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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Encontro com o escritor Tiago Patrício

Em Trás-os-Montes «vivem» quatro crianças, no coração de uma aldeia com duas igrejas, dois cemitérios, duas estações ferroviárias e um comboio a vapor que faz a sua última viagem. Numa zona de fronteira situam-se as hortas, as devesas, os lameiros e os palheiros onde o gado passa a noite. As crianças, com demasiado tempo livre depois das aulas, ficam na rua até ao anoitecer e as sombras ocupam-lhes os pensamentos. Nessa altura, as distracções dos adultos tomam a forma de desejos perigosos. É então que podem ser tentadas a ultrapassar a imitação e pretender consumar actos de adulto, como conduzir um automóvel, fumar um cigarro, aceder à literatura para adultos, atear um incêndio ou realizar um funeral. De leitura apaixonante, este é um romance surpreendente que conjuga de forma magistral a ruralidade, os anseios íntimos e aquilo que de universal existe na alma humana. Uma verdadeira grande revelação.


«Cada vez percebo menos, palavra de honra. Então fez-se a Revolução para quê? Agora vós também vos armais em esquisitas? Uma pessoa aqui a fazer-vos as vontades todas, a tratar-vos bem, a levar-vos nas palminhas, sempre simpáticos, a deixar os nossos afazeres para vos satisfazer, a abrir as portas das nossas casas e a oferecer o melhor vinho e a melhor comida e todas as coisas típicas e agora, na hora da verdade, é assim? É que para ti nem era nada de especial e para mim significava muito. Nem imaginas, desde que te vi ao pé da igreja no primeiro dia que ando aqui cheio de vontade e tu nada. Ouve lá, tu se calhar não gostas de homens? É isso, não é? Ouvi dizer que isso era moda nas cidades. Mas olha que eu trato-te bem, tu sabes que eu sei preparar muito bem uma mulher, é uma coisa natural para mim e nunca tenho pressas. Mas se tu não queres aproveitar, lá se vai a oportunidade, mas olha que acho mal. Até estou a sentir-me desprezado e isso é um sentimento negativo, acho que estás a criar mau ambiente sem necessidade.» 
(Um excerto)

(in sinopse - gradiva.pt)

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Festival literário internacional de Óbidos (2ª edição)

Inicia-se hoje o 2º festival de literatura Fólio na vida de Óbidos com uma programação de uma dimensão e qualidade notáveis, arriscando-se a ser o grande acontecimento de literatura do País por aquilo que se propõe realizar. 

A organização estima um conjunto de visitas que chegue aos vinte mil visitantes e conta com a participação de autores consagrados e de grande nível literário como o prémio Nobel da Literatura V.S. Naipaul, o britânico Salman Rushdie, o islandês Jón Kalman Stefánsson, o mexicano Juan Pablo Villalobos, a luso-angolana Djaimilia Pereira de Almeida, e a ilustradora alemã Jutta Bauer.

Serão desenvolvidas um conjunto diversificado de atividades como, mesas de autor, tertúlias, leituras encenadas, aulas, exposições, teatro, concertos, cinema e um seminário internacional de educação. 

O Folio pretende celebrar os 500 anos da publicação de "Utopia", de Thomas More, o Ano Internacional do Entendimento Global, o centenário do nascimento de Vergílio Ferreira, os 500 anos da morte do pintor Hieronymus Bosch e os 400 da morte de William Shakespeare e Miguel de Cervantes. Haverá também a evocação do poeta Ruy Belo, a quem será dedicado um dia do festival. Deixaremos no Twitter alguns dos destaques deste importante acontecimento. O link de acesso geral com o programa pode ser visto aqui.