Espaço de partilha e divulgação das atividades da Biblioteca Escolar da Escola Secundária Rainha Dona Amélia
terça-feira, 3 de novembro de 2015
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
Manhã submersa - livro da semana
É um livro marcante de um País, de um tempo, de uma geografia, de uma forma de construir o tempo e as sociedades humanas. É um livro que serve um projeto - a celebração do centenário do nascimento de Vergílio Ferreira. É ainda um livro que se propõe como ponto de partida para uma das provas do Concurso Nacional de Leitura para o Ensino Secundário. É um livro sobre esse fechamento de janelas que o Estado Novo personificou numa ideia orgulhosa de solidão. É uma narrativa sobre a docilidade de estruturas mentais fechadas. A circulação na hierarquização de tempos sociais restritos, onde a individualidade submerge a qualquer ideia ou respiração próprias.
"O peso da dor nada tem que ver com a
qualidade da dor. A dor é o que se sente. Nada mais. Desisto definitivamente de
me iludir com a minha força de adulto sobre o peso de uma amargura infantil.
Exatamente porque toda a vida que tive sempre se me representa investida de importância que em cada momento teve. Como se eu
jamias tivesse envelhecido. Exatamente porque só é fútil e ingénua a infância
dos outros - quando se não é já criança. Estranho poder este da lembrança:
tudo o que me ofendeu me ofende, tudo o que me sorriu sorri: mas, a um apelo de
abandono, a um esquecimento «real», a bruma da distância levanta-se-me sobre
tudo, acena-me à comoção que não é alegre nem triste mas apenas «comovente»...
Dói-me o que sofri e «recordo», não o que sofri e «evoco». (...)
Eu vivia, de resto, agora,
e cada vez mais, da minha imaginação. E foi por isso a partir de então que eu
descobri a violência da realidade. Nada era como eu tinha fantasiado e não
sabia porquê. Parecia-me que havia sempre outras coisas à minha volta que eu
não supunha, e que essas coisas tinham sempre mais força do que eu julgava.
Assim, a minha pessoa e tudo aquilo que eu escolhera para mim não tinham sobre
o mais a importância que eu lhes dera. Chegado à realidade, muita coisa erguia
a voz por sobre mim e me esquecia. (...)
Quando algum de nós se
afastava para dentro de si próprio, logo a vigilância alarmada dos prefeitos o
trazia de rastos cá para fora. Os superiores sabiam que, à pressão exterior,
cada um de nós podia refugiar-se no mais fundo de si. Como sabiam também que a
descoberta de nós próprios era a descoberta maravilhosa de uma força
inesperada. Nenhuns sonhos se negavam ao apelo da nossa sorte, aí na nossa
íntima liberdade. Por isso nos expulsavam de lá. Mas, uma vez postos na rua,
havia ainda o receio de que as nossas liberdades comunicassem de uns para os
outros e ficassem por isso ainda mais fortes. E assim nos obrigavam a
integrar-nos numa solidariedade geométrica, ruidosa e exterior como de ladrilhos". (...)
- Vergílio Ferreira - Manhã Submersa -
sexta-feira, 30 de outubro de 2015
A noite de Halloween
Halloween, hoje chamado Dia das Bruxas é uma tradição que se comemora especialmente nos países de cultura anglo-saxónica, como o Reino Unido ou os Estados Unidos da América. A palavra vem do inglês com o significado de «Hallowed» que significa «santo» e «en» que significa «noite». O seu significado liga-se pois a Noite Santa ou Noite de todos os Santos.
O Halloween remonta aos Celtas, povo da idade do ferro, e às festividades que aquele povo fazia em honra dos mortos. Para os Celtas o Halloween marcava a proximidade do solstício de Inverno e indicava o fim oficial do Verão. Marcava igualmente o início do provisionamento dos diversos bens alimentares para todo o Inverno. O Halloween era para os Celtas no fundo uma forma diferente de crença na vida após a morte e na comunicação entre todos os elementos organizadores do universo, o espaço e o tempo. Todo o enquadramento da fantasia ligado ao Halloween relaciona-se com a defesa dos vivos face ao outro mundo, oculto e desconhecido.
A partir do século I os Romanos abandonaram esta tradição. A figura da bruxa aparece na Idade Média e por relação com a intolerância religiosa, tendo ficado associado a esta tradição. A Igreja no século IX deslocou de Maio para 1 de Novembro a celebração do Dia de Todos os Santos para diminuir os cultos pagãos que a norte da Europa tinham muita importância. Houve assim uma junção dos cultos cristãos e pagãos, um pouco como no Brasil a cultura negra integrou os valores da cristandade europeia.
Hoje o Halloween tem um conjunto de adereços que foram surgindo em diferentes locais e diversas épocas. São os disfarces, criações dos períodos em que o medo da morte assolou a Europa, como no século XIV. A própria tradição de pedir um doce ou oferecer uma travessura que ainda hoje é celebrado em Inglaterra como uma festa nacional tem ainda a ver com as lutas civis que oposeram católicos e protestantes no século XVII. No século XIX, os imigrantes irlandeses que foram para os Estados Unidos levaram o património celta, tornando o Dia das Bruxas uma tradição cultural muito apreciada.
Literacia dos media - Iniciativa 7 dias 7 dicas
A Rede de Bibliotecas Escolares (RBE) em parceria com a Direção-Geral da Educação (DGE), a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e a Comissão Nacional da Unesco (CNU) promove a iniciativa/concurso 7 dias, 7 dicas. Esta iniciativa procura estimular nos alunos a produção de conteúdos / ideias / sugestões sobre os media, em suporte digital.
O conteúdo dos trabalhos é composto por alertas, recomendações ou conselhos expressos numa linguagem direta e clara, onde cada aluno ou grupo de alunos deve elaborar 7 (sete) dicas sobre um e só um destes temas:
– 7 dicas para usar os media na sala de aula e na biblioteca
– 7 dicas para promover a segurança online
– 7 dicas para respeitar os direitos de autor
– 7 dicas para promover a inclusão e a cidadania digitais
– 7 dicas para proteger os dados pessoais
– 7 dicas para manter a reputação online
– 7 dicas para evitar a dependência online
O conteúdo dos trabalhos é composto por alertas, recomendações ou conselhos expressos numa linguagem direta e clara, onde cada aluno ou grupo de alunos deve elaborar 7 (sete) dicas sobre um e só um destes temas:
– 7 dicas para usar os media na sala de aula e na biblioteca
– 7 dicas para promover a segurança online
– 7 dicas para respeitar os direitos de autor
– 7 dicas para promover a inclusão e a cidadania digitais
– 7 dicas para proteger os dados pessoais
– 7 dicas para manter a reputação online
– 7 dicas para evitar a dependência online
São admitidos trabalhos individuais ou de grupo com o máximo de 3 alunos. Cada trabalho deve estar associado a um docent, que terá a função de orientador. Os trabalhos podem ser apresentados nos seguintes formatos: vídeo – avi, flv, mpeg e wmv; apresentação eletrónica – ppt e pptx; cartaz – pdf.
Os trabalhos de cada escola, no máximo de um por tema e por categoria, devem ser enviados pela Biblioteca, até ao dia 8 de abril de 2016. Os alunos autores do trabalho vencedor de cada categoria serão distinguidos individualmente com um tablet ou um cartão oferta de valor equivalente. Deixa-se aqui o Regulamento completo.
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
Nós somos feitos de átomos ou de histórias?
Nós somos constituídos por átomos
e por histórias, Os átomos são os constituintes de toda a matéria e também nos
constituem a nós. Porém, uma pessoa sem histórias, sem memórias, não pode ser
feliz. As nossas histórias completam-nos, fazem de nós o que somos. Como? Temos
de passar por experiências que marcam a nossa vida, só assim poderemos aprender
e compreender o mundo e a humanidade (o que pode ser uma missão impossível!).
Com as experiências, reconhecemos erros, a nossa ignorância, as nossas
incapacidades. Esta compreensão leva à correção, à melhoria, ao saber, à
interrogação. Somos sempre feitos de átomos e de histórias, constituintes da
nossa humanidade, da nossa vida.
| Catarina Ventura| 10.º
C1 |
Somos feitos de átomos, mas são as histórias que nos tornam quem realmente somos. Sem histórias éramos todos iguais, sem ideias novas e sem vontade de mudar. Pois, sem histórias, quer as que já vivemos ou as que nos contam ou lemos, não teríamos aquela vontade de saber mais, aquela necessidade que temos de inovar nas nossas vidas. As histórias conduzem-nos a viver novas aventuras. Sem histórias seríamos apenas um monte de átomos sem utilidade. Teríamos vida de pouco significado: seria o nascimento, a vida e a morte sem qualquer evolução. Sem histórias perderíamos tudo o que somos interiormente.
| Martim| 10.º C1 |
Penso que somos claramente feitos de átomos. Mas isso é completamente irrelevante comparado com o que as histórias fazem de nós. Somos manipulados e influenciados de todas as maneiras possíveis por histórias. E é tão bom que assim seja. Tornamo-nos leitores compulsivos, discípulos da leitura. Para mim a leitura é algo que deve nascer connosco ou então nunca fará parte de nós. Podemos aprender a gostar, mas nunca fará parte de algo que nos é essencial. Sou e sempre fui uma apaixonada pela leitura e não há nada tão belo como a ideia de que o paraíso possa ser uma biblioteca. Não há nada tão lindo como comparar os pássaros pendurados nos fios de eletricidade com a pontuação de uma frase invisível.
Penso que somos claramente feitos de átomos. Mas isso é completamente irrelevante comparado com o que as histórias fazem de nós. Somos manipulados e influenciados de todas as maneiras possíveis por histórias. E é tão bom que assim seja. Tornamo-nos leitores compulsivos, discípulos da leitura. Para mim a leitura é algo que deve nascer connosco ou então nunca fará parte de nós. Podemos aprender a gostar, mas nunca fará parte de algo que nos é essencial. Sou e sempre fui uma apaixonada pela leitura e não há nada tão belo como a ideia de que o paraíso possa ser uma biblioteca. Não há nada tão lindo como comparar os pássaros pendurados nos fios de eletricidade com a pontuação de uma frase invisível.
| Beatriz Conceição | 10.º C1 |
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