Silêncio da noite, quando tudo é nada.
É no silêncio da noite que te soltas, é nesse silêncio que por nulos segundos tu és tu.
É nesse silêncio que tu te ouves, que te fazes sentir.
No silêncio da noite consegues sonhar, consegues pensar, sem que te seja criticado alguma coisa.
É no silêncio da noite que falas com quem te ouve mas não te vê, é nesse silêncio que essas pessoas são o teu meio mais reconfortante.
No silêncio da noite fazes as tuas maiores decisões e tens as tuas melhores ideias.
Silêncio da noite, este que me ouve.
Maria, "Silêncio da noite", 11º A1
Espaço de partilha e divulgação das atividades da Biblioteca Escolar da Escola Secundária Rainha Dona Amélia
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
O tempo longo - memória de Manuel Laranjeira
"[...] Não compensar o trabalho é aniquilar o estímulo de trabalhar. E até certo ponto, se não é justo. É pelo menos explicável, que homens, que em outro meio seriam prodigiosas fontes de riqueza e de progresso, respondam invariavelmente aos que os incitam a fazer alguma coisa: "Não vale a pena".
Ontem, passou mais um ano sobre o desaparecimento físico de um homem que conviveu com o modernismo e fez dele, com Amadeo de Sousa Cardozo, uma forma possível de modernidade num País velho e cinzento. O tempo longo é uma das suas mais importantes características, ao lado desse desfile de figuras tão nobres e vitais, que foram dispensadas de participar. De Sá de Miranda, a Bento de Jesus Caraça, de Torga a Pessoa, de Bento de Jesus Caraça a Agostinho da Silva, muitos ficaram presos na sua genialidade, dentro de um país que apenas respira, forma eufemística, para a expressão de Eça, "existe apenas".
Manuel Laranjeira, enquadra-se num movimento cultural autónomo dos homens que como Antero, Soares dos Reis, Torga, Ramalho Ortigão, Afonso Lopes Vieira ou Teixeira de Pascoaes souberam pensar as realidades sociais para melhor compreenderem o que faz as sociedades evoluírem e o que as paralisa, que movimentos as congelam e o que as transformam. Manuel Laranjeira é associado a uma ideia de pessismismo nem sempre bem enquadrada, pois o que o movia era a compreensão dos elementos que não faziam do país um lugar entre as nações desenvolvidas. Laranjeira nasceu em São Martinho de Moselos, em 1877, num lugar próximo de Santa Maria da Feira e faleceu em Espinho a 22 de Fevereiro de 1912. Portador de uma neurastenia crónica, o seu pensamento e a procura de um sentido para o país fez-lhe traçar um caminho de pessimismo, que Miguel de Unamuno viria a traduzir na sua célebre formulação de um povo suicida, no seu livro por Terras de Portugal Y de España.
Laranjeira encontraria neste pessimismo muitos dos pontos que Eça já tinha trazido à luz do dia, nomeadamente com as crónicas do Jornal de Évora, sobre uma classe política incapaz de compreender o país e a sua função e uma população analfabeta, num país que proclamava valores de um tempo e de uma civilização que não vivia. Continuamos fora dessa civilização que se pensa a si como um futuro de possibilidades, que não seja apenas obedecer a directórios não eleitos.
Laranjeira era natural de um meio modesto, mas por apoio de um tio pode estudar, tendo-se formado em Medicina. Dotado de um grande saber para o seu tempo, conciliou diferentes interesses e nos seus escritos encontramos abordados temas que vão da religião, à política, à literatura ou às artes. Laranjeira teve uma influência muito importante em Amadeo de Souza Cardoso e na sua ida para Paris para estudar desenho. Viria a publicar diferentes textos em periódicos como A Revista Nova, A Voz Pública, ou ainda, O Norte.
A doença, as ideias de uma geração sobre a decadência do país, o isolamento cultural dos intelectuais ou dos que pensavam a realidade nacional, o afastamento de Portugal dos cenários de desenvolvimento e de enfoque internacionais construiriam um pessimismo de vida que o levaria cedo, numa atitude violenta que outros também praticaram. Manuel Laranjeira é uma importante figura do pensamento oitocentista e do início do século e em muitos aspectos ele é profundamente actual.
Há neste livro e na sua obra a construção dos elementos culturais e sociais que impedem o País de ser um espaço de desenvolvimento pessoal para os seus cidadãos. O seu diagnóstico sobre a irrelevância dada ao trabalho como capital, a inteligência não colocada ao serviço da construção de ideias que suportem acções de valor para o homem no seu quotidiano, o afastamento das classes políticas pelo que é justo, pelo território, pela identidade cultural das pessoas recoloca a importância de Manuel Laranjeira no pensamento cultural do início do século. No movimento dos que ousaram pensar por si, e que veicularam um modernismo único, o de transformar o futuro, que é o presente de todos os dias.
Concurso nacional de Leitura - fase distrital (Ensino Secundário)
Obras escolhidas para a fase final do Concurso Nacional de Leitura, para os alunos do secundário.
O ano sabático de João Tordo, editado pela Dom Quixote.
Flores de Afonso editado pelas Companhia das Letras.
Concurso nacional de Leitura - fase distrital (Ensino Básico)
O concurso nacional de Leitura na sua 10ª edição, a realizar no dia 6 de abril na Biblioteca Municipal da Lourinhã escolheu para a fase distrital os livros abaixo indicados:
A alvorada dos deuses, de Filipe Faria, editado pela Presença.
A cruz vazia de Maria Teresa Maia Gonzalez, editado pela Difel e também pela Arcádia.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
No passeio das tílias
A casa onde às vezes regresso é tão distante
da que deixei pela manhã
no mundo
a água tomou o lugar de tudo
reúno baldes, estes vasos guardados
mas chove sem parar há muitos anos
Durmo no mar, durmo ao lado de meu pai
uma viagem se deu
entre as mãos e o furor
uma viagem se deu: a noite abate-se fechada
sobre o
corpo
Tivesse
ainda tempo e entregava-te
o coração. (1)
Foi há seis anos
que a Madeira amanheceu com um aluvião que levou na corrente sonhos, memórias e
quotidianos. Nas palavras e no coração as memórias de uma paisagem humana que
foi preenchida pelos nossos sonhos, mesmo agora que a tragédia nos faz duvidar
das paredes e dos aromas que aqui experimentámos. Fernando Alves, com a magia e
a sabedoria de quem olha com espanto o real que nos é dado a viver, deixa-nos
um podcast que dispensa apresentações. A ouvir como uma oração. Aqui.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
Das palavras de Vergílio (IV)
É durante a noite que o mundo cai a nossos pés, quando a perceção da vida nos aparece clara e distintamente. É na paz do silêncio que nos encontramos e encaramos a vida, aquilo que temos de enfrentar. No silêncio da noite, quando estamos sós, podemos pensar e temos a oportunidade de sentir com mais intensidade. Não existem distrações.
Existimos apenas nós e a nossa vida: as mágoas, os arrependimentos, as tristezas sem fim; o que a vida representa para nós e a oportunidade de nos guiarmos através dela.
Existem as nossas ações e os nossos sonhos.
É no silêncio da noite que ganhamos coragem e que podemos ser nós próprios, tomar as nossas decisões. É no silêncio da noite que nos apercebemos da realidade e de tudo o que perdemos. É também no silêncio da noite que compreendemos a nossa felicidade e o que a vida nos ofereceu.
Catarina, "Silêncio da noite", 11ºC1
Imagem: Copyright - Beyond-Somewhere
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