Espaço de partilha e divulgação das atividades da Biblioteca Escolar da Escola Secundária Rainha Dona Amélia
segunda-feira, 14 de março de 2016
terça-feira, 8 de março de 2016
Dia Internacional da mulher
«Diz homem, diz criança, diz estrela./Repete as sílabas/onde a luz é feliz e se demora.
Volta a dizer: homem, mulher, criança./Onde a beleza é mais nova». (Eugénio)
Hoje a forma contemporânea deste dia é a sensiblização para o papel da mulher na sociedade, o seu valor, a sua dignidade como pessoa evitando preconceitos. Na História social e das mentalidades, a Mulher apareceu sempre como um fenómeno em que individualmente pela sua coragem, inteligência e saber soube lutar por uma humanidade melhor. Nesse sentido o Dia da Mulher deveria ser, deve ser antes de mais, a confirmação, não por uma igualdade entre sexos, mas antes entre pessoas.
Neste sentido mais do que tolerância, que sempre sugere uma aprovação forçada, o que deveria importar é o respeito mútuo. O que mais importa é construir vectores de diálogo construído sobre os valores vividos. Mesmo hoje, sabemos como esta convivência é em diferentes geografias e cartografias do ser uma miragem. Os exemplos são imensos. Basta escolher.
Continuamos com uma humanidade incompleta,
atenta às necessidades básicas, mas sem chegar ao que alguém chamou o Homem
completo. Isto é à ideia de consciência e liberdade que deveria estar acima da
própria vida. Num dia destes, além do voto de felicitações a todas as mulheres,
importa destacar as que na Arte, na Literatura, no Cinema, nas Ciências têm
contribuído para a universalidade da Humanidade.
«A mulher está a adaptar-se a um mundo diferente, mas ainda não está estabilizada. Quando tem êxito tende a parecer-se com o homem. Agora tem outra maneira de se manifestar e criar as condições para exercer esse poder, mas está disposta a sacrificar outros atributos que tinha. Como a doçura, que vai perdendo. A ternura autêntica está a desaparecer. (...)
A escrita é para divulgar, não aquilo que é autêntico e profundo, mas aquilo que fica por uma certa superfície. A escrita é sempre superficial em relação à verdade profunda de cada um. Quando falamos em comunicação, devemos pôr isso na ordem das leviandades humanas e não na dos encontros profundos. Os encontros profundos são profundamente perigosos. Ainda acho que é possível mudar o mundo e acredito naquelas pessoas que querem mudar o mundo através de coisas que se consideram impossíveis. (...)
Valorizo aquilo que aprendi e era essencial na vida humana, como a relação com tudo o que nos cerca. Tudo o que nós aprendemos e de que nos servimos tem de fazer parte ao mesmo tempo daquilo que nos rodeia, porque senão já não é cultura, é pedantismo. (...) Verdadeiramente, não recebemos nada dos outros e muito dificilmente ensinamos. Quando muito divertimos, distraímos, acompanhamos. Nunca sabemos tanto como a vida nos pode ensinar.» (1)
(1) Agustina Bessa Luís, «O que a vida me ensinou»
segunda-feira, 7 de março de 2016
Os sonhos de Einstein - Livro da semana
Título: Os sonhos de Einstein
Autor: Alan Lightman
Edição: 3ª
Páginas: 108
Editor: Edições Asa
ISBN: 978-972-41-1380-9
CDU: 821.111(73)-31
Autor: Alan Lightman
Edição: 3ª
Páginas: 108
Editor: Edições Asa
ISBN: 978-972-41-1380-9
CDU: 821.111(73)-31
Sinopse: Cidade de Berna. Corre a Primavera e aproxima-se o início do Verão. 1905. Albert Einstein. À sombra dos Alpes um jovem funcionário do Escritório Suiço de Patentes pensa no tempo e como ele afeta o espaço. E tem sonhos. Diferentes, contraditórios. Sonhos de num só dia contemplam o nascimento, a vida e a morte. Sonhos do tempo em que não existe futuro. Sonhos em que os habitantes do espaço se ligam de modo imprevisível construindo atos sem consequências. Os sonhos de Einstein é um livro maravilhoso sobre uma figura fascinante. Um livro que pensa a lógica com que vemos o tempo integrando a poesia dos momentos, sempre à procura de uma contemplação da existência que é no fundo a vida de todo o ser humano.
É impossível passear numa avenida, estar parado na rua a conversar com um amigo, entrar num edifício, ou espreitar por baixo dos arcos de arenito de uma velha arcada, sem dar de cara com uma máquina do tempo. O tempo é visível por toda a parte. Torres de relógio, relógio de pulso, sinos de igrejas, todos eles dividem os anos em meses, os meses em dias, os dias em horas, as horas em segundos, sucedendo-se, uns aos outros, todos estes fragmentos de tempo em cadência perfeita. E, para lá, de todos os relógios, a grande plataforma do tempo estende-se a todo o universo, impondo a todos por igual as leis da temporalidade. Neste mundo, um segundo é um segundo - é um segundo. O tempo avança com regularidade irreprimível, exactamente à mesma velocidade em toso os pontos do espaço. O tempo é o governante infinito. O tempo é absoluto. (...)
Os que são religiosos vêem no tempo uma prova da existência de Deus. é que nada pode ser criado com perfeição sem um Criador. Nada pode ser universal sem ser divino. Todos os absolutos fazem parte do Absoluto total. E onde houver absolutos existe o tempo. Assim sendo, os filósofos da ética colocaram o tempo no centro da sua crença. O tempo é a referência usada para julgar todas as ações. O tempo é a luz que permite destrinçar o bem do mal. (..)
Imaginem um mundo em que as pessoas não vivem mais de um dia. das duas, uma: ou o ritmo das pulsações e da respiração é acelerado de modo a permitir que uma vida inteira seja comprimida até caber no espaço de uma volta completa da terra em torno do seu eixo, ou a rotação da terra é reduzida a uma velocidade tão baixa que uma volta completa corresponda à totalidade de uma vida humana. Qualquer das hipóteses é válida. Em qualquer dos casos, um homem ou uma mulher assistem apenas a uma nascer e a um pôr do sol.
Neste mundo, ninguém vive o tempo suficiente para assistir à mudança de estações. Uma pessoa nascida em dezembro num qualquer país europeu nunca verá desabrochar os jacintos, os lírios, os ásteres, os cíclames e os edelvais, nunca verá as folhas do plátano tornarem-se vermelhas e douradas, nunca ouvirá os grilos ou os pássaros. Uma pessoa nascida em dezembro vive uma vida de frio. Do mesmo modo, uma pessoa nascida em julho nunca sentirá um floco de neve cair-lhe no rosto, nunca verá a superfície vidrada de um lago gelado, nunca ouvirá o ranger das botas a trilhar a neve. Uma pessoa nascida em julho vive uma vida de calor. A alternância das estações é coisa que se aprende nos livros.
Alan Lightman. (1996). Os sonhos de Einstein. Lisboa: Edições Asa, págs. 25, 26 e 67.
quinta-feira, 3 de março de 2016
Das palavras de Vergílio (XXIII)
Aquele que nunca se tenha debatido com o pensar não consegue reconhecer a verdadeira liberdade da mente, bem como a sua força. É isto que torna o simples pensamento, o mais pequeno dos olhares, o mais leve toque, o mais baixo dos sons, no maior dos dilemas presentes na mente. É nestes pequenos momentos que aparecem incertezas e cabe-nos a nós decifrá-los ou de os deixar com dúvidas.
João Récio, "Pensar o quê?", 11º C2; Imagem: Copyright - Heidi Berger
Das palavras de Vergílio (XXII)
Descartes afirmava que o pensamento está na essência do Homem e Vergílio dizia, " - não penses muito". Parecem duas ideias contraditórias, duvidosas, sombrias. Até um pouco parvas. Acho que o que Vergílio nos quis dizer foi fazer um apelo sentido e profundo. Um apelo à sensibilidade, ao essencial, a algo instintivo, não premeditado, a fazer o bem, num sentido natural, do modo como respiramos, como seja um dos nossos sentidos.
Não penso!
Não penso, sinto.
Não penso, vejo.
Não penso, respiro.
Não penso, como.
Não penso, ando.
Não penso, não sonho.
Não penso, não vivo.
Não penso, sobrevivo.
Não penso, não existo.
Madalena, "Pensar", 11ºH1
Imagne: Copyright - Amanda Cass
Imagne: Copyright - Amanda Cass
Das palavras de Vergílio (XXI)
O que é viver? Existir já é viver? Quando é que começa a vida?
Existi a partir do momento em que abandonei o ventre da minha mãe, mas ainda não vivi muito.
Tenho momentos em que vivo, são poucos os que me fazem sentir viva. Dezasseis anos e tão pouco vivida, tanto para se viver.
Qual a essência da maçada que é viver? Qual o fundamento? Qual o objectivo?
Talvez não haja. talvez seja para ser descoberto por nós. talvez não seja o mesmo para todos os seres pensantes e vivos.
Eu existo. Vivo. Mas ainda pouco vivi. Espero morrer bastante vivida.
Eu existo. Vivo. Mas ainda pouco vivi. Espero morrer bastante vivida.
Leonor, "A vida", 11º H1
Imagem: Copyright - BethLandim
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