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segunda-feira, 27 de abril de 2015

Poesia de Alberto Caeiro - livro da semana

Título: Poesia de Alberto Caeiro 
Autor: Fernando Pessoa  
Edição: 1ªd. 
Páginas: 293
Editor: Assírio&Alvim
ISBN: 978-972-37-0654-3
CDU:  821.134.3-1"19"
Sinopse: 

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...

Creio no Mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...

Fernando Pessoa, “O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto Caeiro.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Os Maias - Livro da semana

Título: Os Maias 
Autor: Eça de Queiroz  
Edição: 7ª 
Páginas: 681  
Editor: Livros do Brasil 
ISBN/DL: PT - 80023/94
CDU:  821.134.3-31"18"
Sinopse:  José Saramago disse deste livro e de Eça que se tratava do maior livro escrito pelo maior escritor de todos os tempos. É um retrato de uma família do Portugal de oitocentos, mas também e sobretudo o de um País encostado a uma visão do mundo impreparada para o tempo de transformação das ideias e da sociedade. No tempo conjuntural em que todos vivemos, alguns, muitos conseguem observar a espuma da água que chega à praia, outros vislumbram a onda e o seu movimento, mas muito poucos conseguem compreender o que internamente permite o movimento, o tempo da longa duração. Na vedade, o que impede novas cores e novas possibilidades que a maioria apenas observa. Eça teve essa capacidade. Conseguiu dar-nos em páginas de génio o que nos faz pertencer a um tempo civilizacional e não participar dele, da sua transformação.