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quinta-feira, 13 de outubro de 2016

A palavra e o mundo - A volta ao mundo em oitenta dias (II)

   "Phileas Fogg ganhara, portanto, a aposta - e efectuara em oitenta dias a viagem à volta do mundo! Utilizara nela todos os meios de transporte, paquetes, comboios, carruagens, iates, navios mercantes, trenós e um elefante. O excêntrico cavalheiro desenvolvera nesta empresa os seus maravilhosos dotes de sangue-frio e de exactidão. Mas, afinal, o que tinha ganho nesta deslocação? O que alcançara com a viagem?
   Nada, hão-de dizer. Nada, na verdade, a não ser uma sedutora mulher, que - por muito inverosímil que isto pareça - o tornou o mais feliz dos homens!
   Em rigor, não se faria ainda por menos a volta ao mundo?" (pág. 283) 

A Volta ao mundo em oitenta dias é um livro da literatura universal que cumpre um conjunto de objectivos de grande significado. Retrata uma época, introduz-nos na viagem como possibilidade humana e dá-nos o desafio da superação humana, o tempo individual face à geografia. O protagonista da história é um senhor inglês, Phileas Fogg, um cidadão de Londres que vive uma vida solitária e calma feita de rotinas.

É no Reform Clubé, onde passa grande parte do dia, e onde pela leitura dos jornais que toma conhecimento do roubo num banco. Discutindo sobre o paradeiro do ladrão defende a ideia de que poderia estar em qualquer ponto da Terra. Faz assim uma aposta de que em oitenta dias poderia dar a volta ao planeta. Livro de iniciação à viagem é também uma curiosa forma de ler o tempo. Mesmo com os transportes ainda em início de grande transformação, a utilização do vapor dá-lhe esse desafio, ainda que complementado com outras formas de locomoção. Hoje seria muito fácil fazê-lo. Na época de Júlio Verne essa aventura é o que lhe dá o sentido de um clássico. O sentido do desafio.

Assim o cavalheiro inglês acompanhado do seu criado, o francês Jean Passepartout atravessa oceanos em navios a vapor, utiliza estradas usando a carruagem, o comboio e até o meio pedestre ou o transporte por animais. É uma viagem cronométrica feita em oitenta dias, com partida e chegada a Londres. Na viagem depara-se com obstáculos e figuras tradicionais do romance como a jovem em apuros que é salva pelo nosso viajante.

A volta ao mundo em oitenta dias é assim um clássico pela integração de um conjunto de situações. Embora o livro tenha momentos e situações de romantismo foi escrito numa atmosfera de ficção e é como tal que o devemos ler, mesmo quando a sorte ou o dinheiro são a forma de ultrapassar dificuldades. A viagem é ela própria uma forma de superação, mas também de reencontro com ele próprio, com o encontro com o amor. A volta ao mundo em oitenta dias é um produto de imaginação e uma narrativa fascinante de um autor marcante do século XIX.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

A palavra e o mundo - A volta ao mundo em oitenta dias (I)

   
Algumas das capas de um livro que faz parte da cultura universal. Livro marcante de Júlio Verne, na edição de 1872 aqui com as ilustrações de Alphonse de Neuville e Lén Benett. A consultar. Aqui.