quarta-feira, 22 de julho de 2015

As merecidas férias...

Até já

E assim se passaram doze meses. Neste espaço procurou-se durante um ano letivo utilizar esta plataforma digital para trocar ideias, experiências, vivências e emoções. Deram-se conta de atividades, iniciativas e projetos. Usou-se a palavra para imaginar, sonhar, transformar ideias, valores e pensamentos.Tentámos reescrever com as nossas memórias as palavras e os sonhos de poetas e criadores, a que juntámos muitas experiências feitas com e pelos alunos.

Uma Biblioteca pode ser um foco de dinamização de uma Escola. Deve-o ser. Chegados aqui e após muitos posts, com publicação de textos, animações e aplicações digitais, interrompemos com um até já. A ideia de partilha, de promoção do livro, da leitura e do currículo foi conseguida no âmbito que a Biblioteca fosse vista e percebida como um espaço essencial. Neste caso quando se reparara em nós, é um bom princípio, quando conduzido pelas melhores razões, que são a da aprendizagem e do conhecimento.

Ficamos satisfeitos por termos conseguido comunicar ideias, sugerir pensamentos, difundir palavras, capazes de nos fazer ultrapassar as limitações da efemeridade do tempo. Alegres por essas apresentações de livros, a comunicação de textos desenvolvidos em determinadas aulas e termos funcionado como ponto de ligação entre diferentes elementos do espaço educativo de uma escola.

As ideias e os projetos que aqui se desenvolveram só foram possíveis ser concretizados pela participação de diferentes elementos da escola. Estabelecemos com alguns uma relação afetiva que foi essencial para o prazer de aqui ter estado e de concretizar iniciativas. Em primeiro plano é essencial destacar a equipa que organizou e dinamizou este ano letivo a biblioteca. Em especial a quem soube conciliar o trabalho e a dedicação com uma certa visão espirituosa no trabalho e na vida, apesar das dificuldades. E claro a quem especialmente soube e sabe tão bem conciliar a criatividade, uma alegria genuína no trabalho, uma solidariedade especial com o que se envolve. Citar nomes seria despropositado.

Sobre a qualidade deste projeto existem muitos observadores que o poderão avaliar. Certamente que ficaram planos por concretizar e ideias para aplicar em defesa do conhecimento. É sempre possível fazer melhor e é esse o desafio para o próximo ano letivo, seja qual for a equipa da Biblioteca. Por nós ele valeu bem o esforço e a dedicação. As Bibliotecas e muito a educação estão carentes de amplas linhas de conhecimento, mas estão também reféns da afetividade e da dedicação. 

A terminar gostava de desejar bons dias de descanso e muitas felicidades a todos. E que como diz Sophia possamos todos no tempo à frente «construir a partir do fundamento», em dias de liberdade a afirmação de cada um. 

Imagem, Jardim da Estrela. Lisboa. 2015.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Fundação José Saramago - Comemorar a lembrança das palavras


Memória de Saramago

«Não me peçam razões, que as não tenho,
Ou darei quantas queiram: bem sabemos
Que razões são palavras, todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos.


Não me peçam razões por que se entenda
A força da maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não o aceito.


Não me peçam razões, ou que as desculpe;
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece.


(1) José Saramago, "Não me peçam razões". Os Poemas possíveis.Os Poemas Possíveis
A cor da Primavera que há-de vir.» (1)

Hélia Correia - Prémio Camões 2015

Essa beleza q577ae868adf5f0998c8d1dd6e969c72f-ldue era também espanto
Pelo dom da palavra e pelo seu uso
Que erguia e abatia, e levantava
E abatia outra vez, deixando sempre
Um rosto extraordinário. Sim , a hora, 
Dois séculos atrás, em que uma ausência
E o seu grande silêncio cintilaram
Sobre a mão do poeta, em despedida.
Hélia Correia, A terceira miséria. Relógio D'Água. 2012
Imagem: © Julie de Waroquier.