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terça-feira, 6 de junho de 2017

Os Filmes do mês (destaques)


 


 

O mês que passou estreou alguns filmes que abrangeram diferentes géneros.
A escolha do Rei de Erik Poppe dá-nos uma narrativa que nos conduz à segunda guerra mundial e às escolhas que o rei da Noruega teve de fazer perante as ameaças do regime hitleriano, feitas em 1940. Filme interessante e importante que nos dá o testemunho de como a existência de líderes com alto valor de honestidade pode fazer toda a diferença na gestão das sociedades humanas.
Ainda sobre a 2ª Guerra Mundial, Heróis da nação da realizadora, Lone Scherfig mostra-nos o papel das populações civis para atenuar os efeitos negativos da violência e da destruição caudas em períodos de conflito. O filme faz a adaptação do livro “Their Finest Hour and a Half”, da escritora inglesa Lissa Evans. Nele vemos ser destacado o esforço de mulheres na realização dos filmes de propaganda ingleses que contribuíram para levantar o moral das populações durante o Blitzkriegg. Este papel das mulheres e do cinema foi ainda determinante para convencer os norte-americanos a entrarem no conflito.
A cidade perdida de Z de James Gray, Pirata das Caraíbas: homens mortos não contam histórias de Joaquim Ronning e Espen Sandberg focalizam a narrativa na acção e aventura. O sentido do fim de Ritesh Batra é um filme de componentes emotivas muito acentuadas e apresenta a leitura fílmica, a partir da obra homónima de Julian Barnes. Por fim, dois filmes ligados ao cinema de animação. Justamente, A Minha Vida de Courgette que, utilizando as técnicas de manipulação de pequenos bonequinhos (“stop motion”), apresenta um emocionante e comovente retrato de um órfão e Amarelinho de Christian De Vita. Estes dois filmes têm uma mensagem educativa muito significativa, transmitindo valores ligados à superação individual e à força de vontade.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Os filmes do mês

 Abril trouxe-nos um conjunto de filmes que se dedicaram a construir narrativas onde encontramos, o amor, a guerra e a esperança. Podemos destacar os seguintes:
  • Ali e Nino de Asif Kapadia;
  • The last face de Sean Penn
  • O Jardim da Esperança de Niki Caro;
Ali e Nino é uma co-produção do Azerbeijão e da Grã-Bretanha, com a realização de Asif Kapadia. O filme mistura uma história de amor e a guerra no período do início do século XX, quando o Azerbeijão lutava pela sua independência política. O filme apresenta-se como um remake num cenário diverso de Romeu e Julieta. Ele é um descendente de grandes famílias do Azerbeijão ligadas à exploração petrolífera. Ela é uma princesa cristã da linha ortodoxa. Ali e Nino procura trazer-nos uma narrativa que transporta para o cinema, um dos mais importantes livros da literatura do Azerbeijão, da autoria de Kurban Said e publicado em 1937.

The Last Face é igualmente uma narrativa que se centra numa história de amor cujo horizonte temporal é a História recente do continente africano. Com os papéis principais desempenhados por Javier Bardem e Charlize Theron, The Last Face, traduzido por A Última Fronteira é realizado por Sean Penn. O cenário do filme é a guerra civil na Libéria e toda a narrativa do filme se debruça sobre a ajuda humanitária internacional e os esforços para prestar ajuda à sobrevivência da vida humana, num contexto, onde ela já perdeu toda a referência de humanidade. 

O Jardim da Esperança realizado por Niki Caro é um filme que nos traz de novo a temática, do que foi um dos maiores pesadelos da História Humana, O Holocausto Nazi e a luta pela sobrevivência humana. O filme passa-se no período inicial da 2ª Guerra Mundial, com a invasão da Polónia pela Alemanha. O filme baseia-se no livro de Diane Ackerman que foi escrito a partir dos Diários de Antonina Zabinska. Isto significa que o filme, como o filme tem uma componente de documento histórico de grande significado. O Jardim da Esperança é na verdade o Jardim Zoológico de Varsóvia, onde duas pessoas tentam salvar o maior número possível de judeus da violência da ocupação nazi. Filme que também nos revela como pessoas comuns tentaram ajudar pessoas que tentavam salvar a vida e de que modo se ligava essa ajuda à Resistência.

Autor do texto: - Profº Bibliotecário - Luís Campos -

sexta-feira, 31 de março de 2017

Os filmes do mês

São Jorge é um filme português que entrou em exibição nas salas de cinema durante o mês de março e que nos devolve uma leitura sobre os anos da Troika em Portugal, justamente 2012 a 2015. É um filme assinado na realização por Marco Martins e que tem na representação de Nuno Lopes um enorme papel, que foi premiado no último festival de cinema de Veneza.

O filme retrata uma comunidade humana, a cidade da Bela Vista, na Amadora e nos a vida a procurar sobreviver ao mínimo possível. Jogador de boxe, Jorge, para manter a família decide candidatar-se a um emprego, segurança numa empresa de cobranças. Existiam em Portugal, em 2015, mais dez mil empresas de cobranças. Estas empresas estavam legalizadas, mas podiam usar os métodos que entendessem para recuperar o valor das dívidas. 

O filme retrata não só uma profunda crise económica e social, mas  também as relações humanas que eram em muitas situações de assinalável racismo. O homem isolado numa sociedade em que tudo vale revela-nos uma densidade dramática que nem todos terão tido conhecimento. É uma obra cinematográfica de grande relevo, pois faz o que raramente o cinema em Portugal tenta construir, que é uma leitura sobre os acontecimentos, enquanto eles ainda persistem. O filme deixa muitas zonas de silêncio sobre o tempo social e político, para quem o souber ler. Um filme a ver.

Aquarius foi outra das estreias do mês de março que se revela um grande filme de cinema. Realizado por Kleber Mendonça Filho e com a participação especial de Sónia Braga, o filme mostra uma realidade que vai sendo progressiva em cidades tornadas mostras de uma Disneylândia para investidores ricos. Uma viúva reformada tenta lutar contra a compra e os métodos usados por uma grande empresa para vender o seu apartamento. Filme de grande significado, com uma representação notável e que é um grito de pessoas isoladas contra o poder especulativo e financeiro de grupos sem dimensão humana.


Negação de Mick Jackson é um filme que procura retratar uma disputa judicial que envolve uma historiadora do Holocausto e uma figura que o nega. O filme baseia-se no livro de Deborah Lipstadt, Denial: Holocaust History on Trial. O filme coloca uma das questões que há algumas décadas alguma historiografia quis levantar, embora seja sobretudo um ato de fé e não a produção de conhecimento. As lutas ideológicas e religiosas contribuem pouco para o conhecimento da realidade. Ainda assim é um filme curioso para conhecer a ideia da negação.

Dois outros filmes ainda estreados em março são Um Reino Unido de Amma Asante e Um Instante de Amor de Nicole Garcia.

Em Um Reino Unido a realizadora devolve-nos uma história verídica acontecida no final da década de quarenta do século XX, envolvendo um príncipe herdeiro  do Botoswana, Seretse Khama e uma britânica branca, Ruth Williams. A história é interessante e serve como documentário a uma realidade que foi superada,  a do apartheid e a do colonialismo. Trata-se de uma mor que venceu as dominações políticas da época. 

Um Instante de amor é um filme que se baseia na obra homónima de Milena Agus e tem em Marion Cotillard um grande desempenho. A narrativa ocorre na França no início da década de cinquenta. 
Filme sobre os tempos após a 2ª guerra mundial e que nos questiona sobre as dificuldades de as mulheres terem um papel mais participativo numa sociedade conservadora, sobretudo em ultrapassar esquemas culturais muito rígidos em relação aos comportamentos. Gabrielle sente-se angustiada pela vida e como tem de a viver. O seu conhecimento com André Sauvage, um ex-soldado ferido na guerra da Indochina parece dar um sentido novo à sua vida, parece dar-lhe a conhecer uma forma diferente de amor.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Os filmes do Mês

O nazismo e a história da 2ª guerra mundial são um período onde se levantaram os fantasmas mais negros de uma história humana que ainda tentamos compreender. Narrativa que fascina no sentido de compreender essa ação incompreensível de encontrar alguma coisa no mal e na morte. Se a literatura tem falado sobre isso, o cinema também. Nos destaques deste mês essa é a temática que une diferentes filmes que vale a pena ver.

As inocentes de Anne Fontaine esteve em destaque na festa do cinema francês, festival recentemente dinamizado em Lisboa e acolheu muitas preferências nesse certame. É considerado um dos filmes do ano me conta-nos uma história verídica. 
A de uma médica comunista que trabalhava na Cruz Vermelha Francesa e que desenvolveu uma ação de ajuda a freiras num convento na Polónia que tinham sido vítimas de violação por soldados soviéticos do decurso da 2ª Gueera Mundial. Filme de grande envolvência emocional e psicológica na reconstrução de uma atmosfera e de um conjunto de vidas.


Com uma temática aproximada, A primavera é um filme que nos fala desses ambientes violentos, mas ao contrário de em As Inocentes, é a inocência e a imaginação de uma criança que nos conta uma história. A primavera é um filme de Christine de Mirjam Unger e cuja narrativa se desenrola em Viena, baseia-se na obra autobiográfica de Christine Nöstlinger.

Dado a conhecer no Lisbon and Estoril Film Festival, A Infância de um Líder de Brady Corbert foi vencedor como Prémio “Melhor Primeiro Filme” e tinha já obtido o prémio de “Melhor Realizador” no 72º Festival de cinema de Veneza. A Infância de um Líder é um filme que se baseia num conto de Jean-Paul Sartre, datado de 1939 e nele se revela em forma de documentário a ascensão do fascismo no século XX.


Se o nazismo foi uma história do mal e uma cegueira do espírito, ele teve mesmo na Alemanha, focos de resistência pela luta pelo sentido mais humano do homem. Sozinhos em Berlim é um filme de Vincent Pérez que reconstitui uma história verídica que já conhecíamos através do livro com o mesmo nome de Hans Fallada. Sozinhos em Berlim, relata-nos a história de coragem de Otto e Elise Hampel pela luta contra o nazismo no interior da Alemanha nazi.
Filme que nos devolve a luta essencial pela dignidade humana apelando ao valor da desobediência civil. Como disse Ellie Wiesel é essencial recuperar estas vozes que lutaram com uma coragem que nem nós no mundo de hoje podemos sonhar, pois não os recuperar seria matá-los duplamente.
Mel Gibson filmou a história do primeiro soldado americano a manifestar-se objector de consciência. O filme já tinha sido dadop a conhecer no “Lisbon and Estoril Festival” e trata-se de uma narrativa verídica de um homem, Desmond Doss, que era médico do exército e do modo como não combatendo salvou mais de sete dezenas de soldados na batalha de Okinawa. O herói de Hacksaw Ridge é um filme que aborda na temática da 2ª Guerra mundial o valor individual como forma de superar o sofrimento dos outros.
Existem mais três filmes interessantes que se devem destacar e que fogem da temática da segunda guerra mundial. Chocolate de Roschdy Zen apresenta-nos um ex-escravo de origem cubana que fugiu para França no final do século XIX e onde se tornaria uma estrela, nomeadamente em Paris. É ainda o valor individual que nos é revelado, pois o palhaço Footit usa o riso e o humor como forma de luta contra o preconceito. Omar Sy tem neste filme uma representação muito boa ao dar vida a um homem que desejava ser livre, mas que ainda sabe que vive numa sociedade pouco aberta a aceitar a diferença.
American Pastoral é uma adaptação do romance de Philip Roth com o mesmo nome e que foi premiado com o Prémio Pullizer. American Pastoral é um retrato da América e das suas contradições, a narrativa do sonho americano, dos excluídos e do que a olham como algo incompreensível, uma metáfora do mal.
Monstros fantásticos e onde encontrá-los é um filme de David Yates que tem como argumentista a autora da saga de Harry Potter, justamente J. K. Rowling. É um filme que nos conduz pela ação de personagens mágicas, onde um herói, de nome Eddie Redmayne tenta lutar pelo que é justo e correto. O filme terá continuação, pelo que dará lugar a uma saga que ficamos a aguardar.

Os filmes do Mês (Destaques)

  

  

 

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Os filmes do mês

Voltamos a falar durante este ano letivo mensalmente dos filmes do mês, destacando algumas iniciativas e falando sobre essa fonte de conhecimento e de lazer cultural que é a sétima arte.

  

Os últimos filmes em cartaz no mês de outubro que agora deixamos são em muitos casos adaptações de obras literárias. Foi esse o caso de A rapariga no comboio  de Tate Taylor adaptação de um livro de sucesso mundial, com o mesmo título e da autoria de Paula Hawkins. O filme muda alguns dos aspetos do livro, não só na graduação da intriga como no cenário da ação. Para quem aprecia narrativas fílmicas de tipo thriller  de cariz psicológico é um filme a considerar ver.


Seguindo uma adaptação linear da obra o realizador Ron Howard propõe mais um filme inspirado na obra de Dan Brown de título Inferno. Filme de continuação do que já se tinha visto no Código da Vinci ou em Anjos e Demónios é uma narrativa sobre a simbologia religiosa, mas que não traz nada de novo.

Woody Allen regressa com uma comédia romântica tendo por base os anos trinta e quarenta do século passado.Um filme sobre Hollywood, sobre as relações amorosas e as suas dificuldades e também sobre o poder e os hábitos sociais e culturais de Nova Iorque de uma classe social dominante.

De destacar ainda a comédia francesa, Bem-Vindos... Filme sobre a sociedade francesa, onde se discutem questões como o acolhimento de emigrantes, os refugiados, a pobreza. Filme que não ultrapassa certos estereótipos da sociedade francesa e das diferenças sociais entre grupos e que tende a ser demasiado otimista em relação a esse problema. É um filme simpático que permite pensar questões interessantes, pois convida a verificar como a Europa se encontra em dificuldades para se discutir a si própria.