quarta-feira, 8 de junho de 2016

Conteúdos na rede (Uma obra de arte por dia) - (III)

Uma obra de arte por dia - Interpretar o real!
Edgar Degas é em certo sentido um dos representantes do movimento Impressionista. Desenvolveu a sua atividade na segunda metade do século XVIII e primeiros anos do século XIX. Com Monet, Cézanne e Renoir, Degas e outros pintores procuraram apresentar as suas obras a público nascendo uma forma de representação que marcaria a pintura no século XIX. Embora o Impressionismo tenha cultivado a arte de pintar ao ar livre, a vida real observada Degas procurou mais a ficção nas suas representações pictóricas e a sua pintura foge às características tradicionais do Impressionismo. Participou em exposições do grupo, mas as suas cores e temáticas fugiam um pouco ao que os restantes elementos faziam e procurou desenvolver um sentido de vanguarda. Na sua pintura as personagens desenvolvem-se em atmosferas muito expressivas, de um realismo notável e com uma capacidade de nos comunicar emoções de forma brilhante.

Edgar Degas, Bailarina no palco, 1878
Musée d'Orsay, Paris
#Umaobradeartepordia

Conteúdos na rede (Um poema por dia) - (III)

Um poema por dia - a imaginação para iluminar ou compreender o real!
E pode
No entanto escutar-se, no entanto
Reler-se, no entanto caminhar

Em direcção diversa, magoar
Novamente os joelhos na jornada?
Como os velozes mensageiros de hoje,
Os que, com Íris e Hermes, esvoaçam
Pelo éter, não há-de reunir-se
Um exército novo, uma razão
Em forma de cenário, aquela estranha
Ardência do improvável
.

Hélia Correia (2012). A Terceira Miséria. Relógio D’ Água, p. 37.
Imagem: © – Hemingway, Colette. “Retrospective Styles in Greek and Roman Sculpture”. In Heilbrunn Timeline of Art History. New York: The Metropolitan Museum of Art, 2000–. http://www.metmuseum.org/toah/hd/grsc/hd_grsc.htm (July 2007)
#Umpoemapordia

terça-feira, 7 de junho de 2016

Conteúdos na rede (Uma leitora por dia) - (II)

Uma leitora por dia - celebrar os momentos íntimos da leitura!


Sibila de Cumas de Miguel Ângelo é um dos quadros que no Renascimento procurou dar nova vida às histórias e figuras da mitologia. Miguel Ângelo nos frescos da Capela Sistina juntou figuras do Antigo Testamento (profetas) com Sibilas de natureza pagã. As Sibilas eram profetisas da Antiguidade Clássica que sabiam prever acontecimentos trágicos. O nome que as acompanhava derivava do sítio onde estavam. Sibila de Cumas referia-se a uma Sibila da região da Campânia. Neste fresco a Sibila é-nos oferecida numa fase ainda não final de vida, pois os braços ainda revelam muito vigor. A Sibila de Cumas de Miguel Ângelo aparece no seu conjunto como uma figura meio humana, meio fantástica e o livro surge como algo que saberá ler o futuro. Apesar das páginas do livro estarem em branco ele surge aqui retratado no seu aspeto mais simbólico de conservação de algum conhecimento, os poderes da Sibila no universo mitológico próprio da Antiguidade Clássica que o renascimento reinventou com novos significados.
Miguel Ângelo, A Sibila de Cumas (1510)
Capela Sistina - Roma
#Umaleitorapordia

Conteúdos na rede (Uma obra de arte por dia) - (II)

Uma obra de arte por dia - Interpretar o real!

A Primavera, quadro de 14470/80 de Sandro Botticelli é uma das referências da Arte do Renascimento. Quadro de extrema beleza, onde vemos as Três Graças e Flora com o seu vestido florido. É um quadro de memória da escola de Florença, das atmosferas delicadas. O quadro tem um significado filosófico relacionado com a simbologia da Primavera. Botticelli na fase final da sua vida abandonou este tipo de pintura, por influência de Savoranola, e embora perdesse popularidade por esses anos finais (início do século XVI) foi recuperado no século XIX como um pintor de grande nível.

SAndro Botticelli, A Primavera (1470/80) 
Galleria degli Uffizi - Florença
#Umaobradeartepordia

Conteúdos na rede (Um poema por dia) - (II)


Um poema por dia - a imaginação para iluminar ou compreender o real!
You tell me that silence
is nearer to peace than poems
but if for my gift
I brought you silence
(for I know silence)
you would say
This is not silence
this is another poem
and you would hand it back to me
.


Leonard Cohen, "Gift", in Pocket Poems
#Umpoemapordia

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Novidades na Biblioteca - Livros (V)

Título: A estrutura das revoluções científicas
Autor: Thomas S. Kuhn
Edição: 6ª ed.
Publicação: Lisboa: Caminho, 2009
Descrição Física: 159 p.; 21 cm
ColeçãoOutras margens. Autores estrangeiros de língua portuguesa ; 25
ISBN: 978-972-21-1611-489-8174-42-0
CDU: 165.9

Invenções de novas teorias não são os únicos acontecimentos científicos que têm um impacto revolucionário sobre os especialistas do setor em que ocorrem. Os compromissos que governam a ciência normal especificam não apenas as espécies de entidades que o universo contém, mas também, implicitamente, aquelas que não contém. Embora este ponto exija uma discussão prolongada, segue-se que uma descoberta como a do oxigénio ou do raio X não adiciona apenas mais um item à população do mundo do cientista. Esse é o efeito final da descoberta — mas somente depois da comunidade profissional ter reavaliado os procedimentos experimentais tradicionais, alterado sua conceção a respeito de entidades com as quais estava de há muito familiarizada e, no decorrer desse processo, modificado a rede de teorias com as quais lida com o mundo.
Teoria e fato científicos não são categoricamente separáveis, exceto talvez no interior de uma única tradição da prática científica normal. É por isso que uma descoberta inesperada não possui uma importância simplesmente fatual. O mundo do cientista é tanto qualitativamente transformado como quantitativamente enriquecido pelas novidades fundamentais de fatos ou teorias.
Título: O fio de missangas
Autor: Mia Couto
Edição: 6ª ed.
Publicação: Lisboa: Caminho, 2009
Descrição Física: 159 p. ; 21 cm
ColeçãoOutras margens. Autores estrangeiros de língua portuguesa ; 25
ISBN: 978-972-21-1611-4
CDU: 821.134(3) (679)-34"!9/20"
Há um rio que atravessa a casa. Esse rio, dizem, é o tempo. E as lembranças são
peixes nadando ao invés da corrente. Acredito, sim, por educação. Mas não creio.
Minhas lembranças são aves. A haver inundação é de céu, repleção de nuvem. Vos guio
por essa nuvem, minha lembrança.
 A casa, aquela casa nossa, era morada mais da noite que do dia. Estranho, dirão.
Noite e dia não são metades, folha e verso? Como podiam o claro e o escuro repartir-se
em desigual? Explico. Bastava que a voz de minha mãe em canto se escutasse para que,
no mais lúcido meio-dia, se fechasse a noite. Lá fora, a chuva sonhava, tamborileira. E
nós éramos meninos para sempre.
 Certa vez, porém, de nossa mãe escutamos o pranto. Era um choro delgadinho, um
fio de água, um chilrear de morcego. Mão em mão, ficamos à porta do quarto dela.
Nossos olhos boquiabertos. Ela só suspirou:
 - Vosso pai já não é meu.
 Apontou o armário e pediu que o abríssemos. A nossos olhos, bem para além do
espanto, se revelaram os vestidos envelhecidos que meu pai há muito lhe ofertara.
Bastou, porém, a brisa da porta se abrindo para que os vestidos se desfizessem em pó e,
como cinzas, se enevoassem pelo chão. Apenas os cabides balançavam, esqueletos sem
corpo.
 - E agora - disse a mãe -, olhem para estas cartas.
 Eram apaixonados bilhetes, antigos, que minha màe conservava numa caixa. Mas
agora os papéis estavam brancos, toda a tinta se desbotara.
 - Ele foi. Tudo foi.
 Desde então, a mãe se recusou a deitar no leito. Dormia no chão. A ver se o rio do
tempo a levava, numa dessas invisíveis enxurradas. Assim dizia, queixosa. Em poucos
dias, se aparentou às sombras, desleixando todo seu volume.
 - Quero perder todas as forças. Assim não tenho mais esperas.
 - Durma na cama, mãe.
 - Não quero. Que a cama é engolidora de saudade.
 E ela queria guardar aquela saudade. Como se aquela ausência fosse o único troféu
de sua vida.
Título: Poesias (Hererónimos)
Autor: Fernando Pessoa
Edição: 1ª ed.
Publicação: Porto: Porto Editora, 2014
Descrição Física: 208 p. ; 20 cm
Coleção: ...
ISBN: 978-972-o- 04974-2
CDU: 821.134.3-1"19"
Quando vier a Primavera, 
Se eu já estiver morto, 
As flores florirão da mesma maneira 
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada. 
A realidade não precisa de mim. 

Sinto uma alegria enorme 
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma 

Se soubesse que amanhã morria 
E a Primavera era depois de amanhã, 
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã. 
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo? 
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo; 
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse. 
Por isso, se morrer agora, morro contente, 
Porque tudo é real e tudo está certo.  (...)

Novidades na Biblioteca - Filmes (V)

Título: A Lista de Schindler 
Data de lançamento: 1993
Direção: Steven Spielberg
Elenco: Liam Neeson, Ben Kingsley, Ralph Fiennes,...
Géneros: Drama; Guerra, Biografia, Século XX
Nacionalidade: Estados Unidos da América
Um filme sobre uma figura do regime nazi Oskar Schindler, uma figura como outras que na Alemanha nazi prosperou com a guerra. Um filme que revela um pouco desse mundo que tornou aceitável o inaceitável e que aqui evolui de uma figura sedutora e comerciante do mercado negro para um homem que salvará vidas. Filme sobre um conjunto de pessoas que se salvaram da loucura do nazismo graças à sua visão humana. Filme biográfico que permite conhecer o interior da máquina de guerra e morte do regime hitleriano e nos dá também a conhecer as pequenas "fugas" para salvar a vida humana. Filme de um homem que acabaria por perder a sua fortuna apenas por ter feito desse ideal a missão da sua vida. Um filme importante para conhecer um pouco da tragédia do século XX.
Título: A culpa é das estrelas 
Data de lançamento: 2014
Direção: Josh Boone
Elenco: Shailene Woodley, Ansel Elgort, Nat Wolff, ...
Géneros: Drama; Romance
Nacionalidade: Estados Unidos da América
Um filme sobre dois adolescentes e uma doença difícil. O crescimento, o tempo que se encurta, o meio familiar e as formas de sobreviver em cada dia quando se tem "uma bomba" a viver no interior de um ser humano. O filme adapta um romance de grande sucesso,"A culpa é das estrelas" de John Green e é a entrada na vivência quotidiana de uma doença e nos limites que ela coloca. É um filme que procura ainda ler os significados na adolescência desse "fim" substantivo que pode ter uma vida, seja a real, seja a que lemos todos os dias em livros, onde de algum modo se tentam encontrar pontes para o que procuramos compreender. 

Título: Hannah Arendt 
Data de lançamento: 2013
Direção: Margarethe von Trotta
Elenco: barbara Sukova, Axel Milberg, Janet Mc Teer, ...
Géneros: Biografia; Drama
Nacionalidade: Alemanha; França
Hannah Arendt é um filme sobre uma das grandes figuras do pensamento do século XX e sobre uma temática que a ocupou durante várias décadas, reflectir sobre a natureza do mal. Hannah Arendt assiste ao julgamento em Nuremberga dos crimes de guerra do regime de Hitler, e em particular de um cérebros do regime, Adolf Eichmann. Procurando ver uma justificação dentro do próprio sentido do regime nazi, Hannah Arendt vê apenas a banalidade do mal. Vê apenas um burocrata a cumprir ordens. Não vê nenhuma reflexão, nenhum pensamento. E vê também uma comunidade judaica em que também houve colaboração para com esse mal. Hannah Arendt viu-se envolvida por isso mesmo num escândalo, como se essa crítica não fosse possível. Hannah Arendt é um filme sobre um processo histórico mas é também uma reflexão sobre o que podem ser as sociedades contemporâneas. É uma reflexão sobre uma ideia essencial, a de que são os sistemas, mais que as pessoas que conduzem a construção desse mal. E nesse sentido dá-nos uma ideia muito importante. A absoluta  necessidade de que a sociedade humana esteja protegida contra essa banalização do mal, através da construção de processos legais, de instituições e de uma cultura democrática real e substantiva.