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sexta-feira, 22 de abril de 2016

Dia da Terra 2016

"A civilização em que estamos é tão errada que
Nela o pensamento se desligou da mão
Ulisses rei de Ítaca carpeinteirou seu barco
E gabava-se também de saber conduzir
Num campo a direito o sulco do arado." (1)

O homem possuidor de um enorme bom senso e de uma inteligência cósmica aglutina-se na cidade pelo seu conforto secular, pela alegria de em comunhão com os seus vizinhos formular caminhos de civilização onde o natural e a memória são elementos de uma espiritualidade reconfortante. Este sonho capaz de redimir o Homem e dar significado à sua existência foi abandonado pelo superior valor de adormecer na luz das cidades perdidas com as moedas que guardam o futuro de todos os possíveis.

No dia vinte e dois de Abril celebra-se o Dia da Terra. A ação destruidora do homem sobre os habitats naturais é demasiado evidente. E até os santuários naturais, locais de reserva da vida natural estão ameaçados. Costumamos por postura de consciência adquirida expor neste dia todas as consequências da acção do homem e o conjunto de intenções, sempre grandiosas que os estados nacionais e os governos irão a partir de cada momento concretizar. Os governos e os homens prestam mais cuidado às moedas com que adormecem.

É pois um dia para despertar os que ainda não compreenderam a sacralidade da natureza, a nossa dependência dos seus fluxos vitais, o seu arquivo das nossas memórias para uma organização social com sentido. Na medida em que ao Homem ainda não parece suficiente toda a destruição causada, com consequências sobre a qualidade de vida de milhões da espécie humana, olhemos para a Terra, a sua beleza indescritível e aquilo que futuras gerações poderão perder, um Planeta grandioso e fascinante. E o convite a que saibamos estabelecer novos padrões para a manutenção da qualidade da água e do ar e para a  sobrevivência de muitos milhões de pessoas que vivem as dificuldades de uma utilização desajustada e irracional do Planeta. 
Sophia, "O rei de Ítaca", in O nome das coisas, página 42.
Imagens, in http://www.earthday.org/2015

sexta-feira, 20 de março de 2015

Equinócio de Primavera

Vai-te ao longo da costa discorrendo,
e outra terra acharás de mais verdade,
lá quase junto donde o Sol ardendo
iguala o dia e noite em quantidade.
Ali tua frota alegre recebendo,
Um Rei, com muitas obras de amizade,
Gasalhado seguro te daria
E, pera a Índia, certa e sábia guia.”

Assim falava o deus Mercúrio a Vasco da Gama, no Canto II dos Lusíadas, apontando para a ideia que hoje conhecemos de equinócio, ou quando o dia e a noite têm uma duração igual. Na verdade, o equinócio é esse instante em que o Sol, no seu movimento anual aparente, passa no equador celeste. Damos habitualmente o nome de equinócio, ao momento em que associamos a chegada da Primavera. Os astrónomos consideram que o equinócio da Primavera é o momento em que visto ou observado da Terra, o Sol cruza a linha do equador terrestre que se projeta na esfera celeste. No hemisfério norte este equinócio ocorre em Março e no Hemisfério Sul acontece em Setembro. 

Não conhecendo o detalhe científico dado pela Astronomia, diferentes povos e culturas sempre celebraram a chegada da Primavera que representava o fim de um tempo difícil, cheio de privações, a longa noite, O Inverno. Várias culturas fizeram esta celebração do renascimento da vida, a que ficaram associados festividades de fertilidade e abundância. 

A Páscoa e em concreto a simbologia dos ovos remete-nos também para os símbolos da fertilidade que em diferentes culturas de diversas latitudes sempre fizeram parte da sua forma de construir as suas cosmogonias,isto é a sua visão do mundo. A Primavera é pois um período de renovação, de afirmação da vida, para novas construções e vivências nos dias à frente. Uma das formas de o celebrar é com a Poesia.