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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Paraíso Inabitado - Livro da semana

Título: Paraíso Inabitado
Autor: Ana María Matute
Edição: 1ª
Páginas:2009
Editor: Planeta
ISBN:  978-989-657-040-8
CDU: 821.131.1

Sinopse: 
"E esperou-me tanto que ainda lá está, com a mão levantada, acenando-me. naquele tempo, naquele lugar indefenível onde se guarda o mais profundo e, talvez, o mais inexplicável da memória." 

 É um livro autobiográfico, sendo sobretudo um canto de palavras, uma visita a esse território pouco definível que é a primeira infância. No cenário da guerra civil de Espanha, uma família, mas sobretudo uma criança que voando nas velas de barcos imaginários, nos contos onde escondia os seus medos e onde transfigurava os seus dias. É um livro sobre os sonhos redigidos no imaginário das fadas, dos cisnes que voam sobre as varandas do céu, dos unicórnios que se passeiam na noite do vivido.

É um livro onde se sente como a infância é um território de magia, misterioso, nem sempre límpido, mas continuadamente maravilhado pelo que se vive.É ainda um livro que acima do tempo histórico nos dá a dimensão humana da solidão, da tristeza, mas também da simplicidade de olhar para a luz, para o céu, para os objetos do quotidiano, com os olhos maravilhados, afinal repõe a humanidade que pertence ao próprio homem.É um livro que se oferece como uma obra de arte porque nos transporta para um universo, um imaginário, onde pela inocência se buscam mundos novos. A sua beleza permite-nos viajar no tempo e voltar a recordar as manhãs em que os raios de sol espreguiçavam sobre o quarto, aberto à luz, entre aquelas árvores, e por onde ainda nos parece vir o cheiro dos objetos e dos gestos afetivos de quem nos acompanhava.

É um grande livro, quase uma obra-prima. É um  livro que nos envolve e trata as emoções com a simplicidade que só as crianças conseguem. Um livro a descobrir sobre a memória do que todos fomos. Um livro a ler e a partilhar pela experiência que o envolve. Embora saibamos que os unicórnios não voltam, a memória dos seus passos no silêncio da noite pode ainda ser um reconforto.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Livro da semana - Os sonhos de Einstein

Título: Os sonhos de Einstein
Autor: Alan Lightman
Edição: 4ª 
Páginas:2008 
Editor: Asa
ISBN: 978-972-41-1380-7 
CDU: 821.111 

Sinopse:" Suponham que o tempo é um círculo que se curva para trás sobre si próprio. O mundo repete-se a si mesmo, rigorosamente, até ao infinito. A maior parte das pessoas ignora que voltará a viver a sua vida uma e outra vez. (...) No mundo em que o tempo é um círculo, cada aperto de mão, cada beijo, cada nascimento, cada palavra, irão repetir-se com precisão. (...) Tal como um objeto se pode deslocar em três direções perpendiculares umas às outras, horizontal, vertical e longitudinal, também um objeto pode participar de três futuros perpendiculares uns aos outros. Cada futuro é real (...) Alguns menosprezam as decisões, argumentando que todas as decisões acabarão por ocorrer. Num mundo assim, como poderia alguém ser responsável pelas suas ações?"

(Num pequeno livro, Alan Lightman conseguiu de uma forma admirável dar-nos os tempos do tempo, numa poesia dos dias, a exatidão dos princípios com que Einstein sonhou o Universo e a sua organização).

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Livro da semana - A minha 1ª Sophia













Título: A minha primeira Sophia
Autor: Fernando Pinto do Amaral
Edição: 1ª
Páginas:2009
Editor: D. Quixote
ISBN: 978-972-20-3854-6
CDU: 929

Sinopse: Editado pela primeira vez no último trimestre de 2009 e já com edições posteriores, A minha primeira Sophia é um encanto, pela linguagem simples que Fernando Pinto do Amaral soube construir para iniciar todos neste mundo, de sonho e espanto, o de Sophia. 

Ilustrado de uma forma muito inspirada por Fernanda Fragateiro, este livro é um objeto linguístico e artístico, para descobrir uma das mais importantes figuras da cultura que procurou pela linhas das palavras e da vida redescobrir o bem. 

Entre o azul do mar e o convite dos dias, A minha primeira Sophia dá-nos com simplicidade a grandeza de uma figura única, que nos sabe mostrar que, num tempo de deslumbre tecnológico, são os valores humanos o ânimo para lutar contra a injustiça e amanhecer em dias com mais significado e essência.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Livro da semana - Um deus passeando pela brisa da tarde

Título: Um deus passeando pela brisa da tarde
Autor: Mário de Carvalho
Edição: 14ª
Páginas: 215
Editor: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-04433-4
CDU: 821.134.3-31"19/20"

   
"Aperceberam-se de que o Senhor Deus percorria o jardim pela frescura do entardecer..."

É talvez um dos mais interessantes livros de Mário de Carvalho. Em Um deus passenado pela brisa da tarde, voltamos ao Império Romano, ao seu contexto cultural, aos símbolos da sua governação, através da história de um governador de uma cidade, justamente um duúnviro, Lúcio Valério e a sua chegada ao governo de Tarcisis. Nele vemos o afastamento do seu cargo num tempo de turbulência onde o Império já se sente incapaz de gerir o seu espaço e o dos povos nas suas fronteiras.

É um livro de um escritor maior pela qualidade da narrativa, mas também pela utilização de um quadro de recursos de grande significado. Trata-se de uma leitura muito interessante, que conduz o leitor num espaço narrativo que se alimenta dos condicionalismos particulares para o colocar ao sabor de um problema que não foi só do Império Romano. Ele é muito atual.

É um livro que nos faz interrogar até que ponto os sistemas políticos podem suportar as ideias de uma consciência livre e de homens corretos. É possível no governo da cidade não tomar em conta os seus rituais e não atender a uma satisfação pública como o critério mais relevante? É um livro que reconstrói no imaginário a atmosfera única que foi o início do tardo Império Romano. A justiça e o imaginário das convições sociais, de que modo são organizadas? É a sua garantia o que move mais as linhas de uma cultura dominante? Um livro sobre os momentos mais críticos, as tempestades e como os homens se podem organizar, os valores que podem ou devem manter.