sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Das palavras de Vergílio (XI)

Afundando-me na minha profunda tristeza e procurando aquela felicidade que nunca conheci, olhando para o céu azul e ouvindo a música do país frio, tendo esperança que um dia consiga libertar-me da minha solidão, tendo consciência que o meu desejo mais forte pode não ser razoável, olhando para o céu azul e ouvindo a música do país frio, penso que um dia aparecerá um fabuloso sorriso, bem carinhoso. Nesse dia, o meu desejo mais forte será realizado e sairei da minha profunda solidão.

Rugiatu, "A solidão", 10º C2

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Novidades na Biblioteca - Livros (II)

  
Como um Romance de Daniel Pennac, é um pequeno livro que nos traz o tema da leitura, o seu processo, a sua magia e a dificuldade em converter muitas vezes os jovens em leitores. Como um Romance é uma pérola que identifica alguns dos erros que se cometem para fazer leitores e nos conduz a casa; aos amigos e à escola. Identifica-nos os direitos inalienáveis do leitor, a fim de rotinar leitores em compreender melhor a sua individualidade enquanto tal, explicando-os. Como um Romance é sobre essa ciência quase oculta de "levantar" as palavras, o processo da leitura. O livro está organizado em quatro capítulos (I. Nascimento do Alquimista; II O Dogma da leitura; III. Dar a Ler e IV. O que leremos) e desperta-nos para a verdadeira necessidade que temos de que as escolas sejam locais onde se aprenda a ler e onde se ame a leitura. O gosto pela palavra descoberta é em muitos casos mais importante do que a verificação formal de um texto como trabalho de investigação/interpretação?

A intimidade perdida...
Neste princípio de insónia, repenso o ritual da leitura, todas as noites, à cabeceira da cama, quando ele era pequeno, a horas fixas e com gestos imutáveis: era de certo modo como uma oração. O súbito armistício depois da balbúrdia do dia, os reencontros livres de todas as contigências, o momento de silêncio concentrado antes das primeiras palavras da história, a nossa voz que finalmente soa como de facto é, a liturgia dos episódios... Sim, a história lida todas as noites constituía a mais bela função da oração, a mais desinteressada, menos especulativa, a que dizia respeito apenas aos homens: o perdão das ofensas. Não se confessava nenhuma falta, não havia qualquer preocupação em receber uma porção de eternidade, era um momento de comunhão entre nós, a absolvição do texto, um regresso ao único paraíso que tem valor: a intimidade. Sem que o soubéssemos, descobriríamos uma das funções essenciais do conto, e mais generalizadamente da arte em geral, que é impor uma trégua no combate entre os homens.
O amor ganhava um rosto novo.
Era gratuito.

A Casa de Papel de Carlos Maria Domínguez, é outro pequeno livro sobre os livros e a leitura. A Casa de Papel fala sobre esse universo de pessoas que habitam nos livros, cujas vidas se cruzam com livros e que estão marcadas pela paixão misteriosa e inexplicável da leitura. Os livros podem influenciar-nos na nossa própria vida, no real que habitamos. Livro de dimensões reduzidas acaba por ser uma metáfora sobre a leitura e aquilo que um livro nos pode dar, nos espaços de silêncio. Livro que nos interroga sobre fronteiras, a loucura e a normalidade e que nos diz que uma Biblioteca, a nossa Biblioteca é um conjunto de realidades emocionais, muito maior que o somatório de um conjunto de livros.

No Meu Peito Não Cabem Pássaros oferece-nos a leitura de vidas afastadas no espaço e congregadas pelo tempo que vivem. Partindo de um episódio real, a passagem de dois cometas pela Terra, Nuno Camarneiro dá-nos uma visão da vida vivida por três destacadas e muito importantes figuras da Literatura, Fernando Pessoa, Jorge Luís Borges e Franz Kafka. Três figuras, entre as suas cidades na visão de superar o quotidiano e construir a imortalidade de um caminho feito dos sonhos que nos transbordam. A vida, a memória, as palavras, a morte e o esquecimento, entre os caminhos que percorremos, com o sol a nascer em nós. A infância, o consolo das histórias vividas e inventadas entre os que no tempo forjaram o azul de um aconchego e nos deram a visão de um caminho. No Meu Peito Não Cabem Pássaros é um grande livro, uma sabedoria de palavras, momentos intermitentes que nos trazem a linha dos olhos que procuramos para recuperar a beleza, o encontro com a respiração do amor que nos faça ser um ponto brilhante nos dias esquecidos. A beleza e o sorriso entre as cicatrizes que nos caracterizam, que nos rasgaram o espírito e o corpo até chegar a um encontro, ao perfume solar capaz de nos fazer render um novo salto, a dos pássaros que em nós voam.

O mundo é um vazio desmedido que não queremos nem podemos aceitar, os homens também, as cidades, os países, os planetas também. Não há palavras que encham tanto vazio. Os livros que deixamos são obras de filigrana, fios ténues do sentido com que delimitamos o volume do que não entendemos.

Novidades na Biblioteca - Filmes (II)

   
Out of Africa, na tradução portuguesa África Minha, é um filme de 1985, com realização de Sidney Pollack, que obteve sete Óscares: Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Argumento, Melhor Fotografia, Melhor Banda Sonora Original, Melhor Direção Artística e Melhor Som. Com a participação, nos papéis centrais, de Meryl Streep, Robert Redford e Klaus Maria Brandauer, relata a história de uma mulher de grande coragem, no coração de África. Narrativa de um recomeço de vida, na gestão de uma plantação de café do Quénia, de Karen Blixen e do barão Bror Blixen. Narrativa da colonização europeia de África, conta o imenso romantismo que atraiu pessoas a outra forma de vida. Narrativa de grande beleza, da força de uma mulher, das suas mágoas, das suas memórias e de um amor perdido. África Minha é um dos mais belos filmes sobre África.

Dead Poet Society, na tradução portuguesa O Clube dos Poetas Mortos, é um filme de 1989, realizado por Peter Weir e com a participação muito especial de Robin Williams, no papel do professor John Keating. Este personagem é acompanhado por um grupo de alunos, onde podemos destacar Robert Sean Leonard, Ethan Hawke e Josh Charles nos papéis de Neil Perry, Todd Andersen e Knox Overstreet respetivamente. O Clube dos Poetas Mortos é uma narrativa sobre o valor da escola e das escolhas pessoais de cada um e como elas podem influenciar uma vida com significado. A liberdade de pensamento e de expressão, o valor da poesia para reclamar a essência humana, o amor e a beleza, tudo faz deste filme um objeto grandioso. O clube dos Poetas Mortos é um grito pelo tempo em que estamos vivos, pela nossa capacidade de acrescentar na vida com os outros um sentido com significado. Um filme para qualquer geração compreender o seu papel e as possibilidades do seu legado nos dias e na vida.

Patch Adams é mais um filme com uma representação notável de Robin Williams. realizado em 1998, realizado por Tom Shadyac, relata-nos a história de vida de Patch Adams, o homem que descobriu num sanatório que queria ser médico para ajudar os outros. Filme de grande sensibilidade sobre o amor, sobre a sua influência no modo como a doença e o cuidado aos outros pode ser determinado por atitudes mais humanas. Num papel que nos leva do choro ao riso, à ternura íntima por quem se despede da vida, o filme lembra uma figura que daria mais tarde corpo a um Instituto e a um movimento que nos Estados Unidos incentivaria a importância do sorriso para criar nos doentes uma força anímica suplementar para superar as suas doenças. O nariz vermelho, ou "os doutores palhaços" que mais recentemente chegaram à Europa, conduz esta ideia de promoção de um bem-estar anímico para superação de dificuldades físicas de grande dificuldade.
Com O Clube dos Poetas Mortos e Patch Adams Robin Williams deixou-nos dois papéis em que quase se confundiu com personagens que vivem a vida com um sentido de beleza que certamente inspiraram milhões. Um filme de grande valor pedagógico e disponível nas novas aquisições da Biblioteca. 

Das palavras de Vergílio (X)

O silêncio estala no ar branco, os pássaros calam-se na sombra das ramadas. O silêncio da noite, o momento verdadeiro, pensativo, tranquilo. A ausência de som e a presença de humanidade, de pensamento. O silêncio no qual apenas se ouve a voz da terra, do profundo interior, do espírito, da verdade, da divindade do homem. Este breve momento no qual o sujeito é completamente íntegro. Reflete, julga, interpreta-se. Procura a autenticidade e a procura de respostas. O silêncio da noite é o que nos faz ser realmente humanos, racionais e ter sentimentos.

Inês, "Silêncio da noite", 11º E2; Imagem - © : ambientwalrus

Das palavras de Vergílio (IX)


Thinking specifically over-thinking. can lead to many problems. Thinking too much can cause you to believe those who love you don't love you, believe you can't do something that is within your capability, or believe that you are not good enough. It can also, however, lead to amazing discoveries or inventions. The only way thinking is troublesome is if you it incorrectly. Do not dwell on things you can´t change and change the things you can.

Chalyn, "The touble of thinking", 11º A1
Imagem - Copyright: http://www.rgbstock.com

Das palavras de Vergílio (VIII)

Uma das principais ferramentas do ser humano é o ato de pensar. Desenvolvemos o nosso raciocínio, abrimos o nosso horizonte e não ficamos tão "fechados" no nosso pensamento e, de certa forma, o diálogo ajuda-nos a libertar e a partilharmos as nossas ideias com o mundo. Agora, quantas vezes o pensamento já foi o nosso inimigo? Virou-nos as costas quando mais precisávamos. Ficámos baralhados com o excesso de palavras que flutuam na nossa mente, e deixamos que elas tomassem conta de nós. Muitas das vezes não é necessário pensar muito, deixar apenas que a nossa fé e alma tomem o rumo da nossa vida, pode ser um dos pilares para a nossa felicidade.

Mariana, Não penses muito", 11º A1
Imagem - Copyright: Inna Blar

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Das palavras de Vergílio (VII)

A solidão é algo inexplicável, quando se sente.
É o cansaço.
É abandono.
Nada parece real.
Parece um breve momento.
Nunca acaba.
É uma sala escura. Por entre a ranhura da porta vê-se um risco de luz, como se estivéssemos presos num canto.
Como se abríssemos a boca, mas nada saísse.
Ninguém que nos ouve. Estamos sós.
É um beco sem saída, sem rumo, sem sentido.
É o desespero total, é a alma vazia. É um buraco sem fim, onde caímos na tentação de procurar a felicidade. 
Caímos, e não batemos no fundo. Caímos, caímos, mas nada parece funcionar. 
Não nos sentimos como antes, estamos sem a doce voz que nos conforta antes de dormir.
É a falta de integração.
É uma sociedade distante.
É um sorriso baço e desfocado.
São olhos penetrantes.
É uma estrada com curvas sem fim.
A consciência está num ciclo sem fim.
Nada faz sentido.
Estamos sós.

Mercês, "A solidão", 10º C2