quarta-feira, 29 de junho de 2016

A dança das Palavras (I)

O fio
Lado  a lado iam juntos,
ao calor e ao frio,
de manhã e de noite,
sem que alguém se aproximasse,
iam juntos, separados por um fio.
Pensaram em abraçar-se,
tão forte era o frio,
mas apenas caminharam,
lado a lado, juntos,
separados por um fio.

Guilherme António Fonseca. (2012). 8º ano, Escola Secundária Braancamp Freire.
Imagem - Copyright: Painting

terça-feira, 21 de junho de 2016

Nas linhas do caminho

"- Os pássaros - assegurou-lhe - voam por convicção". (1)

Caminhamos, respiramos, viajamos entre espaços pelo pelo que somos, pelos mecanismos biológicos ou pelo espírito que nos anima? Somos pessoas porque voamos entre linhas desenhadas na imaginação, caminhamos fisicamente pelo que nos é dado ou é a convicção que nos alimenta o caminho?

No contínuo caminhar que fazemos reside o nosso empenho na forma como o fazemos, nas opções que colocamos no caminho, nos instrumentos que concebemos para o sonho. Ficamo-nos na crença cega do modo como andamos, ou estimamos as possibilidades de chegar ao crepúsculo da tarde?

Na viagem que construímos é o rio que corre em nós, que nos alimenta a definição do caminho, nos faz criar os instrumentos capazes de superar os limites físicos, operacionais do corpo, para conquistar esses momentos de superação, de uma epifania de vontade e determinação. Na errância com que nos vemos, são essas cores com que pintamos o real que embelezam a respiração das auroras amanhecidas na alegria da viagem, como elemento essencial do sonho vivido.

(1) - Jose´Eduardo Agualusa, "O quarto anjo", in A Educação Sentimantal dos Pássaros).

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Top 10: Livros (3º Período - 15/16)


                     Os livros mais requisitados durante o 3º Período (leitura domiciliária)


 

  

 

 



Top 5 - Os leitores (3º Período - 15/16)

(...)
7º ano:
1. Carolina  Ferreira Fernandes;
2. Miguel Santos;
3. Maria Inês Pinto;
4. Ismael Júlio;
5. Bruna Silva.

8º ano:
1. Leonor Récio Correia Duque;
2. Branca de Salter Cid;
3. Leonor Bettencourt;
4. Carolina Santos;
5. Tiago Silva.

9º ano:
1. Tomás Ramos;
2. Inês Barros;
3. Joana Paiva;
4. Vasco Morais;
5. Beatriz Morais.

Ensino Secundário:
10º ano:
1. Maria Rita Pereira;
2. Tiago Ferreira;
3. Maria do Rosário Duarte Silva;
4. Madalena Cunha;
5. Gonçalo Alcobia.
11º/ 12º anos:
1. Madalena Mascarenhas;
2. Débora Santos;
3. Inês Duque;
4. Sofia Sequeira;
5. Simão Cramer.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Luís Vaz de Camões

No Mundo quis o Tempo que se achasse
«No Mundo quis o Tempo que se achasse
O bem que por acerto ou sorte vinha;
E, por experimentar que dita tinha,
Quis que a Fortuna em mim se experimentasse.
Mas por que meu destino me mostrasse
Que nem ter esperanças me convinha,
Nunca nesta tão longa vida minha
Cousa me deixou ver que desejasse.
Mudando andei costume, terra e estado,
Por ver se se mudava a sorte dura;
A vida pus nas mãos de um leve lenho.
Mas, segundo o que o Céu me tem mostrado,
Já sei que deste meu buscar ventura
Achado tenho já que não a tenho».
Luís Vaz de Camões,
No Mundo quis que o Tempo que se Achasse, in Antologia Poética.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Conteúdos na rede (Uma leitora por dia) - (IV)


Uma leitora por dia - celebrar os momentos íntimos da leitura!
A leitura também foi e talvez ainda possa ser considerada uma terapia. Gwen John foi uma importante pintora do princípio do século XX, natural de Inglaterra e que pintou por diversas vezes o mesmo motivo, uma mulher em convalescença e a ler. A imagem de jovens mulheres cansadas, debilitadas e em grande esforço de recuperação é um sinal desse início de século que também provocava hipersensibilidade e doenças nervosas. A arte revelaria este estado vivido pelas pessoas. Marcel Proust considerava que a leitura poderia recuperar pessoas desse estado, sem necessidade de médico. A leitura seria para Proust um "remédio" que cada ser nesse estado conduziria em autonomia. A leitura era pois a suprema forma de uma cura de uma sociedade cada vez mais industrializada e massificada. Atualmente em países onde as bibliotecas são pioneiras de apoio a comunidades discute-se a importância de uma biblioteca de pessoas, uma biblioterapia. Pessoalmente penso que as Bibliotecas devem evoluir para esse conceito e deixarem de ser sobretudo repositórios de informação. É uma ideia que nos leva a Gwen John e ao seu quadro de 123-24.
Gwen John, A Convalescente, 1923-24
Fitzwilliam Museum, Universidade de Cambridge
‪#‎Umaleitorapordia‬

Conteúdos na rede (Uma obra de arte por dia) - (IV)

Uma obra de arte por dia - Interpretar o real!
A terminar o mês, ainda Amadeo de Souza-Cardoso!
A Imagem Irradiante parece-nos um foco de luz que ele próprio descreveu em palavras, essa iluminação da alma oculta. Amadeo foi mais que um pintor, foi uma figura fascinante que importa conhecer melhor, pela correspondência que deixou e que aqui se deixa um exemplo:
"Ontem falei no espelho, o que me sugere
hoje a ideia de falar na imagem.
Mas não é a imagem reflectida que
eu quero acentuar, é a imagem
irradiante, aquela que poderei
comparar ao disco do sol que ilumina e aquece.
A imagem do espelho
é aparente, exterior nunca
por ela pode decifrar um
só traço daquilo
a que eu chamo a minha
alma oculta.
Ao passo que a imagem
irradiante é a que como
o sol se infunde
para nos iluminar a tal
alma oculta".
Amadeo de Souza-Cardoso (2008). Catálogo Raisonné. Lisboa: Assírio& Alvim, p. 37
Pintura – Guitarra, Cera s/ tela, 35 x 29cm, c.1916
Doação de D. Lúcia de Souza-Cardoso
‪#‎Umaobradeartepordia‬