sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Novidades na Biblioteca - Livros (III)

  
Em As velas ardem até ao fim, Sándor Márai dá-nos uma obra-prima, que entre a delicadeza dos gestos criados, usa uma linguagem que emerge para nos revelar a solidão do homem no tempo, os mecanismos supérfulos do poder, os laços que tentamos construir contra os estranhos que em nós moram. É uma narrativa fluida de sabedoria, de desconstrução dos tons obscuros em que as paixões humanas dissolvem as mais belas promessas de beleza e harmonia. 
É a história de uma amizade, de uma paixão e a descrição de um mundo, do seu ocaso, das suas figuras e de um real com os objectos que permitem a ordem no fim de um tempo. É ainda o testemunho de uma construção aristocrática, onde o silêncio e a ordem guardavam  os limites de um mundo construído de compromissos mútuos, dos que outorgam poder e dominação, pelo que conhecemos ou o que não sabemos decifrar. 
É no fim, um livro sobre a amizade, essa superior forma de criar laços, sem o desconcerto do amor e das suas manifestações menos harmoniosas. E nesses laços, como separamos a respiração que não nos envolve, o gesto que atraiçoa o que sempre amamos? Pode a solidão e o silêncio das pedras, o abraço da cidade e os olhos da multidão, entre os sorrisos que nos são devolvidos, voltar a reconstruir o momento inicial? 

E se não fôssemos amigos, tu não terias regressado quarenta e um anos depois, outra vez como assassino e malfeitor que volta furtivamente ao local do crime. Porque tinhas de regressar, como vês. E agora tenho de te dizer algo de que me dei conta só pouco a pouco, não acreditava nisso, negava diante de mim mesmo, tenho de te confessar essa surpresa e revelação terrível: tu e eu ainda continuamos a ser amigos. Parece que nenhuma força exterior pode mudar as relações humanas. Tu mataste algo em mim, destruíste a minha vida e eu continuo a ser teu amigo. (...) A amizade é uma lei humana rigorosa. Na antiguidade era a lei do mais forte, nela se baseavam os sistemas jurídicos das grandes civilizações. Para além das paixões e do egoísmo vivia essa lei, a lei da amizade, nos corações humanos.

Lusco-fusco é um livro de Cristina Carvalho que se integra no campo da literatura juvenil. É um livro sobre os elementos que encontramos na Natureza e o modo como os reconhecemos, como os "vemos", como somos capazes de os encontrar e que qualidades precisamos evidenciar. Os elementos naturais são no fundo o conjunto dos espíritos da Natureza. São personagens etéreas, misteriosas, por vezes possuidoras de algum perigo. São os gnomos, as fadas, as salamandras e outros seres que vivem ou nas profundidades da Terra, ou no fundo do mar. São os fenómenos que abalam o  mundo, os terramotos, os furacões, os vulcões. É o reino dos quatro elementos.

Esta história não se pode chamar história.
É uma descrição de pessoas e seres, de lugares e de situações que não existem, nunca existiram.
Quero, apenas, entreter-vos numa qualquer altura da vossa vida. Fazer com que as sombras e os desenhos que nos aparecem por detrás das pálpebras ganhem um significado; fazer com que aquelas manchas de luz, normalmente duma intensa cor branca, aproximando-se, afastando-se e desfazendo-se, sempre por detrás das nossas pálpebras quando fechamos os olhos num belo dia de sol, adquiram algum significado.
Nada mais.
Nada do que aqui se conta aconteceu.
As descrições mais ou menos humanas e antropomórficas das personagens pertencem a um imaginário coletivo que se perde no tempo e as entidades a que me refiro sempre foram vistas e apreciadas do mesmo modo: as fadas como sendo criaturinhas minúsculas e ariscas providas de asas; as sereias às metades, tronco de mulher e, da cintura para baixo, um rabo de peixe; os gnomos, pequeníssimos seres semelhantes a homens e a mulheres mas com orelhas pontiagudas, e por fim as salamandras, as misteriosas salamandras de quem nunca ninguém se atreveu a fazer grandes descrições.
Todos nós conhecemos desde que nascemos, pois as suas histórias têm vindo a ser contadas por tempos e tempos infinitamente antigos. Todos nós sabemos dos Quatro elementos. E também todos nós sabemos dos Quatro Reinos.


Manuscrito revisto pelo seu autor em apenas algumas das suas páginas, Eça de Queirós deu-nos em A cidade e as serras, um livro marcante da literatura contemporânea. Ele revela-nos a universalidade de Eça e desmistifica algumas das ideias feitas sobre o autor de Os Maias. Formado em Direito, integrando uma carreira diplomática por diferentes países, compreendeu de uma forma profunda o que era substancialmente Portugal. Soube compreender a ondulação que fazia a onda maior, dando-nos páginas de análise dos costumes, dos hábitos e das instituições e de como estas formavam um País adiado de si próprio. Em As cidades e as serras, Eça dá-nos descrições naturalistas de grande significado, revelando-nos ter sido mais do que um crítico de costumes. Aqui revemos uma terra, uma cultura e uma memória em diálogo consigo própria.

A cidade e as serras propõe-nos um diálogo puramente actual que é o do Homem, o sentido que a sua vida poderá ter. Diálogo entre uma sociedade urbana, feita de conforto, onde a civilização se assume como um repositório de inovações técnicas e uma sociedade em comunhão com a Natureza. Diálogo entre a cidade, domínio de uma grandeza técnica, mas afastada do coração do Homem, da sua harmonia, pois é nela que a liberdade moral se perde e um campo que sublima os sentimentos humanos de uma forma genuína. Era na cidade, que Jacinto no seu palácio de conforto e civilização vivia um mundo que o aborrecia. A cidade parece pois incapaz de conceber a felicidade humana - entre a dependência das modas, a pobreza dos rendimentos do trabalho e os rituais esquecidos. A cidade produtora de uma imensa indiferença, a maçada da vida. Com o campo Jacinto e nós descobrimos a natureza, a serra, uma das suas formas sublimes e nela um outro sentido para a vida - a comunhão com o Universo. A unicidade do Universo em formas múltiplas, leva-nos a compreender o homem, os animais, as plantas e os minerais.

É pois na Natureza que se descobre a diferença, o movimento animado de uma vontade que se expressa em formas de uma beleza rara. A que é feita de contemplação e de um silêncio que absorve a luz leve entre as folhas, onde nenhum pensamento outorga uma imanente felicidade. A cidade e as serras acaba por ser um manifesto naturalista, desenhando com um século de antecedência "o mal" da cidade encerrada em si e nas ligações à exploração individual. Eça dá-nos já o que será a desumanização das relações sociais que na cidade se evidenciam. É assim um livro de uma grande beleza, pelas suas descrições do Douro, das relações sociais no Portugal de oitocentos, do enquadramento temporal e pela oferta de uma possibilidade, que a cada dia mais carecemos. A Natureza como forma e expressão de satisfação e de encontro, com o mais importante - a beleza. É nela que desenhamos com harmonia a nossa respiração e a graça que nos envolve. É na Natureza que descobrimos o melhor de nós, as janelas que fazem nascer o sol com todas as possibilidades.

E nada mais instrutivo e doloroso do que este supremo homem do século XIX, no meio de todos os aparelhos reforçadores dos seus órgãos, e de todos os fios que disciplinavam ao seu serviço as Forças Universais, e dos seus trinta mil volumes repletos do saber dos séculos - estacando, com as mãos derrotadas no fundo das algibeiras, e exprimindo, na face e na indecisão mole de um bocejo, o embaraço de viver! (...)
Em fila começámos a subir a serra. A tarde adoçava o seu esplendor de estio. Uma aragem trazia, como ofertados, perfumes das flores silvestres. As ramagens moviam, com um aceno de doce acolhimento, as suas folhas vivas e reluzentes. Toda a passarinhada cantava, num alvoroço de alegria e de louvor. As águas correntes, saltantes, luzidias, despediam um brilho mais vivo, numa pressa mais animada. Vidraças distantes de casas amáveis flamejavam com um fulgor de ouro. A serra toda se ofertava, na sua beleza eterna e verdadeira.

Novidades na Biblioteca - Filmes (III)

  
Meia- Noite em Paris é um filme de 2011 de Woody Allen, que nos conduz à cidade de Paris. Nela observamos a narrativa de um casal americano à procura dos encantos da cidade luz. No seu percurso por Paris, Gil Pender, um roteirista de Hollywwod, faz uma viagem no tempo à descoberta dos escritores que se inspiraram nessa cidade. Redescobre os anos 20, contactando figuras como Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway, Picasso ou Luís Buñuel. Filme sobre a arte, sobre a procura da beleza em aspetos do quotidiano e de uma simplicidade que nos traga um sentido substantivo da vida. Meia- Noite em Paris é  a busca de algo que sempre falta na vida de cada um, uma certa ilusão sobre a vida dos outros e aquilo que sentimos falta. É um filme que faz sobre Paris o que Manhattan fez sobre Nova Iorque, uma declaração de amor por uma cidade enigmática. 

Crimes e Escapadelas, é um filme de 1989 realizado igualmente por Woody Allen, que se enquadra na lista dos seus filmes que procuram fazer uma leitura filosófica da vida. Em Crimes e Escapadelas narra a vida de um homem de grande sucesso pessoal e social, um reputado oftalmologista, pilar de uma comunidade judaica, que se envolve numa relação extraconjugal e que pelos problemas criados aceita uma solução radical proposta pelo seu irmão, a morte da amante. Paralelamente uma outra narrativa é-nos oferecida, a de Cliff Stern, desempenhado pelo próprio Woddy Allen, um produtor de documentários e que procura manter a sua integridade intelectual. Filme de algum pessimismo, onde Woody Allen nos coloca questões importantes. A de saber se há moralidade num  mundo sem Deus? Se existe algo que nos obriga a observar a Lei, se há alguma forma de impedirmos uma vida amoral, onde a sorte responde por si só ao que vai acontecendo? As duas figuras encontram-se no final e esse encontro é uma visão sobre a própria vida. Sob a influência de Ingmar Bergman e de algumas imagens de "Morangos Silvestres" de 1957, Woody Allen faz com Crimes e Escapadelas um dos seus grandes filmes, uma narrativa sobre o crime sem castigo, tema que abordará mais tarde nos filmes Match Point ou Cassandra.O filme foi apreciado pela crítica e pelo público, tendo recebido três nomeações para os Óscares.

Selma é um filme de 2014 realizado por Ava Duverney e que retrata o papel de Martin Luther King na luta pelos direitos civis na América, nomeadamente em 1965. Trata-se da marcha no Alabama entre Selma e a capital do estado, Montgomery e representa um dos momentos altos da cidadania americana e da História Contemporânea. Selma é a representação cinematográfica de uma marcha que envolveu milhares de pessoas, na luta pela igualdade de direitos, por parte da comunidade negra. A marcha foi essencial para a aprovação da Lei dos Direitos ao Voto pelo presidente Lyndon B. Johnson e uma conquista incrível para os indivíduos de raça negra. É um filme que mostra esse momento único de construção do sufrágio universal, na América congregando pessoas num direito que superava educação, condição social ou a própria raça. Selma é um filme que nos oferece um documentário para um momento essencial da História Contemporânea. O filme recebeu duas nomeações para dois Óscares.

Das palavras de Vergílio (XIII)

Viver é tão relativo como o belo. Não posso estar viva se não tenho razões para viver, apenas sobrevivo. Estar vivo é difícil, viver é difícil. A maioria das pessoas apenas sobrevive neste mundo. Ficam presas à rotina e não contemplam o que a Terra tem de melhor. Um ator, de que eu gosto muito, ensinou-me que devemos aproveitar a vida ao máximo, "sugar o tutano da vida", aproveitar o dia como se fosse o último - "Carpe diem".Eu  estou vivam eu vivo cada dia como se fosse o "úktimo dia bom". O sentido da vida é encontrar a razão para a viver.

Marta, "Estar vivo", 10º C2

Das palavras de Vergílio (XII)

Todos nós pensamos. Todos os dias pensamos sobre as coisas que nos rodeiam. A dúvida consiste naquilo em que pensamos. Na forma como interpretamos o nosso pensamento e o pensamento dos outros. Mas será que o pensamento nos leva a uma conclusão direta? Por vezes não. Por vezes o pensamento leva-nos a não encontrar uma conclusão, leva-nos a um mistério, a uma indeterminação.

Inês, "Pensar o quê?", 11º C2
Imagem: Copyright - Azuto

Das palavras de Vergílio (XI)

Afundando-me na minha profunda tristeza e procurando aquela felicidade que nunca conheci, olhando para o céu azul e ouvindo a música do país frio, tendo esperança que um dia consiga libertar-me da minha solidão, tendo consciência que o meu desejo mais forte pode não ser razoável, olhando para o céu azul e ouvindo a música do país frio, penso que um dia aparecerá um fabuloso sorriso, bem carinhoso. Nesse dia, o meu desejo mais forte será realizado e sairei da minha profunda solidão.

Rugiatu, "A solidão", 10º C2

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Novidades na Biblioteca - Livros (II)

  
Como um Romance de Daniel Pennac, é um pequeno livro que nos traz o tema da leitura, o seu processo, a sua magia e a dificuldade em converter muitas vezes os jovens em leitores. Como um Romance é uma pérola que identifica alguns dos erros que se cometem para fazer leitores e nos conduz a casa; aos amigos e à escola. Identifica-nos os direitos inalienáveis do leitor, a fim de rotinar leitores em compreender melhor a sua individualidade enquanto tal, explicando-os. Como um Romance é sobre essa ciência quase oculta de "levantar" as palavras, o processo da leitura. O livro está organizado em quatro capítulos (I. Nascimento do Alquimista; II O Dogma da leitura; III. Dar a Ler e IV. O que leremos) e desperta-nos para a verdadeira necessidade que temos de que as escolas sejam locais onde se aprenda a ler e onde se ame a leitura. O gosto pela palavra descoberta é em muitos casos mais importante do que a verificação formal de um texto como trabalho de investigação/interpretação?

A intimidade perdida...
Neste princípio de insónia, repenso o ritual da leitura, todas as noites, à cabeceira da cama, quando ele era pequeno, a horas fixas e com gestos imutáveis: era de certo modo como uma oração. O súbito armistício depois da balbúrdia do dia, os reencontros livres de todas as contigências, o momento de silêncio concentrado antes das primeiras palavras da história, a nossa voz que finalmente soa como de facto é, a liturgia dos episódios... Sim, a história lida todas as noites constituía a mais bela função da oração, a mais desinteressada, menos especulativa, a que dizia respeito apenas aos homens: o perdão das ofensas. Não se confessava nenhuma falta, não havia qualquer preocupação em receber uma porção de eternidade, era um momento de comunhão entre nós, a absolvição do texto, um regresso ao único paraíso que tem valor: a intimidade. Sem que o soubéssemos, descobriríamos uma das funções essenciais do conto, e mais generalizadamente da arte em geral, que é impor uma trégua no combate entre os homens.
O amor ganhava um rosto novo.
Era gratuito.

A Casa de Papel de Carlos Maria Domínguez, é outro pequeno livro sobre os livros e a leitura. A Casa de Papel fala sobre esse universo de pessoas que habitam nos livros, cujas vidas se cruzam com livros e que estão marcadas pela paixão misteriosa e inexplicável da leitura. Os livros podem influenciar-nos na nossa própria vida, no real que habitamos. Livro de dimensões reduzidas acaba por ser uma metáfora sobre a leitura e aquilo que um livro nos pode dar, nos espaços de silêncio. Livro que nos interroga sobre fronteiras, a loucura e a normalidade e que nos diz que uma Biblioteca, a nossa Biblioteca é um conjunto de realidades emocionais, muito maior que o somatório de um conjunto de livros.

No Meu Peito Não Cabem Pássaros oferece-nos a leitura de vidas afastadas no espaço e congregadas pelo tempo que vivem. Partindo de um episódio real, a passagem de dois cometas pela Terra, Nuno Camarneiro dá-nos uma visão da vida vivida por três destacadas e muito importantes figuras da Literatura, Fernando Pessoa, Jorge Luís Borges e Franz Kafka. Três figuras, entre as suas cidades na visão de superar o quotidiano e construir a imortalidade de um caminho feito dos sonhos que nos transbordam. A vida, a memória, as palavras, a morte e o esquecimento, entre os caminhos que percorremos, com o sol a nascer em nós. A infância, o consolo das histórias vividas e inventadas entre os que no tempo forjaram o azul de um aconchego e nos deram a visão de um caminho. No Meu Peito Não Cabem Pássaros é um grande livro, uma sabedoria de palavras, momentos intermitentes que nos trazem a linha dos olhos que procuramos para recuperar a beleza, o encontro com a respiração do amor que nos faça ser um ponto brilhante nos dias esquecidos. A beleza e o sorriso entre as cicatrizes que nos caracterizam, que nos rasgaram o espírito e o corpo até chegar a um encontro, ao perfume solar capaz de nos fazer render um novo salto, a dos pássaros que em nós voam.

O mundo é um vazio desmedido que não queremos nem podemos aceitar, os homens também, as cidades, os países, os planetas também. Não há palavras que encham tanto vazio. Os livros que deixamos são obras de filigrana, fios ténues do sentido com que delimitamos o volume do que não entendemos.

Novidades na Biblioteca - Filmes (II)

   
Out of Africa, na tradução portuguesa África Minha, é um filme de 1985, com realização de Sidney Pollack, que obteve sete Óscares: Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Argumento, Melhor Fotografia, Melhor Banda Sonora Original, Melhor Direção Artística e Melhor Som. Com a participação, nos papéis centrais, de Meryl Streep, Robert Redford e Klaus Maria Brandauer, relata a história de uma mulher de grande coragem, no coração de África. Narrativa de um recomeço de vida, na gestão de uma plantação de café do Quénia, de Karen Blixen e do barão Bror Blixen. Narrativa da colonização europeia de África, conta o imenso romantismo que atraiu pessoas a outra forma de vida. Narrativa de grande beleza, da força de uma mulher, das suas mágoas, das suas memórias e de um amor perdido. África Minha é um dos mais belos filmes sobre África.

Dead Poet Society, na tradução portuguesa O Clube dos Poetas Mortos, é um filme de 1989, realizado por Peter Weir e com a participação muito especial de Robin Williams, no papel do professor John Keating. Este personagem é acompanhado por um grupo de alunos, onde podemos destacar Robert Sean Leonard, Ethan Hawke e Josh Charles nos papéis de Neil Perry, Todd Andersen e Knox Overstreet respetivamente. O Clube dos Poetas Mortos é uma narrativa sobre o valor da escola e das escolhas pessoais de cada um e como elas podem influenciar uma vida com significado. A liberdade de pensamento e de expressão, o valor da poesia para reclamar a essência humana, o amor e a beleza, tudo faz deste filme um objeto grandioso. O clube dos Poetas Mortos é um grito pelo tempo em que estamos vivos, pela nossa capacidade de acrescentar na vida com os outros um sentido com significado. Um filme para qualquer geração compreender o seu papel e as possibilidades do seu legado nos dias e na vida.

Patch Adams é mais um filme com uma representação notável de Robin Williams. realizado em 1998, realizado por Tom Shadyac, relata-nos a história de vida de Patch Adams, o homem que descobriu num sanatório que queria ser médico para ajudar os outros. Filme de grande sensibilidade sobre o amor, sobre a sua influência no modo como a doença e o cuidado aos outros pode ser determinado por atitudes mais humanas. Num papel que nos leva do choro ao riso, à ternura íntima por quem se despede da vida, o filme lembra uma figura que daria mais tarde corpo a um Instituto e a um movimento que nos Estados Unidos incentivaria a importância do sorriso para criar nos doentes uma força anímica suplementar para superar as suas doenças. O nariz vermelho, ou "os doutores palhaços" que mais recentemente chegaram à Europa, conduz esta ideia de promoção de um bem-estar anímico para superação de dificuldades físicas de grande dificuldade.
Com O Clube dos Poetas Mortos e Patch Adams Robin Williams deixou-nos dois papéis em que quase se confundiu com personagens que vivem a vida com um sentido de beleza que certamente inspiraram milhões. Um filme de grande valor pedagógico e disponível nas novas aquisições da Biblioteca.