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quarta-feira, 19 de abril de 2023

A leitura profunda e os seus benefícios.

 A leitura profunda tem vários benefícios para o cérebro. Aqui fica um breve  

vídeo ilustrativo dessa temática:


 



Fonte: BBC News Mundo (texto adaptado)

Profª Bibliotecária: Ana Cristina Tavares

terça-feira, 21 de março de 2017

Dia Mundial da Poesia

Hoje é  o Dia Mundial da Poesia. Na verdade, deveria ser esse um dia de todos os dias. Há algum tempo Fernando Alves chamava a atenção para a necessidade de fazer baixar a poesia às coisas-mesmas para tocar no mundo. 
A urgência de fazer poisar a poesia no real, nas pessoas, na nossa vida, no quotidiano é-nos dita de forma sublime por Drummond, “temos apenas duas mãos e o sentimento do mundo”. Seja pois com as mãos que inventemos novas formas de ver o real, ou os modos de enfrentar a máquina do mundo, sobretudo quando "são de novo tristes as cidades sob a chuva" (Fernando Alves). 
Há algum tempo José Luís Peixoto afirmava que "a poesia é uma torre sobre a vida e sobre a morte". O poema é como navegar num mundo onde sem luz e sem corpo se encontra o que queremos fazer nessa viagem com os outros, o sorriso possível, o milagre de existir. A poesia é a forma de nomear aquilo que vemos e o modo como o compreendemos. A poesia é a narrativa da nossa essência, a beleza, a vida, o milagre entre momentos intermitentes de eternidade.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Dos livros

O livro é um dos objectos raros, por onde se construíram caminhos, fronteiras que fundaram novas realidades. O livro alimenta a imaginação, cria a fantasia e concede-nos a possibilidade de alimentar novos territórios para uma esperança, feita de mundos alternativos aos critérios da econometria. O livro constrói no universo das ideias, um realismo superior à realidade, pois dá-nos as fronteiras ilimitadas da leitura. 

Embora muitos dispensem esta chave de abrir tesouros e vidas infindáveis ela é um imenso privilégio. É-o, pois significa que superámos as mais baixas condições da utilidade dos dias, que já não vivemos num quotidiano de carências, de sobrevivência e de medo. A leitura permite ter acesso a um espaço de recolhimento, para desfrutar momentos de lazer e de conhecimento.

O que faz a grandeza do livro é a sua essência, isto é, não a leitura em si, mas a criação das imagens que ela suscita. Podemos dizer que a leitura vale pela sua literacia. O livro é o único suporte de leitura que se basta a si próprio, pelo que só depende do leitor, do seu tempo privado, ao contrário da televisão, ou do cinema. O livro chama-nos, carece do nosso entusiasmo. Ler é assim, acima de tudo, o momento de construção de imagens, “o levantar a cabeça”, imaginado essas imagens que a leitura trouxe. A leitura, a sua essência repousa na construção dessa reflexão, nesse tempo individual. A leitura isola o leitor, permite a imobilidade, instala o silêncio e concede-nos um processo de contra-movimento contra a cidade, o grupo, o barulho, o movimento, os outros, libertando-nos do tempo. 

Os livros são assim os elementos de um ritual de silêncio e descoberta, os instrumentos para a construção dum paraíso, essa divindade, de que tanto carecemos, justamente as Bibliotecas. Com elas e neles vivemos momentos, como respiração de recolhimento e reflexão. É dos livros e do seu silêncio ordenado que recebemos essa energia que nos permite descobrir em poucos anos universos inteiros. É pelos livros, pelas suas palavras, que damos peso, estrutura ao que somos. É na respiração das palavras que anunciamos as formas como que vemos o mundo, e somos muito, “aquilo que as palavras ouvem” (Manuel Anrónio Pina) e é por isso que eles são a mais bela forma de registar o mundo e as suas cores. 

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Dia Mundial do Livro - A leitura e o livro

Dia mundial do livro

 

O livro é um objeto único, raro por aquilo que nos dá. Ele é o único suporte de leitura que se basta a si próprio, pelo que só depende do leitor, do seu tempo privado, ao contrário da televisão, ou do cinema. O livro chama-nos, carece do nosso entusiasmo. Ler é assim, acima de tudo, o momento de construção de imagens, “o levantar a cabeça”, imaginado essas imagens que a leitura trouxe. A leitura, a sua essência repousa na construção dessa reflexão, nesse tempo individual. A leitura isola o leitor, permite a imobilidade, instala o silêncio e concede-nos um processo de contra-movimento contra a cidade, o grupo, o barulho, o movimento, os outros, libertando-nos do tempo.  

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O diálogo das palavras

"Se queremos escrever livros a sério temos que aspirar ao silêncio e encher os livros de silêncio. O leitor lê as palavras que não estão lá escritas e no entanto estão lá. O que os livros tratam todos é de uma paisagem interior. E é por isso muito difícil falar deles. É sempre a mesma busca.

Primeiro a angústia do homem no tempo e depois uma procura de si, da natureza do homem. Penso que os livros são todos isto. Muitas vezes não é um trabalho de elaboração prévio à escrita. É a própria escrita que vai moldando a estrutura do livro. O livro é feito de palavras. São as palavras que vão moldando. E só assim podem carregar com elas as emoções. E os grandes livros são são serão livros doentes? 

Este livro é triste. É idiota dizer isto, porque quando a mão é feliz, o livro é uma alegria para o leitor. Ou quando falam em intriga. Não há intrigas. As pessoas dizem vou contar uma história. Não vão contar história nenhuma. Os romances maus contam histórias. Os romances bons mostram-nos a nós mesmos. Talvez seja isso. Um mau romance é aquele que conta uma história.

Escrever é uma coisa muito difícil. O ideal é que o livro fosse encontrar um deserto com vozes. Reduzir as coisas à pedra de que somos feitos. D. Manuel José de Melo (autor do século XVII) dizia "o livro trata do que vai escrito nele". É isso. É o livro que manda, não é o autor. 

Temos perguntas, mas não temos respostas. E quando soubermos as respostas, Deus muda as perguntas. A nossa vida é uma pergunta perpétua. Os livros são perguntas que trazem respostas, muitas vezes às perguntas que não fizemos. Goethe dizia que "o não chegar é que faz a nossa grandeza". E como escritor de livros é isso que sou: um principiante". 

Jornal das Nove, SIC Notícias, 2012
Imagens  Copyright
 Good book by Julianna Collet Photography
Escritaria 2012 - Homenagem a António Lobo Antunes (Napoleão Monteiro)

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Os livros - no melhor de nós

"Ler torna o mundo melhor. Como, não sei. Ou seja, sei: de várias formas e cada um encontra a sua. É essa uma das graças dos livros, eles são uma mistura de religião e pequena banditagem. Tal como os bandidos nos filmes, os livros pegam em dois fios e, sem precisar de chave, ligam o carro. Quando são bonzitos, religam o leitor ao cosmos. Quando são mesmo bons, baralham e dão de novo. Um poema pode devolver-nos o sentido da vida. Já um romance é capaz de algo ainda mais importante, como ensinar-nos a namorar melhor.

Os livros são como as pessoas, só que em melhorzinho. Ninguém é fantástico vinte e quatro horas por dia. Autores banais fizeram livros extraordinários, porque no livro deram o litro. Imaginem o que seria a nossa vida só com os grandes momentos, tipo clip dos golos. Um livro é isso, uma sopa à qual basta juntar água e levar ao lume, ou seja, ao leitor. O livro está frio, desidratado, até que um leitor lhe pegue. Aí dá-se a faísca. Mas há um cuidado a ter.

Os livros são como o tango, dançados mano a mano. Se mil pessoas começam ao mesmo tempo a ler o mesmo livro, ao fim de poucos minutos já ninguém está sequer na mesma linha. Ao contrário do cinema e da televisão, o livro segue o tempo do leitor. É uma dança a dois, silenciosa como as melhores danças. Apesar de já estar escrito, impresso no papel, o livro só dança se o leitor quiser. O livro dá a melodia, o ritmo marca quem lê.

Os livros entram na nossa cabeça, porque é esse o poder da palavra escrita. Com uma originalidade: só entram na nossa cabeça se o leitor agir. Olhar todos olhamos. Ver implica estarmos atentos.E ler? Ler é olhar com intenção a dobrar: dos olhos e do espírito. Não fomos nós que criámos as árvores e o céu, mas fomos nós que inventámos a escrita: umas garatujas esquisitas que, juntas, formam coisas e ideias e sabores.

Sermos leitores não nos salva de nada. Infelizmente, quando fecharmos o livro a maior parte das vezes voltamos a ser quem éramos. A redenção durou pouco. Mas, enquanto estamos a ler, ah, nesse entretanto (nesse ler) podemos ser grandes! E a boa notícia é que há sempre outro livro por abrir.

Os livros dizem sempre a verdade, mesmo quando mentem. Cá está, uma vez mais: como as pessoas. Não, não estou a dizer que os livros são melhores que as pessoas. Apenas que os livros são as pessoas - autores e leitores no seu melhor".

Rui Zink, "Ler torna o mundo melhor", in Revista Estante (Número de Verão), pág. 6

terça-feira, 30 de setembro de 2014

As palavas ou a reescrita da voz...

Os livros são um dos objetos primordiais do que podemos chamar uma civilização. Com eles guardamos a memória e as inquietações anteriores a nós, mas também como eles descobrimos que eles nos fazem pensar melhor, afinal que podemos evoluir como pessoas, como sociedade. Apesar dos múltiplos ecráns estamos muito sós, nas palavras que queremos dizer, na voz que não se ouve. Palavras reescritas de uma respiração que se escuta nal sob um domínio, um ruído dominante dos media e de um poder formatado para os lugares comuns. 

É na leitura que nos descobrimos, que verificamos que valores nos conduzem, que formas de encontro conseguimos estabelecer com os outros. Os livros que lemos dizem muito das pessoas que conseguimos ser, dos conhecimentos que multiplicamos nas ideias que apreendemos e da perceção que temos do mundo e de nós próprios. 

Os livros são muito diversos, pois constrõem continentes de emoções, geografias de sentimentos, formas de ser, modos de pensar e de construir o mundo e são por isso um património de um profundo enriquecimento pessoal. Com eles fazemos viagens ligando o passado e o presente, numa ideia de algo a construir, a sonhar, embora nunca lá estejamos, esse futuro por viver. Eles, são por isso, os caminhantes de ideias e lugares, por onde passámos e onde eles chegarão. Com eles vivemos a possível eternidade. 

Os livros emergem com as palavras e ao nomeá-las, estamos a dar-lhes a substância de existirem, mesmo que se refiram ao que não temos, mesmo que sejam os sonhos antes dos sonhos, a respiração de ver o que se ama. Os livros e a leitura confirmam essa possibilidade maior de aceitarmos em partilha as vozes que nos chamam para o reconhecimento múltiplo da humanidade.