa
mesmo que festa não haja.
Não se sabe bem porquê,
se todos ainda trabalham.
Talvez festa de ser véspera
de chegar, em junho, o Verão
e com ele um ,
um comboio, um avião,
ou simplesmente umas pernas
de andarilho sem receio,
que nos levem com os amigos
a um lugar de eleição
que se guarde para sempre
no baú do coração.

João Pedro Mésseder, O Livro dos meses. Lápis de Memórias. 2012.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Exposição de Geografia



Durante esta última semana de maio tem estado a decorrer uma exposição de trabalhos promovida pela disciplina de Geografia. Nesta exposição estão em divulgação trabalhos realizados pelos alunos do Básico e Secundário sobre a Terra como ecosistema e algumas das principais características do planeta em termos sociais, culturais e humanos. 

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Campanha - Vamos ajudar o Nepal (II)

A ES Rainha Dona Amélia,no dia 20 de maio, deu por terminada uma campanha que tinha como objetivo reunir dinheiro para ajudar na recuperação do património cultural danificado dos últimos terramotos no Nepal, e teve um sucesso nunca antes visto!

Devido à sua localização geográfica, o centro de Lisboa, esta escola é beneficiada com uma grande mistura de culturas e alunos vindos de vários países. Entre esses alunos estava um nepalês. “Quando vi os noticiários o que se passava senti que tinha que agir e fazer alguma coisa para o meu país”, conta Sharad Poudel, o impulsionador da campanha, “Tive a sorte de já ter agendada uma apresentação sobre o meu país e a sua cultura para a minha turma. 

Depois desse dia, todos os alunos ficaram entusiasmados com a ideia de poder ajudar, e foram eles que divulgaram a campanha”. A campanha terminou com uma sessão formal na biblioteca da escola, onde alunos, professores e funcionários viram quais os frutos do seu trabalho conjunto. Iniciada no dia 11 de maio, conseguiu até o dia do seu fim uma quantia próxima dos mil euros, o record já alguma vez angariado na ESRDA, onde este tipo de ações são comuns.

“Estou muito feliz por ver como a minha escola respeita a diversidade cultural e a riqueza da cultura do meu país. Esta campanha tornou-se uma inspiração e um grande passo para tornar todas as pessoas da escola mais solidárias”, concluí o aluno. Agora, o dinheiro já foi entregue à cruz vermelha e esta encarregar-se-á de o usar para o propósito que foi recolhido. 
Parabéns ao Sharad e a todos o que o ajudaram, pois provaram que são os alunos que (também) fazem as escolas!

http://www.forum.pt/wtf-animadores/16230-facebook-id-1ac554eee273a9d04dfe7ef061f4e05a

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Semana das Artes - Ilustração / Textos (IV)

Gostei muito de alguns quadros e por essa razão fui mesmo bastante difícil ter de eleger um...
Admira-me pelo facto de ter, curiosamente, decidido escrever sobre um trabalho que é passível ser aquele que tem menos cor (literalmente, está só a carvão) e aquele que, "ignorantes", como nós, tendem a classificar como mais simples, ou, pelo menos, não tão "elaborado", como os outros (não desprezando de qualquer maneira ou forma o esforço e mérito de cada um.
Enquanto andava para a frente e para trás no corredor, foi uma questão de segundos, até ter decidido interiormente que aquele seria então, o tal! O rapaz representado prendeu-me. Parei pela simples razão de que me apetecia parar. Ficar lá só a olhar. O rapaz estava lá, a olhar para nós, a sorrir um sorriso que completava um olhar donde emanava toda a paz do universo, todo um "à vontade" envolvente, toda uma atmosfera descontraída e convidativa a sentirmo-nos em paz com ele. 
A sensação de tranquilidade que me assombrou naquele instante foi tão impressionante que o meu único desejo era estar, naquele momento, frente / a / frente com lel, humano, de carne e osso, na vida real. Conhecê-lo.

Texto: | Catarina| 10º H | Desenho: | a identificar|... | 
Escola Secundária Rainha Dona Amélia|Semana das Artes |

Leituras na Biblioteca - Pessoa (os Heterónimos)

Ser pessoa é amar o que se vê, é sentir o "ser", é não haver limites para a grandeza, é ser feliz na tristeza e perceber o que somos. Ser pessoa é querer mais do que se tem, é querer ser livre, beber a inocência e viver a presença do real. Ser pessoa é amar o ridículo, é escrever o sentimento e sentir o que vê, desenhando paisagens. É ser insignificante como o pó, mas ao mesmo tempo presentem no vento, é ser harmonia ministrada pelo maestro e seguir as regras. Ser pessoa é ser espontâneo nas decisões da vida e ter ideias que suportem os sonhos.
| Natália Brito| 10º A|  

Todos nós, cada um de nós somos uma multiplicidade de pessoas, um mundo de personalidades. É vago e raro definirmo-nos. Não somos um conjunto fechado, mas sim aberto, não somos nada apenas apresentamos traços de qualquer coisa. Somos um conceito em constante mudança e evolução. 
| Carolina Mateus| 10º A|

Ser pessoa é antes de mais existir. É em termos filosóficos uma incógnita. Ser pessoa é mais do que ser sensível, é ser racional, do ponto de vista intelectual e moral. É ser um sol que  ilumina o seu próprio mundo. É ser um dicionário que só é composto por sentimentos.
| ....| 10º A|

Imagem - O menino que era muitos poetas. Pato Lógico/ICNM.2014

(Alguns dos textos construídos numa sessão com alunos do 10º Ano sobre a Heteronímia  de Pessoa).