segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Curiosidades sobre alimentos - Sabias? (I)


O ESPARGO vem sendo cultivado há mais de 2.000 anos.
Teve origem em solos arenosos  do Sul da Europa e da Ásia. Cultiva-se, atualmente, em todos os continentes. O seu consumo é recomendável no tratamento da queda do cabelo, fragilidade de unhas e rejuvenescimento da pele em geral

 
A CEREJEIRA é uma árvore típica do Japão. 
Esteve durante séculos associada aos Samurais. A flor da cerejeira designada Sakura era uma metáfora para a beleza e efemeridade da vida desses guerreiros. A cerejeira está também ligada ao  costume de apreciar a beleza das flores. A partir de fins de março e princípios de abril, as cerejeiras ornamentais estão em flor por todo o Japão e marcam o começo da Primavera. A CEREJA é um delicioso fruto  com propriedades anti-inflamatórias e ainda um importante desintoxicante...
 
As UVAS tiveram a sua origem na Ásia, sendo introduzidas na Europa através da Península
Itálica pelos povos gregos. Foram os romanos, por sua vez, que transformaram a viticultura numa atividade lucrativa, enchendo as paisagens mediterrânicas de videiras. As UVAS de então, e ainda por vários séculos depois, destinavam-se basicamente à produção de vinho. Praticamente todas as civilizações antigas tinham um Deus específico para proteger a viticultura: entre os gregos era Dionísio; entre os egípcios, Osíris e entre os romanos, Baco.

Dia mundial da alimentação - o que comemos?



Numa população em crescimento mundial, como resolver o problema da alimentação para tantos milhões? A engenharia genética pode resolver o problema, ou precisamos de outras alternativas? Como produzir tantas toneladas de carne se ao mesmo tempo são precisos "planetas" de produção de rações? Como lidar com a questão das sementes tradicionais cultivadas pelo mundo rural? A dependência da indústria química não é mais uma fonte de empobrecimento para milhões de camponeses? E que resposta em termos de saúde pública a alternativa genética pode dar? A Alimentação tornou-se uma temática essencial. O filme neste link discute esta essencial  questão.


MIBE'16

Mês Das Bibliotecas Escolares - outubro.16 by Biblioteca - ESRDA on Scribd

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

A palavra e o mundo - A volta ao mundo em oitenta dias (II)

   "Phileas Fogg ganhara, portanto, a aposta - e efectuara em oitenta dias a viagem à volta do mundo! Utilizara nela todos os meios de transporte, paquetes, comboios, carruagens, iates, navios mercantes, trenós e um elefante. O excêntrico cavalheiro desenvolvera nesta empresa os seus maravilhosos dotes de sangue-frio e de exactidão. Mas, afinal, o que tinha ganho nesta deslocação? O que alcançara com a viagem?
   Nada, hão-de dizer. Nada, na verdade, a não ser uma sedutora mulher, que - por muito inverosímil que isto pareça - o tornou o mais feliz dos homens!
   Em rigor, não se faria ainda por menos a volta ao mundo?" (pág. 283) 

A Volta ao mundo em oitenta dias é um livro da literatura universal que cumpre um conjunto de objectivos de grande significado. Retrata uma época, introduz-nos na viagem como possibilidade humana e dá-nos o desafio da superação humana, o tempo individual face à geografia. O protagonista da história é um senhor inglês, Phileas Fogg, um cidadão de Londres que vive uma vida solitária e calma feita de rotinas.

É no Reform Clubé, onde passa grande parte do dia, e onde pela leitura dos jornais que toma conhecimento do roubo num banco. Discutindo sobre o paradeiro do ladrão defende a ideia de que poderia estar em qualquer ponto da Terra. Faz assim uma aposta de que em oitenta dias poderia dar a volta ao planeta. Livro de iniciação à viagem é também uma curiosa forma de ler o tempo. Mesmo com os transportes ainda em início de grande transformação, a utilização do vapor dá-lhe esse desafio, ainda que complementado com outras formas de locomoção. Hoje seria muito fácil fazê-lo. Na época de Júlio Verne essa aventura é o que lhe dá o sentido de um clássico. O sentido do desafio.

Assim o cavalheiro inglês acompanhado do seu criado, o francês Jean Passepartout atravessa oceanos em navios a vapor, utiliza estradas usando a carruagem, o comboio e até o meio pedestre ou o transporte por animais. É uma viagem cronométrica feita em oitenta dias, com partida e chegada a Londres. Na viagem depara-se com obstáculos e figuras tradicionais do romance como a jovem em apuros que é salva pelo nosso viajante.

A volta ao mundo em oitenta dias é assim um clássico pela integração de um conjunto de situações. Embora o livro tenha momentos e situações de romantismo foi escrito numa atmosfera de ficção e é como tal que o devemos ler, mesmo quando a sorte ou o dinheiro são a forma de ultrapassar dificuldades. A viagem é ela própria uma forma de superação, mas também de reencontro com ele próprio, com o encontro com o amor. A volta ao mundo em oitenta dias é um produto de imaginação e uma narrativa fascinante de um autor marcante do século XIX.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

A palavra e o mundo - A volta ao mundo em oitenta dias (I)

   
Algumas das capas de um livro que faz parte da cultura universal. Livro marcante de Júlio Verne, na edição de 1872 aqui com as ilustrações de Alphonse de Neuville e Lén Benett. A consultar. Aqui.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

A palavra e o mundo - Viagens com o Charley (II)

As cidades americanas são como buracos de texugo, rodeadas, todas elas, de rebotalho, cercadas por pilhas de automóveis destruídos e a enferrujar, e quase asfixiadas em refugo. Tudo quanto usamos vem em caixas, caixinhas e caixotes, as chamadas embalagens de que tanto gostamos. Os montes de coisas que deitamos fora são muito maiores do que as coisas que usamos. 

Nisto, se não for por outro meio, podemos ver a exuberância desenfreada e perdulária da nossa produção, e o desperdício parece ser o seu índice. Seguindo o meu caminho, pensava como em França e na Itália cada uma destas coisas deitadas fora seria guardada e aproveitada para algo. Isto não é dito como crítica de um sistema ou de outro, mas pergunto a mim mesmo se não virá o tempo em que já não possamos permitir-nos o nosso desperdício – desperdícios químicos nos rios, desperdícios de metais por toda a parte, e desperdícios atómicos profundamente sepultados na terra ou afundados no mar. Quando uma aldeia índia ficava demasiado enterrada na sua própria imundície, os habitantes mudavam de lugar. Mas nós não temos lugar para onde mudar. (…)

O meu caminho seguiu para o Norte, pelo Vermont, e depois para o Leste, pelo New Hampshire, pelas montanhas Brancas. Os lugares à beira da estrada estavam cheios de abóboras-morangas douradas, de abóboras castanho-avermelhadas, e de cestos de maças vermelhas tão quebradiças e docas que pareciam explodir em sumo quando as mordia. Comprei maçãs e um garrafão de um galão de sidra recentemente espremida. Creio que toda a gente ao longo das estradas vende mocassins e luvas de camurça. 

E também não há quem não venda doces de leite de cabra. Não vira até antão armazéns de venda direta das fábricas em pleno campo, vendendo calçado e roupas. Suponho que as aldeias são as mais bonitas de todo o país, limpas e pintadas de branco, e, não contando com os motéis e acampamentos turísticos, imutáveis há cem anos, exceto quanto ao trânsito e às ruas pavimentadas.

O clima mudou rapidamente para frio e as árvores rebentaram em cor, com vermelhos e amarelos que não podem imaginar-se. Não é apenas cor, mas um brilho, como se as folhas engolissem a luz do Sol de outono e a libertassem depois lentamente. Há uma quantidade de fogos nestas cores. Fui subindo as montanhas, tendo chegado muito acima antes do crepúsculo. 

John Steinbeck. (2016). Viagens com o Charley. Lisboa: Livros do Barasil, págs 33 e 34. Imagem: Vermont, (último estado a nordeste que faz fronteira com o Alasca).