quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Das palavras de Vergílio (X)

O silêncio estala no ar branco, os pássaros calam-se na sombra das ramadas. O silêncio da noite, o momento verdadeiro, pensativo, tranquilo. A ausência de som e a presença de humanidade, de pensamento. O silêncio no qual apenas se ouve a voz da terra, do profundo interior, do espírito, da verdade, da divindade do homem. Este breve momento no qual o sujeito é completamente íntegro. Reflete, julga, interpreta-se. Procura a autenticidade e a procura de respostas. O silêncio da noite é o que nos faz ser realmente humanos, racionais e ter sentimentos.

Inês, "Silêncio da noite", 11º E2; Imagem - © : ambientwalrus

Das palavras de Vergílio (IX)


Thinking specifically over-thinking. can lead to many problems. Thinking too much can cause you to believe those who love you don't love you, believe you can't do something that is within your capability, or believe that you are not good enough. It can also, however, lead to amazing discoveries or inventions. The only way thinking is troublesome is if you it incorrectly. Do not dwell on things you can´t change and change the things you can.

Chalyn, "The touble of thinking", 11º A1
Imagem - Copyright: http://www.rgbstock.com

Das palavras de Vergílio (VIII)

Uma das principais ferramentas do ser humano é o ato de pensar. Desenvolvemos o nosso raciocínio, abrimos o nosso horizonte e não ficamos tão "fechados" no nosso pensamento e, de certa forma, o diálogo ajuda-nos a libertar e a partilharmos as nossas ideias com o mundo. Agora, quantas vezes o pensamento já foi o nosso inimigo? Virou-nos as costas quando mais precisávamos. Ficámos baralhados com o excesso de palavras que flutuam na nossa mente, e deixamos que elas tomassem conta de nós. Muitas das vezes não é necessário pensar muito, deixar apenas que a nossa fé e alma tomem o rumo da nossa vida, pode ser um dos pilares para a nossa felicidade.

Mariana, Não penses muito", 11º A1
Imagem - Copyright: Inna Blar

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Das palavras de Vergílio (VII)

A solidão é algo inexplicável, quando se sente.
É o cansaço.
É abandono.
Nada parece real.
Parece um breve momento.
Nunca acaba.
É uma sala escura. Por entre a ranhura da porta vê-se um risco de luz, como se estivéssemos presos num canto.
Como se abríssemos a boca, mas nada saísse.
Ninguém que nos ouve. Estamos sós.
É um beco sem saída, sem rumo, sem sentido.
É o desespero total, é a alma vazia. É um buraco sem fim, onde caímos na tentação de procurar a felicidade. 
Caímos, e não batemos no fundo. Caímos, caímos, mas nada parece funcionar. 
Não nos sentimos como antes, estamos sem a doce voz que nos conforta antes de dormir.
É a falta de integração.
É uma sociedade distante.
É um sorriso baço e desfocado.
São olhos penetrantes.
É uma estrada com curvas sem fim.
A consciência está num ciclo sem fim.
Nada faz sentido.
Estamos sós.

Mercês, "A solidão", 10º C2

Das palavras de Vergílio (VI)

Não penses muito num mundo onde o pensar não te ajuda, não te une,... Não penses muito num tempo onde um porquê básico completa o teu desejo, te guia... Utiliza essa capacidade, essa atitude, essa garra, para mudar o que ainda não mudaste, fazendo o que ainda não fizeste e, talvez, atingir aquilo que ainda não atingiste. Usa essa "digestão" da tua mente para resolver o que precisa de ser resolvido, para o que se apresenta como realmente importante, ultrapassando "as pequenas pedras" que te impedem de começar e te obrigam a pensar no que não precisa de ser pensado, segue o "não penses muito" e pensa só no que verdadeiramente importa, pensa por ti.

João Saúde, "Não penses muito", 10º C2
Imagem: © – m-ban. – 白の習作。

Matilde Campilho - A Escrita das palavras

Há palavras que se encontram como formas de viagem, sons de ideias à nossa espera, desejos expostos do mundo, para os reencontrarmos na nossa pele, no sorriso dessas sílabas à deriva no mundo. Essas palavras são a nossa composição de pequenos fragmentos,  a permanência de uma eternidade que deixamos em momentos informais e naquilo que descobrimos e amamos.
A escrita nasce assim da nossa experiência viva, das nossas indecisões, dos caminhos percorridos, de como a chuva nos transporta a imaginários sonhos ou como o sol nos inunda com as suas atmosferas de luz. 
Matilde Campilho tem uma escrita que nasce e desenvolve-se nesta forma de escrever como a vida nos surge, nos descreve no que sentimos e exploramos. Depois do destaque como livro da semana na Biblioteca, um vídeo sobre essa graça natural de viver entre as palavras. Uma apresentação digital sobre essa construção das palavras em nós, um retrato de uma jovem e a sua redescoberta nessas formas de expressão que exprimem espaço e desejo, uma construção habitada de paisagens vastas e belas.

Jóquei - Livro da semana

Título: Jóquei
Autor: Matilde Campilho
Edição: ..ª
Páginas: 
Editor: Tinta da China
ISBN: ...

CDU: ...
Sinopse:
Não sou de choro fácil a não ser quando descubro qualquer coisa muito interessante sobre ácido desoxirribonucleico. Ou quando acho uma carta que fale sobre a descoberta de um novo modelo para a estrutura do ácido desoxirribonucleico, uma carta que termine com “muito amor, papai”. Francis Crick achou o desenho do ADN e escreveu a seu filho só para dizer que “nossa estrutura é muito bonita”. Estrutura, foi o que ele falou. Antes de despedir-se ainda disse: ” Quando você chegar em casa vou-te mostrar o modelo”. Isso não esqueça os dois pacotes de leite, já agora passe a comprar pão, guarde o resto do dinheiro para seus caramelos, e quando você chegar eu te mostro o mecanismo copiador básico a partir do qual a vida vem da vida. 
Não sou de choro fácil mas um composto orgânico cujas moléculas contêm as instruções genéticas que coordenam o desenvolvimento e funcionamento de todos os seres vivos me comove. Cromossomas me animam, ribossomas me espantam. A divisão celular não me deixa dormir, e olha que eu moro bem no meio da montanha. De vez em quando vejo passar os aviões, mas isso nunca acontece de madrugada – a noite se guarda toda para o infinito silêncio. Algumas vezes, durante o apuramento das estrelas, penso nos santos que protegem os pilotos. Amelia Earhart disse que não casaria a não ser que fosse assinada uma tabela de condições e essas condições implicavam a possível fuga a qualquer momento.” I cannot gurantee to endure at all times the confinements of even an attractive cage”.
 Vai passarinho. Soube de uma canção cujo refrão dizia I would die for you, fiquei pensando que mais de metade das canções do mundo dizem isso mas eu nunca entendi isso. Negócio de amor e morte, credo. Lá na escola eles ensinavam que amor são sete vidas multiplicadas, então acho que amor é o contrário do fim. Sei lá, o mundo está mudando tanto. Não sou de choro fácil a não ser quando penso em determinados milagres que ainda não aconteceram. Meu time ganhou por três a dois. O maior banco norte-americano errou, e errou em muitos milhões. Ninguém chegou a falar do aniversário do Superman, e isso também conta como erro.
 Faltam seis dias para a Primavera, está tendo uma contagem comunitária na aldeia mais próxima daqui. Acho que está chegando a hora do sossego, e que muita alegria vai pintar por aí. Acho que uma palavra é muito mais bonita do que uma carabina, mas não sei se vem ao caso. Nenhuma palavra quer ferir outras palavras: nem desoxirribonucleico, nem montanha, nem canção. Todos esses conceitos têm os seus sinónimos simplificados, veja só, ácido desoxirribonucleico e ADN são exatamente a mesma coisa, e o resto das palavras você acha. É tudo uma questão de amor e prisma, por favor não abra os canhões. Quando Amelia Earhart morreu continuava casada com Putnam – suspeito que ela deve ter visto rostos incríveis nas estrelas. Que coisa mais linda esse ácido despenteado, caramba. Olhei com mais atenção o desenho da estrutura e descobri: a raça humana é toda brilho.
Matilde Campilho. “NOTÍCIAS ESCREVINHADAS NA BEIRA DA ESTRADA”. Jóquei. Tinta da China. 2015, p. 21-22.