segunda-feira, 6 de junho de 2016

Conteúdos na rede (Um poema por dia) - (I)

Um poema por dia - a imaginação para iluminar ou compreender o real!

Percorria ao anoitecer os jardins
da cidade à procura das flores
oficiais - sobem amparadas
e perfumam com a memória

do chá as ruas irregulares.
Levava uma tesoura de unhas,
insuficiente e desnecessária porque
não colhia nada que fosse vivo.
Restavam-me frases livres,
páginas dobradas, cadeiras desiguais
e os pratos vazios deixados
aos gatos.
O primeiro poema encontrei-o
numa dessas buscas
debaixo da árvore maior,
no ferro que sustenta a copa,
preso com uma mola da roupa
.

"Nome comum: Jasmim-dos-Poetas" - Margarida Ferra.

#Umpoemapordia

Decadente

A decadência do meu corpo,
A tortura da vida,
De  um ser morto...
Homem miserável, corrompido,
Sem um porto...
Perde o sentido,
E é morto.
Já vivi...
Para tudo, para ti.
Resta-me fugir  e partir,
Desta amargura de um incontornável fim...
Sim! Estou aqui:
Abrindo minhas asas,
Olhando o que me rodeia...
É o meu castelo de marfim!
O único que esperara por mim...
Adeus imperfeito humano.
Existência degradada...
Que sempre permanece na sua,
Exaustão rebelada
De querer e não ter...
De ser, mas, não poder.

Sara Tomas de Melo Barreira Pinela, nº24, 11ºH1

Conteúdos na rede

Durante alguns meses fomos publicando em duas redes sociais alguns conteúdos que se organizaram em três temáticas: 

  1. Um poema por dia;
  2. Uma obra de arte por dia;
  3. Uma leitora por dia;
Com esta ideia procurou-se divulgar poemas, apresentar em contexto uma obra de arte e divulgar também pela história da arte a representação entre a Idade Média e o século XX a formalização da leitura e das leitoras. Das leitoras porque a história da leitura foi feita muito no feminino. Nesta última semana divulgaremos cinco dessas escolhas em cada uma destas temáticas. A publicação destes conteúdos procurava estabelecer uma conversação pelo digital e demonstrar que se precisamos de manter uma curiosidade pela cultura, também precisamos de chegar a novas formas de exprimir ideias. Precisamos de construir uma difusão de informação que permita a outros e neste caso os que se relacionam como uma Biblioteca de alargar uma comunicação e de promover a extensão das ideias. As que nascem pelas obras de arte de uma memória longa e as palavras que sempre nascem em cada leitor. Esta divulgação foi feita nas redes sociais Facebook e Twitter e é também uma tentativa para mostrar que as ferramentas digitais valem não por si, mas pelo que fazemos com elas. Como é uma escolha de cinco publicações, neste caso não as republicaremos nessas redes, onde já se encontram.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Novidades na Biblioteca - Livros (IV)

Título: Breve sentimento do eterno
Autor: Nuno Júdice
Edição: 1ª ed.
Publicação: Lisboa: Edições Nelson de Matos, 2008
Descrição Física: 101p.; 21 cm
Coleção: Mil horas de leitura: 6
ISBN: 978-989-95597-8-3
CDU: 821.134.3-1"19/20"

Vou buscar uma das estrelas que caiu
do céu, esta noite. Ficou presa a um
ramo de árvore, mas só ela brilha,
único fruto luminoso do verão passado.
---
Ponho-a num frasco, para não se
oxidar; e vejo-a apagar-se, contra
o vidro, à medida que o dia se
aproxima, e o mundo desperta da noite.
---
Não se pode guardar uma estrela. O
seu lugar é no meio de constelações
e nuvens, onde o sonho a protege.
---
Por isso, tirei a estrela do frasco e
meti-a no poema, onde voltou a brilhar,
no meio de palavras, de versos, de imagens.

Título: Os emigrantes
Autor: W. Sebald
Edição: 1ª ed.
Publicação: Lisboa: Quetzal, 2013
Descrição Física: 202, [6] p.: il.; 24 cm
Coleção: Serpente emplumada
ISBN: 978-989-722-087-4
CDU: 821.112.2-34"19/20"
I often come out here; it makes me feel that I am a long way away, though I never quite Know from where.

Título: O nome das coisas
Autor: Sophia de Mello Breyner Andresen
Edição: 1ª ed.
Publicação: Porto: Assírio&Alvim, 2015
Descrição Física: 103, [8] p.; 21 cm
Coleção: Obras de Sophia de Mello Breyner Andresen
ISBN: 978-989-37-1855-3
CDU: 821.134.3-1"19/20"
Exilámos os deuses e fomos
Exilados da nossa inteireza

(Na divulgação do catálogo (livros) por falta de tempo simplificámos a apresentação das aquisições feitas durante o ano apresentando uma representação que é utilizada na descrição de catalogação e colocando breves citações. Seria interessante falar detalhadamente sobre algumas destas obras adquiridas, mas o tempo é escasso. Em alguns casos eles foram livros da semana, pelo que já tiverem algum destaque) .

Novidades na Biblioteca - Filmes (IV)



Título: A casa do lago
Data de lançamento: 2016
Direção: Alejandro Agresti
Elenco:Keanu Reeves, Sandra Bullock, Christopher Plummer
Géneros: Drama; Romance
Nacionalidade: Estados Unidos da América
Filme sobre o encontro de pessoas que habitam em tempos diferentes um espaço, uma casa e em que se questiona como o tempo é capaz de condicionar os sentimentos das pessoas e aquilo que elas procuram na vida.


Título: A rapariga que roubava livros
 Data de lançamento: 2014
Direção: Brian Percival
Elenco: Geoffrey Rush, Emily Watson, Sophie Nélisse
Géneros: Drama
Nacionalidade: Estados Unidos da América; Alemanha
Filme sobre a noite de medo que foi o nazismo e o modo como as pessoas tentaram sobreviver nos seus hábitos quotidianos. Filme que faz uma abordagem da perseguição aos livros e à cultura na Alemanha dos anos trinta e o modo como a coragem salvou vidas.

Título: As Pontes de Madison County
Data de lançamento: desconhecida
Direção: Clint Eastwood
Elenco: Clint Eastwood, Meryl Streep, Aniie Corley
Géneros: Drama; Romance
Nacionalidade:Estados Unidos da América
Um filme sobre a vida que escolhemos, as opções que nos surgem no horizonte e como vivemos com os outros. Um romance sobre uma história de amor e como as questões sociais e familiares condicionam as escolhas que fazemos. Ainda assim uma história bela sobre encontros à procura de um sentido na vida.

(Por falta de tempo  e ao contrário de publicações anteriores na divulgação das aquisições para o catálogo da Biblioteca (filmes) faremos uma apresentação mais breve).

O sentido está em ti

Gosto do silêncio, da cumplicidade de grupos reduzidos, da harmonia da natureza, das sinfonias que brotam da selva, do pequeno que é grandioso...

E ficar. Ficar aqui, assim, a observar a intensa escuridão da noite, sob um céu estrelado, de uma galáxia, num imenso universo.

Criar a minha própria criação com este olhar profundo sob o verdadeiro sentido, sob a verdadeira existência de um ser renascido, por si próprio, todos os dias como pela primeira vez.

Apaixono-me pelo que me rodeia, pelo que entra em mim, pelo que eu me permito conhecer, pelo que eu deixo tornar-se parte de mim, como o horizonte sem fim que vejo, as minhas caminhadas sob a intolerante chuva, o vento que me toca todas as manhãs, poderoso e livre.... Perdi o fôlego.

Onde estou? Permaneço aqui na nova vida de cada dia. Na madrugada quente de um verão, de um ano, de um século, de um tempo, deitada num verdejante relvado irlandês, na areia de uma praia das Caraíbas, na Torre de Pisa, num arranha-céus Nova-iorquino ou numa autoestrada francesa, eu existo. Estou em tudo o que vejo, tudo o que sinto, tudo o que toco, eu sou a realidade, sou um mundo, um tudo e nada, sou um ser sublime, crio vida, faço vida, sou o meu próprio fim, sou o que me fiz.

Sara Tomás de Melo Barreira Pinela, nº24, 11ºH1

A menina dentro da cereja - Livro da semana

Título: A menina dentro da cereja
Autor: Álvaro ManuelRichard Bach
Edição: 2ª
Páginas: ...
Editor: Editorial Presença
ISBN: 978-972-23-5552-0
CDU: 821.134.3-31"19/20"
Sinopse: É verdade: no fundo, nunca se regressa a nada. Mas temos, muitas vezes, a ilusão de regressar. E agarramo-nos a essa ilusão desesperadamente, como se ela não fosse, de facto, uma ilusão, apenas isso. Agarramo-nos como náufragos no meio de um oceano em plena tempestade se agarram a uma tábua pensando salvar-se. Pura ilusão. (p. 69)

A menina dentro da cereja é um livro sobre uma família, sobre este país parado no tempo, uma sociedade bloqueada, sobre os sonhos de infância, essa geografia de liberdade, do vento do rosto e dos adultos, estranhos como o mundo. A menina dentro da cereja é um livro sobre a adolescência, sobre os fragmentos de verdade, a loucura imanente da vida social que desenham escolhas e opções e fazem naufragar os sorrisos breves e encantados dos sonhos. 

A menina dentro da cereja é sobre esse tempo em que a casa parece guardar os mais novos do furor do mundo e cuja ferocidade nos faz perder o encanto de manhãs em perfumes de inocência. A menina dentro da cereja é um livro sobre os adultos, as suas estranhas relações, os seus percursos dominados por referências sem tempo. A menina dentro da cereja podia ser o retrato de uma geração que tem dificuldade em ligar a sua respiração e a memória. É sem dúvida um livro sobre esse País esquecido de si, dominado por políticos tecnocratas, onde uma sociedade sem referências tenta sobreviver ao lado de movimentos individuais dos que tentaram nas suas memórias, padrões de referências, regressos a uma qualquer substância. 

A menina dentro da cereja é um livro sobre a nossa solidão, as estranhas figuras de um país velho, onde o amor poucas vezes pode esquecer um quotidiano burocrático. A menina dentro da cereja dá-nos os caminhos de desencontros de personagens que conhecemos. O Porto aristocrático e as suas brumas de mistério, onde uma família se desconhece com os fragmentos de episódios de vidas consumidas em excessos e em padrões aparentes de memória. O país da geração que estudou e não encontrou uma verdadeira oportunidade, onde, em caminhos desencontrados procurou um sentido para a sua existência. A menina dentro da cereja é um exemplo vivo e esclarecedor de como a Literatura tem mais ferramentas que a História, que as Ciências Sociais para desmontar estruturas mentais, processos políticos e quadros sociais. 

A crise real do país, é essa continuidade de um tempo longo, essa estagnação que tirou realismo à vida das pessoas, desligando gerações e fez em cada um passos solitários, alegrias breves. E sobretudo, essa ilusão de referências, de regresso ao que já não existe, a artefactos onde já só moram fantasmas e pó. É a partir destes que importa recomeçar, ou tão só continuar, sabendo que o caminho somos nós, ou formas descontinuadas de tristeza e esperança.