segunda-feira, 31 de outubro de 2016

A palavra e o mundo - John Steinbeck

Tenha-se medo da hora em que o homem não mais queira sofrer e morrer por um ideal, pois que esta é a qualidade básica da humanidade, é a que a distingue entre tudo no universo.” (De As vinhas da Ira)

Reconhecer o mundo é uma forma de entender a diversidade da sua composição, um modo de construir uma integração, de o ver como uma aprendizagem. Reconhecer o mundo é assumir a diferença de um todo que se exprime em modos diversos. Reconhecer o mundo, os diversos modos de entender a vida, a cultura expressa e a sociedade em que se vive.

Sobre ele existem dezenas de biografias. O mais importante dirão alguns foi o seu destaque na Literatura americana e universal pelos Prémios Pulitzer e Nobel que recebeu, pela adaptação de textos seus ao cinema, essa forma de perenidade que as imagens constroem e que a música formaliza de um modo mais visível. As Vinhas da Ira de John Ford ou a música de Bruce Springsteen, no seu álbum The Ghost of Tom Joad expressam esse reconhecimento do mundo pela arte da imagem e do som. 

Podem as obras de arte contribuir para este reconhecimento do mundo e para nos reconhecermos no mundo? Existe na criação estética a formulação de um movimento da sociedade? Entre o que existe e o movimento contínuo encontra-se uma forma de desconstrução que se inclina para a construção de algo, do mutável e dos elementos que ainda permanecem. A Arte como criação conduz esse processo de identificação social e cultural. 

A Literatura é uma das formas de expressão que permite o reconhecimento do mundo formalizando formas de vida e apreensões do real que superam o registo histórico. Há nela uma superação pelo vivido, pelas realidades e momentos que se cruzam com o quotidiano. Registo do que é uma vivência local, em alguns casos pela compreensão do que em si há de referente à humanidade pode tornar-se universal. É o caso da obra de John Steinbeck.

Talvez só com Mark Twain é que podemos voltar a encontrar essa ligação entre um escritor e a América, a sua cultura, as suas formas de vida e a descoberta de um universo onde estão valores universais. A América de Steinbeck é muito preenchida pelas condições sociais, pela economia humana dos trabalhadores rurais, pelas migrações num território que ´um país e um continente. Steinbeck tentou compreender a grandeza da América, o que a fazia diferente, mas também as suas misérias humanas. É impossível conhecê-la sem a viagem que os seus livros permitem fazer.

Homens e Ratos, As Vinhas da Ira, A leste do paraíso são obras essenciais para esse reconhecimento do mundo, a América dos grandes espaços, as opções de vida entre grandes metrópoles e o campo. Obras sobre a condição humana, sobre o sonho como forma de ideal para combater a injustiça, a pobreza, as condições degradantes da existência. 

(stand by)

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

A palavra e o mundo - A Pérola (II)

E a beleza da pérola, que brilhava e cintilava à luz da pequena vela, perturbou o seu cérebro. Era tão bela, tão macia, desprendia-se dela uma música própria - a sua música de promessas e delícias, a sua garantia de futuro, de conforto, de segurança. O seu brilho quente prometia um remédio contra a doença e uma muralha contra os insultos. Fechava a porta à fome. Ao olhar para ela, os olhos de Kino adoçaram-se e o seu rosto descontraiu-se. Viu a pequena imagem da vela consagrada refletida na superfície lisa da pérola e voltou a escutar a música maravilhosa do mar, o tom da luz verde, difusa, do fundo do mar. Juana, espreitando o seu rosto, viu-o sorrir. E porque, de certa forma, eles eram um só com uma só vontade, sorriu ele.
E principiaram aquele dia com esperança.

A Pérola é um clássico da literatura. A reedição dos livros lidos dá-nos a possibilidade de voltar a ler o que já lemos e construir uma nova leitura. Nesta leitura a dimensão de parábola devolve-nos pormenores já esquecidos ou recortes de um drama humano que já tínhamos esquecido. A Pérola é uma pequena narrativa de um sonho, a luta persistente para mudar as linhas escritas da pobreza. 

Nela vemos a luta antiga por esse ideal que sonha em ultrapassar a fome e a doença e dar a cada homem a possibilidade de construir o seu mundo, ainda que seja só um plano, um esboço de felicidade. O canto da terra, a natureza com as suas formas e cores, os seus silêncios e rumores e a linguagem do canto interior às coisas. A linguagem que pressente o bem e o mal, a esperança, a raiva e a ambição fazem parte desta adaptação de um conto popular mexicano, uma obra de grande significado.

A Pérola é quase uma parábola sobre a vida. Condensa o bem e o mal com que os humanos habitam a vida, entre a maior nobreza e a cobiça mais feroz. História de uma solidariedade, de uma família e desse canto mais íntimo ligado à terra e ao que ele transporta. Um exemplo de uma escrita em que Steinbeck alia a descrição rápida com o sentimento das personagens fazendo correr a narrativa com um brilho que nos faz ler com grande prazer. O escritor de Salinas é um dos grandes escritores do século XX pela capacidade de construir personagens que são memória e fruto desse património, a ruralidade, aqui num espaço localizado, numa cultura de pescadores.

A Pérola acaba por ser uma visão do que pode ser a vida, entre a maior rudeza, as necessidades mais essenciais e a conquista pelo privilégio do dinheiro e do poder pelos que já o têm. O fim do livro é uma pequena vitória para Kino e Juana, mas há nessa restituição ao mar algo de protecção à cobiça dos mais ricos, dos instalados no poder. E, no fim o valor da Natureza como consagração da essência que o homem tenta destruir. Fim que não deixa de ser desolador por um sonho que morre perante os contrafortes da ignorância, alimentada em universos dominados pela corrupção e pela insensibilidade.

A Pérola é assim um livro eterno de um escritor essencial, narrador da América, das condições de trabalho das pessoas, mas também um escritor do mundo, pela sua consciência universal. Uma escrita a envolver-nos com essa grandeza, que aqui Kino dá conta, "tinha perdido o seu mundo anterior e agora tinha de se agarrar a um mundo novo. Porque o seu sonho de futuro era real e não podia ser destruído" (p. 498). A grandeza de pensar um mundo e torná-lo real faz de A Pérola um livro notável e de Kino uma das grandes personagens da Literatura.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Memória do cubismo - Picasso

Picasso foi um dos artistas mais inovadores do nosso tempo. Produziu cerca de 30 000 obras, entre pinturas, desenhos e esculturas! A arte de Picasso foi alvo de diferentes metamorfoses, pois passou por contínuas e profundas mudanças. Picasso revelou uma capacidade de invenção de grande significado e a História social do século XX não pode ser estudada sem o recurso aos seus quadros.

Picasso criaria com Georges Braque um importante movimento artístico no início do século XX, chamado de cubismo. Influenciados mutuamente pela sua capacidade nova de interpretar as ideias e as profundas transformações de início do século colaboraram significativamente os dois entre 1908 e 1914, início da 1ª Guerra Mundial. O cubismo representou um corte absoluto com a arte europeia. Talvez não seja exagero defender com alguns autores de Arte que o cubismo foi o movimento artístico mais importante desde o Renascimento.

Influenciado pelo pós-impressionismo, evoluiria para a corrente dinamizada por Henri Matisse. Defendia o fim da perspectiva e da profundidade do espaço, apoiando-se numa composição dinâmica. A arte com o cubismo deixou-se de interessar por compreender a realidade ou só fazer o seu retrato, mas o quadro e a arte deveria criar a sua realidade. Apresentar o real de diversos ângulos, com cores chocantes, exprimindo o feio e aquilo que era chocante para a vida humana.

A arte deveria revelar o caos e a desordem. A 1ª Guerra Mundial mostraria de forma dramática os piores receios do Homem. Com Picasso o cubismo alcançaria a sua expressão máxima. A Arte deveria, deverá dizemo-lo nós mostrar à Humanidade como a nossa vida, vivida no curto espaço, faz parte de um movimento maior. O cubismo teve essa ousadia, a de criar um 
movimento artístico essencial para compreendermos o que foi o século XX. 

Com ele o mundo visual é decomposto em elementos, onde se procura encontrar uma nova forma de exprimir a arte. Para Picasso a realidade tinha de ser observada de todos os ângulos em simultâneo e integrá-la no real. A arte não tem uma visão, não tem uma linha de definição de uma verdade a demonstrar, mas tem uma forma particular que emerge de todos os diferentes aspetos vistos em conjunto. A leitura desse conjunto permite compreender e transformar esse real. O cubismo não tem um estilo, realiza diferentes experiências, construídas a partir da vivência quotidiana.  O cubismo propôs uma revolução visual e ensinou a sociedade a compreender melhor que formas de quotidiano se organizavam no início do século XX.  

O cubismo não propôs apenas uma forma diferente de ver a pintura, sugeriu uma nova visão da arte.   O quadro não procurava representar algo, não pretendia fazer uma representação de objectos, mas sim criar a própria realidade. O quadro pintado era a própria realidade. Num mundo de caos e violência, o plano da  perspetiva tinha de ser fragmentado, buscando a própria fragmentação da realidade. Foram também nas técnicas, que o cubismo inovou como expressão de arte ao integrar a fragmnetação da imagem, a inclusão de palavras, a combinação chocante de cores, a expressão do feio, do horror, na apresentação de uma sociedade em convulsão de valores. O cubismo revelou-nos um mundo de fealdade, um mundo em emergência, em ruptura com o século anterior.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

A mousse de lima e manjericão - Cozinha Experimental (II)

Como se forma a mousse de lima e manjericão?

Ingredientes:
  • 1/2 lata de leite condensado
  • 1 lata de leite evaporado
  • Raspa de duas limas
  • 150 ml de sumo de lima
  • 40 gramas de manjericão
Modo de preparação:
  1. Coloque numa taça o conteúdo de uma lata de leite evaporado e o de uma lata de leite condensado; bata vigorosamente até obter uma espuma volumosa;
  2. Esprema as limas  de modo obter 150 ml de sumo; 
  3. Triture o sumo de lima com as folhas de manjericão;
  4. Quando  a espuma está formada, adicione-lhe o triturado do sumo de lima com as folhas de manjericão;
  5. Passe a mousse para uma nova taça e acrescente por cima as raspas de lima.
  6. Leve ao frigorífico durante 30 a 40 minutos.
Explicação:
O que se terá passado nesta preparação???  
     
      1. Porque se forma a espuma e o aumento de volume? 
      Ambos os leites são concentrados, ou seja, são leites aos quais foi retirada cerca de 50% da sua água (60% no evaporado). E, no caso do leite condensado, foi-lhe acrescentada uma quantidade considerável de açúcar - cerca de 44%, assim já não é necessário adicioná-lo a esta sobremesa. Esta grande quantidade de açúcar não permite o crescimento de microrganismos, devido à elevada pressão osmótica e, por isso, este leite tem uma grande durabilidade.

Se queremos formar uma espuma, uma dispersão de bolhas gasosas num líquido, é necessário que esse líquido tenha alguma viscosidade. Caso contrário as bolhas do gás, neste caso o ar introduzido pela batedura, escapam-se logo. O leite normal é muito pouco viscoso, contrariamente ao condensado e também ao evaporado. Enquanto se vai batendo, vai-se então observando que inúmeras bolhas de ar são introduzidas na mistura e assim ela vai aumentando de volume.
Obtida a espuma, deita-se-lhe o sumo das limas. E o que se observa? 
Que a espuma fica imediatamente muito mais espessa e pastosa.

      2. Como se torna a espuma mais espessa? 
         Um dos constituintes do leite são as proteínas (4%), e a mais comum é a caseína (cerca de 80%).

Quando adicionamos o sumo de lima, introduz-se ácido cítrico e ascórbico na mistura, o que irá promover a coagulação (= precipitação) da caseína pela descida do valor de pH. 


A espuma fica como que fixada, formando-se um gel.

E assim, obtemos a musse, que vai ficando sucessivamente mais pastosa e que, se guardada no frigorífico, tem um sabor ainda mais agradável.

Bom apetite!

Bibliografia
Margarida Guerreiro;Paulina Mata. (2010). A cozinha é um laboratório. Lisboa: fonte da Palavra – Ciência Viva, (adaptado).
Adaptado de José Avillez “Mousse de lima e manjericão”.
A equipa da Cozinha Experimental.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Biblioteca Mundial de Ciência

A Unesco disponibiliza uma biblioteca científica, de forma gratuita e multilíngue, a estudantes e a toda a comunidade científica. Designada Biblioteca Mundial da Ciência, com a sigla WLOS tem o patrocínio científico da revista científica Nature e do laboratório farmacêutico "Roche".

O objetivo desta Biblioteca Mundial de Ciência é dar acesso a estudantes de todo o mundo a informações relacionadas com a Ciência. Os estudantes terão a possibilidade de compartilhar experiências e lições podendo estabelecer debates numa perspetiva de ensino partilhado.

A Biblioteca Mundial de Ciência conta já com trezentos artigos de referência, acesso a conteúdos de vinte e cinco livros e ainda setenta vídeos cedidos pela revista Nature. A Unesco considera que os desafios do mundo atual passam por existirem mais cientistas e maior produção científica, sendo necessário criar "uma educação científica mais apropriada e acessível" ( Irina Bokova - Unesco).

Um dos grandes objetivos desta Biblioteca é favorecer a iguldade de oportunidades, sobretudos em países mais pobres e melhorar a qualidade do ensino, reforçando o papel da educação e da ciência no desenvolvimento humano das sociedades. O fomento de comunidades de estudantes e docentes é outro dos seus objetivos e que a página favorece de modo significativo.

Para conhecer, o acesso fica aqui:  Biblioteca Mundial de Ciência.
Fonte: Revista Galieu. Editora Globo. São Paulo. Brasil.

A palavra e o mundo - A Pérola

Estava prestes a amanhecer quando Kino acordou. As estrelas ainda brilhavam e o dia espalhava apenas uma desbotada claridade no horizonte. (...) Kino ouviu o rebentar das ondas matinais na praia. Gostava de o ouvir - Kino fechou os olhos de novo para escutar a sua música. Talvez mais ninguém o fizesse ou talvez toda a sua gente tivesse feito o mesmo. O seu povo tinha sido outrora grande cultor de canções, de tal modo que tudo o que via ou pensava, ou fazia e ouvia, se transformava numa canção. Mas isso já tinha sucedido havia muito tempo. No entanto, as canções tinham permanecido. (...)

O povo de Kino tinha cantado tudo o que acontecia ou existia. Tinham feito canções aos peixes, ao mar enfurecido e ao mar em calmaria, à luz das trevas e ao Sol e à Lua, e essas canções estavam todas em Kino e na sua gente - todas as canções que tinham sido feitas, até mesmo as que estavam esquecidas. E, enquanto enchia o seu cesto, a canção soava dentro de Kino e o ritmo da canção era o bater do seu coração, a queimar o oxigénio do fôlego retido, e a melodia da canção era a água verde-acizentada e os pequenos animais que fugiam precipitadamente e as nuvens de peixes que adejavam junto dele e desapareciam. Mas, dentro da canção havia um pequeno canto interior e secreto, quase imperceptível, mas sempre presente, doce, secreto, fiel, quase escondido na contramelodia, que era o Canto da Pérola Ambicionada, porque cada concha atirada  para o cesto podia conter uma pérola.

(...)
Olhou por momentos para o cesto. Talvez fosse melhor deixar a ostra para o final. Tirou do cesto uma ostra pequena, cortou-lhe o manto, pesquisou entre as dobras de carne e atirou-a para a água. Então pareceu ver a grande ostra pela primeira vez. Acocorou-se no fundo da canoa, pegou na ostra e observou-a. As estrias brilhavam em tons de preto e castanho e tinha poucas cracas agarradas à casca. Kino hesitou em abri-la. Sabia que o que vira podia ter sido um reflexo, um pedaço de concha arrastado por acaso ou pura e simplesmente uma ilusão. Naquele golfo de luz incerta havia mais ilusões do que realidades.
Mas os olhos de Juana estvam cravados nele e ela não conseguia esperar mais. Pousou a mão sobre a cabeça tapada de Coyotito. - Abre-a - disse suavemente. Kino introduziu habilmente a faca entre as valvas da concha. Sentia a resistência do manto contra a faca. Usou a lâmina como uma alavanca e o músculo cedeu e a concha abriu-se. A carne semelhante a um lábio contorceu-se e depois descaiu. Kino ergueu a carne e lá estava ela, a grande pérola, perfeita como a Lua. Captou a luz, sublimou-a e refletiu-a em incandescências prateadas. Era tão grande como um ovo de gaivota. Era a maior pérola do mundo.

John Steibeck. (2015). A Pérola. Porto: Livros do Brasil, páginas. 7, 20, 21 e 22

Dia Internacional das Bibliotecas Escolares

A biblioteca terá que ser o centro da sociedade. O homem é um animal leitor, leitor do mundo. Procuramos a constelação das narrações: quem são os outros e onde estamos. Desenvolvemos o poder da imaginação. Somos capazes de criar o mundo antes mesmo da criação do mundo.Temos que aprender a conduzir-nos no mundo e a contar histórias. Criamos bibliotecas porque precisamos de saber quem somos, de onde vimos e para onde vamos. As bibliotecas são a memória pública e a memória privada.

A biblioteca é a autobiografia de cada um. É o rosto de cada um de nós. As bibliotecas são também a biografia da sociedade, a sua identidade. As bibliotecas públicas são o rosto da comunidade. Nós somos o que a biblioteca nos recorda o que somos. Um livro conta a experiência de cada um, onde estão as paixões mais secretas e os desejos mais íntimos. “Clínica da alma” é a melhor definição de biblioteca. A centralidade da atividade intelectual está na clínica da alma!

Alexandre Magno viajava sempre com o livro A Ilíada. O livro fazia-o aprender que as vítimas são tão importantes como os triunfadores. Um rei da Pérsia levava sempre os livros da sua biblioteca quando viajava - 117 mil livros - por ordem alfabética. No séc. XV, o conquistador Pedro de Mendoza levou 7 livros para fundar a cidade de Buenos Aires, autores como Petrarca, Virgílio, etc. Um conquistador leva a história de um outro povo para fundar outro povo, para que a biblioteca seja universal.

Duas figuras simbólicas: o Papa Gregório I (séc. VII) decidiu que a Biblioteca Palatina não devia ter autores pagãos e decide queimá-la, elegendo só alguns autores para lá permanecerem; S. Isidoro de Sevilha que afixa à porta da biblioteca “Aqui há obras cristãs e não cristãs”. Temos que deixar S. Isidoro acompanhar-nos nas bibliotecas, na procura da universalidade.

Falar da universalidade para a biblioteca virtual é uma ambição: ter todos os livros do mundo e continuar a ter os mesmos problemas da biblioteca de Alexandria. Os bibliotecários de Alexandria para resolver o problema da pesquisa de um documento precisavam de um motor de busca para encontrar o livro. Temos que estabelecer uma forma de pesquisa na biblioteca universal, o motor de busca perfeito. A biblioteca virtual não pode bastar-se a si mesmo.

Vivemos num mundo incoerente, absurdo, as bibliotecas dão uma certa coerência ao mundo. Não podemos esquecer-nos. À porta da biblioteca eu colocava “Clínica da alma- aqui se encontram livros de todo o género”, e colocava também uma pergunta “para quem são estes livros, para quem é esta biblioteca? Para quem é a tecnologia? Isto dá responsabilidade à biblioteca!

Alberto Manguel. “Reading and libraries”. (resumo aproximado). 02.2012.