quarta-feira, 19 de outubro de 2016

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Os mistérios da gelatina - Cozinha Experimental (I)


          Ingredientes:
1 Pacote de Gelatina com Aroma de Ananás; 1 Lata de Ananás; 1/4 de Ananás natural.

Modo de Preparação:
1. Prepare a gelatina segundo as instruções do pacote.
2. Corte o ananás de lata em pedaços e coloque-o numa taça.
3. Descasque o ananás natural e corte-o em pedaços. Ponha este ananás numa outra taça.
4. Nas duas taças distribuía e misture a gelatina, ainda líquida, e leve ao frigorífico para gelificar.

          Explicação: O que é a Gelatina?
A gelatina é em geral extraída dos ossos e tecido connectivo de animais. Uma outra fonte de gelatina podem ser algumas algas. De facto, a gelatina pura é formada essencialmente por proteínas (colagénio):
      84-90% de proteína; 1-20% de sais minerais; 8-15% de água.

         O processo de gelificação...
As proteínas da gelatina, quando dissolvidas em água e arrefecidas, podem ligar-se entre si para formar uma rede tridimensional contínua que se estende por toda a massa do líquido. São necessárias muito poucas moléculas assim ligadas para imobilizar uma grande quantidade de água. Assim, o gel formado é principalmente composto por água, já que 10 gramas de gelatina dão para gelificar 5 decilitros de água. Este fenómeno provoca um espessamento das misturas contendo gelatina que mantém a sua estabilidade numa gama variada de temperaturas.

A firmeza de um preparado com gelatina depende das proporções gelatina / líquido, da temperatura da mistura e dos outros ingredientes que tenham sido adicionados. Gelatina em quantidade insuficiente vai dar um produto mole, demasiada gelatina um produto muito rijo. A mistura ideal, em termos culinários, deve ser suficientemente firme para suportar o seu próprio peso e se manter estável, mas tremer levemente se agitada.

É sempre preferível deixar a gelatina arrefecer, lentamente, à temperatura ambiente e só depois a colocar no frigorífico, pois a mistura fica mais firme. Desta forma as moléculas de proteína têm uma maior mobilidade durante mais tempo, o que permite que formem uma melhor rede do que se o arrefecimento for rápido.

         Porque é que não se pode juntar ananás fresco à gelatina?
Um ingrediente que numa sobremesa pode impedir a gelatina de gelificar é o ananás fresco. este contém uma enzima (proteína que torna possível determinadas alterações químicas), chamada bromelaína que destrói qualquer estrutura molecular de proteínas que encontra. Este enzima funciona como uma tesoura que corta as ligações entre alguns dos aminoácidos que formam as proteínas, não permitindo assim que forme a rede tridimensional. 


Bibliografia:

Margarida Guerreiro;Paulina Mata. (2010). A cozinha é um laboratório. Lisboa: fonte da Palavra – Ciência Viva, (adaptado).
Equipa da Cozinha Experimental - ESRDA. 2016/17 -

A palavra e o mundo - Nos passos de Magalhães (I)

Um português ao leme de uma ideia, de uma empresa, de um projecto comum europeu: o do conhecimento da verdadeira dimensão do mundo. A figura de Magalhães, Magellano, Magellan, Magallanes, tão válida para símbolo da União como Leonardo, Guttemberg, Newton, Mozart ou Galileu.

Hoje, é fácil defender esta proposta. mas no regresso da Armada das Molucas, o nome de Magalhães foi ignorado, a sua importãncia menosprezada. Um final não feliz. A circum-navegação do globo não trouxe quase nenhum valor comercial, a expedição deu um lucro marginal à coroa espanhola, a rota descoberta pelo Pacífico para chegar às Ilhas das Especiarias não era viável, ou pelo menos não podia competir com a rota portuguesa pelo Cabo da Boa Esperança, e as próprias Molucas revelaram-se afinal na parte portuguesa do tratado de Tordesilhas, inutilizando a pretensão espanhola de as explorar. O custo em vidas humanas da expedição foi desmesurado.

O feito marítimo foi recebido nas cortes europeias como uma curiosidade. Só anos mais tarde a primeira circum-navegação do globo ganharia o valor simbólico que tem na história da Humanidade. Com Magalhães, os erros de cálculo da dimensão do mundo, que perduravam há milénios, foram corrigidos e o planeta expandiu-se à sua dimensão máxima possível dentro da realidade, ou seja, expandiu-se na sua dimensão correcta. Sm lugar para mais fantasias.
A partir de Magalhães, todas as viagens de exploração limitaram-se apenas a reduzir os limites, a distância e o mistério do mundo, até o tornar na pequena aldeia global em que vivemos hoje. E onde nos é tão fácil viajar.

Gonçalo Cadilhe. (2011). Nos Passos de Magalhães. Alfragide: Leya, págs. 176/177. 

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Curiosidades sobre alimentos - Sabias? (IV) - Um livro

 
Quase todas as maçãs silvestres são belas. Nunca têm um aspecto demasiado rugoso, desagradável ou oxidado. As mais disformes terão alguma característica redentora para o olhar. Descobriremos algum rubor vespertino que mancha ou salpica qualquer protuberância ou qualquer cavidade. É raro o Verão passar sem deixar uma maçã com riscos ou laivos em certos pontos da sua esfera.
O fruto terá algumas manchas vermelhas, a comemorar as manhãs e os crepúsculos que presenciou, quaisquer malhas escuras e ferruginosas, a recordar as nuvens e os dias enevoados e húmidos que passaram por ela, e um vasto campo verde a reflectir a face geral da Natureza - tão verde como os campos : ou ainda um fundo amarelo, o que implica um travo mais suave - amarelo como a colheita, ou de um castanho-avermelhado como as colinas.

Refiro-me às maçãs de uma beleza indizível - maçãs não de Discórdia, mas de Concórdia! Porém, não tão raras que os mais humildes não possam ter a sua parte delas. Pintadas pela geada, algumas de um amarelo-vivo límpido e uniforme, vermelhas, ou carmesim, como se as suas esferas tivessem girado com regularidade e sofrido a influência do sol em toda a superfície por igual; algumas com o rubor rosa mais ténue que se possa imaginar; outras malhadas, como uma vaca, com laivos de um vermelho profundo, ou percorridas por centenas de raias vermelho-sangue que correm regularmente, desde a implantação do pedúnculo até ao extremo da flor, como linhas de meridianos sobre um fundo cor de palha; outras, aqui e ali, cm um toque de ferrugem esverdeada, semelhante a um líquen delicado, com manchas rubras ou olhos mais ou menos confluentes e incendiados quando estão húmidas; outras, finalmente, rugosas e pintalgadas ou mosqueadas com ténues pontos carmesim sobre um fundo branco, como que acidentalmente salpicadas pelo pincel d' Aquele que pinta as folhas outonais.

Outras, ainda, são por vezes vermelhas no interior, impregnadas de um lindo rubor, alimento de fadas, demasiado belas para serem comidas - maçãs das Hespérides, maçãs do céu do entardecer! Porém, como conchas e seixos à beira-mar, é preciso vê-las quando cintilam entre as folhas secas em qualquer depressão dos bosques, por entre o ar outonal, ou espalhadas pela erva húmida, e não depois de definharem e empalidecerem em casa.
Henry-David Thoreau. (2016). Maçãs silvestres e cores de Outono. Lisboa: Antígona.

Curiosidades sobre alimentos - Sabias? (III)


A MAÇÃ é tão antiga quanto a história da humanidade. Nas regiões temperadas, a macieira é cultivada há muitos milénios. Segundo alguns investigadores, as primeiras macieiras surgiram há 25 mil anos, num ponto entre o Cáucaso e o leste da China. Entre as suas qualidades na alimentação humana destacam-se as seguintes:
  • Ajuda a emagrecer e a reduzir o colestrol;
  • Ajuda a combater a prisão de ventre e previne o envelhecimento;
  • Tem um efeito importante na redução do risco das doenças cardiovasculares.
A macieira como árvore está ligada à vida do homem desde tempos imemoriais. Pensa-se que exista na Terra pouco tempo antes do aparecimento do homem. As palavras são um instrumento da linguagem e uma forma de nomear o real, dar-lhe existência. É curioso verificar que  quer em latim, quer no grego as palavras que designam formas de vida agrícolas em sociedades ligadas à terra são idênticas, o que não acontece com caça ou guerra. A macieira pode como a oliveira estar associada ao símbolo da paz. A macieira está ligada a mitos de diferentes culturas e quer Homero, quer Heódoto referem jardins de frutos, entre os quais as macieiras.

Plínio, autor romano falava da macieira como a mais civilizada das árvores, bela e valiosa. A macieira diferencia-se das outras árvores, pois não depende dos cuidados humanos. Há nela algo de independência, de um crescimento indiferente à iniciativa humana. Floresceu de diferentes modos em diferentes continentes e como diz Thoreau talvez seja um príncipe disfarçado. A macieira selvagem é certamente uma concretização solene da Natureza nesse espírito celebrado pelos gregos, as maçãs de Hespérides, no jardim mais belo da Antiguidade.

Curiosidades sobre alimentos - Sabias? (II)

As CEBOLAS são cultivadas há mais de cinco mil anos na Ásia e no Médio Oriente. Os egípcios usavam-nas como moeda para pagar aos trabalhadores que construíram as pirâmides e colocavam-nas nos túmulos dos reis, como Tutankhamon.A cebola tem as seguintes qualidades na saúde humana:1. É um anti-inflamatório natural; 2. Contribui para a beleza da pele e dos cabelos; 3. Ajuda a prevenir doenças do sistema nervoso e a combater doenças respiratórias…

ALFACE nasceu na região do Mediterâneo Oriental e na Ásia ocidental.
Com representações que aparecem em antigos túmulos egípcios, o seu cultivo inicia-se, a partir de  4500 a.C. Os antigos gregos e romanos utilizavam a alface como alimento e devido às suas propriedades terapêuticas. Na China ela está associada à boa sorte. Christopher Columbus introduziu variedades de ALFACE na América do Norte durante a sua segunda viagem, em 1493. Foi plantada na Califórnia pelos missionários espanhóis no século XVII. A alface tem as seguintes qualidades na saúde humana: 1. Ajuda a combater a insónia e os resfriados; 2. Acalma dores musculares; 3. Ajuda a fortalecer as vias respiratórias. Tem importantes efeitos na prevenção da anemia.
 
O MORANGO é já conhecido no século II a. C., pela civilização romana. Era valorizado pelas suas propriedades terapêuticas e utilizado para um conjunto alargado de doenças. É curioso que parte carnuda do morango, a que comemos, não é o fruto mas o resultado do inchaço dos talos da planta. O fruto verdadeiro é a semente amarela que fica incrustada na superfície da parte carnuda. Podem-se destacar os seguintes efeitos na saúde humana: 
1. Ajudam a reforçar a imunidade; 2. Ajudam a melhorar a memória; 3. Previnem o envelhecimento precoce; 4. Têm poucas calorias e 5. Ajudam a reduzir o colesterol.
 
O CHOCOLATE entrou regularmente na alimentação humana, por volta de 1500 a.C., numa civilização que ocupava o espaço onde onde existem o México e a Guatemala. Posteriormente, os Maias e os Astecas, povos da mesma área, desenvolveram o costume de beber chocolate, produto que era considerado sagrado. O chocolate entraria nos costumes das cortes europeias durante o desenvolvimento dos  impérios coloniais e hoje é um alimento de grande procura. O chocolate está associada na alimentação a qualidades que o destacam como fonte de uma sensação de bem estar. Fornece energia e estimula o sistema nervoso central e os músculos cardíacos.

Curiosidades sobre alimentos - Sabias? (I)


O ESPARGO vem sendo cultivado há mais de 2.000 anos.
Teve origem em solos arenosos  do Sul da Europa e da Ásia. Cultiva-se, atualmente, em todos os continentes. O seu consumo é recomendável no tratamento da queda do cabelo, fragilidade de unhas e rejuvenescimento da pele em geral

 
A CEREJEIRA é uma árvore típica do Japão. 
Esteve durante séculos associada aos Samurais. A flor da cerejeira designada Sakura era uma metáfora para a beleza e efemeridade da vida desses guerreiros. A cerejeira está também ligada ao  costume de apreciar a beleza das flores. A partir de fins de março e princípios de abril, as cerejeiras ornamentais estão em flor por todo o Japão e marcam o começo da Primavera. A CEREJA é um delicioso fruto  com propriedades anti-inflamatórias e ainda um importante desintoxicante...
 
As UVAS tiveram a sua origem na Ásia, sendo introduzidas na Europa através da Península
Itálica pelos povos gregos. Foram os romanos, por sua vez, que transformaram a viticultura numa atividade lucrativa, enchendo as paisagens mediterrânicas de videiras. As UVAS de então, e ainda por vários séculos depois, destinavam-se basicamente à produção de vinho. Praticamente todas as civilizações antigas tinham um Deus específico para proteger a viticultura: entre os gregos era Dionísio; entre os egípcios, Osíris e entre os romanos, Baco.