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segunda-feira, 6 de março de 2017

Difusão documental (16.17) - (VIII)

13 - O jogo das nuvens / Johann Wolfgang Goethe ; sel., trad., pref. e notas João Barrento. – 2.ª ed. - Porto : Assírio & Alvim, 2012. - 110 p. : il. ; 19 cm. - (Gato maltês ; 53). - ISBN 978-972-37-0785-4
Mas de onde vem o interesse de Goethe pelas nuvens, o tema específico dos textos reunidos neste pequeno volume? Na fase a que praticamente todos eles se referem (a segunda e terceira décadas do século XIX, a época posterior às Guerras Napoleónicas, que em Goethe corresponde a uma retirada para a esfera interior e a um regresso às ciências da natureza, a óptica, a química e a meteorologia, depois de, ainda no século anterior, se ter empenhado no estudo da geologia e da minerologia, da zoologia e da botânica, da anatomia e da osteologia), o catalisador direto do interesse meteorológico foi o conhecimento da teoria classificativa das nuvens apresentada em 1802 por Luke Howard (On the Modifications of Clouds, publicado em 1803), de que Goethe toma conhecimento através do Grão-Duque Carlos Augusto, que em 1815 mandara construir no Ettersberg, a norte de Weimar, a primeira estação meteorológica do grão-ducado.” 
 - Do Prefácio -

14 - Felizmente há luar! / Luís Stau Monteiro. - [3.ª ed., 1.ª reimp.]. - [Porto] : Areal, 2015. - 140 p. ; 21 cm. - (Teatro). - ISBN 978-972-627-744-6


Denunciando a injustiça da repressão e das perseguições políticas levadas a cabo pelo Estado Novo, a peça Felizmente Há Luar!, publicada em 1961, no mesmo ano de Angústia para o Jantar, esteve proibida pela censura durante muitos anos. Só em 1978 foi pela primeira vez levada à cena, no Teatro Nacional, numa encenação do próprio Sttau Monteiro.
 “Eu sou um homem de teatro concreto, real, de palco. Para mim, o teatro surge quando está no palco, quando estabelece uma relação social, concreta, num povo e num grupo. O livro meramente, ou o texto, tem para mim muito pouco significado, apesar de eu ser um autor teatral. (...) Se vocês são o teatro do futuro, eu sou o do passado. Eu sou um homem para quem só conta o espectáculo”.


Luís de Sttau Monteiro, Le théâtre sous la contrainte, Atas do Colóquio Internacional. Universidade de Provence, 1988. 

15 - Antologia Poética / Jacques Brel ; trad: E. leão Maia ; 2.ª ed. - Lisboa : Assírio & Alvim, 1997. – 165 p. ; 21 cm ; 21 cm. – (Rei Lagarto ; 11) - ISBN 972-37-0007-7

As palavras de Brel numa Antologia essencial sobre a sua poesia .

Disseste-te um trovador pelas palavras que ressuscitavam uma dor, a indiferença do mundo, pequenos gritos, como as andorinhas em tardes de inverno. Revelaste-nos um caminho de pérolas em países onde não chovia e destas palavras atabalhoadas dar-me-ias o teu sorriso tão fresco, a tua pele transpirada de emoções e uma voz que enuncia de uma forma tão bela a linguagem. Nasci quando tu já te encaminhavas para o silêncio azul das Marquis, na procura de uma aventura maior, a doce brisa da liberdade em ondas de alegria. Aqui, do teu corpo de jacintos, sei que ainda nos cantarias, “quand il était beau” e rir-nos-íamos dos acomodados e levantaríamos um sorriso pelos esquecidos. Levaríamos o vento no rosto, como essas linhas de flores que correm caminhos sós, como comboios à espera da Primavera, à espera de nós. E eu te diria, o que muitos ainda te dizem, je t’ aime encore, mon ami!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Difusão documental (16.17) - (VI)

10 - O Mandarim / Eça de Queirós. – 1.ª ed. – Porto : Porto Editora, 2010. - 930 p. ; 20 cm. - ISBN 978-972-0-04968-1

«Na sua obra, O Mandarim, Eça tem uma visão muito pessoal dos países orientais e da antiguidade. A sua imaginação volta a trabalhar para nos oferecer, com fina uma visão muito pessoal dos países orientais e da Antiguidade. Voltamos a encontrar a ironia numa obra de grande riqueza psicológica e onde também temos momentos de descrição sugestiva nos sonhos. Nomeadamente nos de Teodoro, da procura da sua opulência, numa viagem à China. O Mandarim é uma obra que pertence ao sonho, não à realidade, mas que caracteriza alguns dos aspetos mais espontâneos do espírito português.

11 - Matéria solar / Eugénio de Andrade ; pref. Manuel Rodrigues. – 1.ª ed. - Lisboa : Assírio & Alvim, 2015. - 78, [1] p. ; 21 cm. - (Obras de Eugénio de Andrade ; 12). - ISBN 978-972-37-1813-3

«Discreto arredio dos palcos sociais, mas humanamente fiel e afim ao devir da natureza, mãe de efémeras metamorfoses; sem transcendências, dogmas ou mitos moralizadores, Eugénio de Andrade é um exemplo excepcional, "clássico" portanto, da melhor figura do criador — e esta obra, em pequeno livro, é disso uma muito feliz demonstração.» 
- Manuel Rodrigues, no prefácio a esta edição
“A tarde sacudiu as suas crinas,
As crianças demoram-se nos espelhos,
Um amigo começa no verão, 
No íntimo despir das suas luzes.”, “6”, pág. 32

12 - Vertentes do olhar / Eugénio de Andrade ; pref. Fernando J. B. Martinho. – 1.ª ed. - [Lisboa] : Assírio & Alvim, 2016. - 87 p. ; 21 cm. - (Obras de Eugénio de Andrade ; 15). - ISBN 978-972-37-1895-9

Vertentes do olhar é um livro de Eugénio de Andrade composto por poemas em prosa, que abarcam mais de quarenta anos de produção poética do autor.
«Entre o mais antigo poema deste livro ("Fábula", 1946) e o mais recente ("A Sereia do Báltico", 1988) passaram mais de quarenta anos.
É uma vida à procura de uma voz. A melodia do homem nasce dessa busca incessante: descobre-se quando nos descobrimos. Não foi fácil: desaprender custa mais do que aprender. Estarei agora, ao menos, mais perto desse dizer que ajude outros a falar?».
- Do prefácio -
«Com os Olhos talvez um dia. Talvez um dia alcancemos essa voz, já sem o peso da luz sobre os ombros. Os olhos chegarão então ao fim da sua tarefa; os olhos, instrumentos felizes da realidade mais real. Porque ver sempre foi tocar. Tocar uma a uma cada coisa com os olhos, antes da mão se aproximar para recolher os últimos brilhos de setembro.

Vede como se afasta com fulva lentidão de tigre.»

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Difusão documental (16.17) - (IV)

7 - Os Lusíadas em prosa / adapt. Amélia Pinto Pais. - [1.ª ed., 7.ª reimp.]. - Porto : Areal, 2015. - 141 p. : il. ; 17 cm. - ISBN 978-972-627-559-6

Os Lusíadas em Prosa é um livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura, para o 9.º ano de escolaridade e para a leitura orientada na sala de aula. «Como interessar os jovens na leitura de "Os Lusíadas"? Qual o melhor modo para os introduzir na fruição desse poema "fundador", que ainda hoje é o poema por excelência da nossa língua, se não mesmo, na nossa língua, o Poema por antonomásia? (...) A solução adotada por Amélia Pinto Pais, nesta adaptação em prosa do soberano poema de Camões, parece-me, pois, inteiramente válida, merecendo que não se lhe regateiem aplausos, tanto pela dinâmica familiaridade que em relação à obra incessantemente revela, como pelo extremo escrúpulo colocado na fidelidade da transposição. (...) Ótimo serviço é o que deste modo a autora presta a futuros possíveis fruidores do magno texto a que este livro serve de introdução.» - Do Prefácio de David Mourão-Ferreira -


8 - O primo Basílio / Eça de Queirós. - [1.ª ed]. - Porto : Porto Editora, 2010. - 470 p. ; 20 cm. - ISBN 978-972-0-04960-5

O primo Basílio é um dos grandes romances de Eça de Queiroz. Luísa e Jorge são o modelo do casal burguês da Lisboa de finais do século XIX, a que apenas faltam os filhos para alcançarem a plenitude da felicidade. Porém, quando Jorge é forçado a afastar-se da mulher e a partir para o Alentejo durante algumas semanas, Luísa deixa-se levar pelo tédio e pelo aborrecimento de estar sozinha em casa. A chegada do seu primo Basílio, que antes de emigrar para o Brasil a cortejara, acaba por conduzi-la a uma teia de enganos, adultério, chantagem e tragédia, numa brilhante sátira à moralidade e aos costumes da época como somente Eça de Queirós seria capaz de criar.



9 - Branco no branco / contra a obscuridade  / Eugénio de Andrade. – 1.ª ed.  - Lisboa : Assírio & Alvim, 2015. - 103 p. ; 21 cm. (Obras de Eugénio de Andrade ; 12) - ISBN978-972-37-1895-9

Branco no Branco/Contra a obscuridade reúne dois livros de Eugénio de Andrade, escritos já em plena maturidade poética do autor: Branco no Branco, de 1984, e Contra a Obscuridade, de 1988.  Como nos diz António Carlos Cortez, no prefácio que escreveu para esta edição, «Dos ecos que se propagam de “Branco no Branco · Contra a Obscuridade” para a nossa própria leitura, vale a pena ver como vibram nas páginas finais desta reunião certos flashes que dão conta do estado último a que esta escrita chegou: um estado de máxima depuração. Uma depuração que não deixa de ser um assumir da imperfeição de todo o objeto, pois que a poesia é um processo a fazer-se, "labor limae" infindável.»

A claridade coroa-se de cinza, eu sei:
É sempre a tremer que levo o sol à boca.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Difusão documental (16.17) - (III)

4 - Contos de São Petesburgo / Nikolai Gógol ; trad. Nina Guerra e Filipe Guerra ; 2.ª ed. - Lisboa : Assírio & Alvim, 2013. - 244 [3] p. ; 21 cm ; 21 cm. – ISBN 978-972-0-79313-3

Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o Ensino Secundário e que reúne as cinco «Histórias de Petersburgo» - «Avenida Névski» (1834), «Diário de um Louco» (1834), «O Nariz» (1836), «O Retrato» (1841) e «O Capote» (1841). Acrescentou-se «A Caleche» (1836), pequeno conto que alguns autores integram neste ciclo. Trata-se do chamado «segundo período» da obra do autor, que se seguiu ao período das histórias ucranianas - «Noites na Granja ao pé de Dikanka» e «Mírgorod». Estes contos do fantástico-real (ou real-fantástico), integrando o humor e a sátira inconfundíveis de Gógol, tiveram grande influência no posterior desenvolvimento da prosa literária russa e, também, no de todas as literaturas ocidentais. A modernidade das propostas de Gógol continua mais viva do que nunca nestas histórias em que a personagem principal é a cidade de Petersburgo: mesquinha, sufocante, ridícula, irrisória e ilusória.

5 - Mensagem / Fernando Pessoa ; ed. Fernando Cabral Martins. – 1.ª ed., [2.ª] reimp. - Lisboa : Assírio & Alvim, 2014. - 116, [2] p. ; 21 cm. - (Obras de Fernando Pessoa ; 1). - ISBN 978-972-37-0436-5

"O grande poema épico do século XX interpretado por um grande artista, numa edição que conta com um estudo de um reputado especialista PESSOANO. Mensagem é a única obra completa de Fernando Pessoa publicada em vida. A sua publicação dá-se no dia 1 de dezembro de 1934, aquando das comemorações da Restauração. Os 44 poemas que a constituem estão agrupados em três partes, correspondentes às etapas da evolução do Império Português - nascimento, realização e morte. Em "No Brasão", estão os construtores do Império; em "Mar Português", surge o sonho marítimo e a obra das descobertas; em "o Encoberto" aparece a imagem do Império moribundo. Concorrente ao "Prémio Antero de Quental", foi preterida a favor de uma obra de um padre, que ilustrava a fé do povo conveniente ao regime, tendo de contentar-se com o segundo lugar no concurso. Hoje é reconhecida como uma obra fundamental da poesia portuguesa." 

6 - Uma abelha na chuva : Carlos de Oliveira ; rev. Luis Manuel Gaspar. - Reimp. - Lisboa : Assírio & Alvim, 2015. - 132, [4] p. ; 21 cm. - (Obras de Carlos de Oliveira). - ISBN 972-37-0800-4

Uma Abelha na Chuva conta-nos as peripécias de Álvaro Rodrigues Silvestre, sujeito às “instigações” de sua esposa, D. Maria dos Prazeres Pessoa de Alva Sancho Silvestre. O livro começa com uma confissão de Álvaro e com a sua vontade de a tornar pública na primeira página da Comarca — uma redenção consigo próprio.

Esta história leva-nos à aldeia de Montouro num outono chuvoso, onde conhecemos as personagens que rodeiam este casal e constituem a aldeia — João Medeiros, Padre Abel, D. Violante, Dr. Neto, o irmão Leopoldino, Clara, mestre António, sua filha Ana, Mariana, Jacinto (o ruivo), Marcelo, João Dias, e pelos quais ficamos a conhecer o Portugal provinciano de meados do século XX. 
Como afirma o autor, “Por onde a solidão a fazia resvalar. E o quarto tão frio. Talvez os ventos, os granizos do norte, as grandes chuvas. Talvez D. Violante. Mas sobretudo a velha casa de Alva, quando a miséria não chegara ainda e, atrás dela, os Silvestres. Agora é o marido labrego e doentio, as bebedeiras, o desencanto, isto. Quer melhores nortadas, D. Violante?”. O escritor acaba por ironizar a sabedoria popular, juntando os aspetos mais ancestrais e aqueles que revelam uma cultura de dimensão, tantas vezes, tacanha.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Difusão documental (16.17) - (I)

1 - A queda de um anjo / Camilo Castelo Branco ;1.ª ed. - Porto : Porto Editora, 2010. - 207 p. ; 20 cm. - ISBN 978-972-0-04972-8

Nesta obra, A queda de um Anjo, Camilo Castelo Branco centra a sua narrativa numa figura, Calisto Elói, um erudito fidalgo transmontano, austero e conservador, ligado ao passado, às lições da História, às antigas noções de moralidade e bondade e mergulhado constantemente nos seus clássicos de História, Cultura, Música, Vinhos, Filosofia. Eleito deputado do Minho, Calisto é enviado para Lisboa como representante da região. Defensor acérrimo das suas convicções sobre a moral, a verdade e a justiça, a sua cruzada contra a depravação e a corrupção acaba esquecida, quando ele próprio se deixa corromper pelo luxo e pelo prazer que imperam na capital, tomando como amante uma prima afastada, Ifigénia, e transitando da oposição miguelista para o partido liberal no governo. Ironicamente, Teodora, esposa de Calisto, acaba por imitá-lo na devassidão: desprezada pelo marido, une-se a um primo interesseiro e sucumbe aos vícios da modernidade.

2 - A ilustre casa de Ramires / Eça de Queirós ;1.ª ed. - Porto : Porto Editora, 2010. - 368 p. ; 20 cm. - ISBN 978-972-0-04979-7

Gonçalo Mendes Ramires é o Fidalgo da Torre, um jovem herdeiro de uma família nobre e antiga, os Ramires, e é a personagem principal deste livro.
A história de A Ilustre Casa de Ramires é desenvolvida em dois momentos. Um que se foca na vida de Gonçalo e nas suas aspirações, outro, na história que este está a escrever, na qual relata a história da família Ramires. Gonçalo provou-me alguns sentimentos contraditórios, pois é um jovem algo fútil, covarde e com uma imaginação fértil, mas ao mesmo tempo uma pessoa naturalmente bondosa.
A escrita é rica, com inúmeras descrições e onde é possível notar diferenças entre os dois momentos da narrativa, visto que a história sobre os antepassados da família Ramires é mais lenta, enquanto que a vida quotidiana de Gonçalo tem mais diálogos e ironias que nos prendem a atenção. Ao longo do livro, sentimos que Eça quis retratar Gonçalo de uma forma especial e, no final, temos a confirmação. Gonçalo é a representação de Portugal, com as suas indecisões e medos, mas que aspira a um futuro risonho e com impacto na sociedade. Esta história da Casa de Ramires que levou sete anos a transformar-se no romance A Ilustre Casa de Ramires teve uma longa gestação, de que ficaram marcas entre os papéis do escritor: longas listas de vocabulário medieval relativo ao vestuário, a utensílios e pormenores de castelos medievais. 

3 - A Relíquia / Eça de Queirós ;1ª ed. - Porto : Porto Editora, 2016. - 286 p. ; 20 cm. – ISBN 978-972-0-04955-1

A Relíquia é um romance de Eça de Queirós publicado em folhetins na Gazeta de Notícias, cuja epígrafe se tornou célebre - "Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia". Esta epígrafe sintetiza a aliança entre realismo e imaginação, naturalismo e fantástico, patente na obra. Da intriga central - a viagem de Teodorico à Terra Santa, de onde traz, não a relíquia que prometera à tia beata, mas sim, por lapso, a camisa de dormir de uma amante - sobressai o sonho ou a viagem no tempo do protagonista, que, acompanhado pelo seu erudito amigo, Dr. Topsius, assiste à pregação, julgamento e morte de Jesus. A obra, que exalta a figura humana de Cristo, como paradigma de amor e de bondade, foi considerada herética pelos setores mais conservadores por questionar a divindade de Cristo.