Mostrar mensagens com a etiqueta Cidadania. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cidadania. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Liberdade de Expressão e Redes Sociais (4ª edição)

A 4ª edição do concurso sobre Liberdade de Expressão e Redes Sociais, este ano é dedicada à Violência no Namoro. A SIC Esperança, em parceria com a Rede de Bibliotecas Escolares e com o apoio da Porto Editora, lança a 4.ª edição do projeto Liberdade de Expressão e Redes Sociais , o qual consiste num concurso nacional dirigido a estudantes com idade igual ou superior a 13 anos, que frequentem o 3.º ciclo do ensino básico ou o ensino secundário.
Para esta 4.ª edição os alunos são desafiados a trabalhar sobre o tema da Violência no Namoro, tendo em conta as dimensões da liberdade de expressão , das redes sociais e dos riscos e abusos que decorrem da sua utilização indevida ou transgressora, nomeadamente no âmbito das relações pessoais. 
Propõe-se como base para a reflexão e discussão d a temática, a abordagem ao problema feita pelo programa E se fosse consigo? Participa.
O prazo de candidatura e de entrega dos trabalhos na SIC Esperança é 20 de janeiro de 2017.  
Fonte: RBE

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Memória, cidadania e cultura - A Memória nos livros




Os livros dão-nos a memória do que representou em todos os momentos da existência, o Nazismo e a sua ideologia de extermínio a milhões de pessoas. Do trabalho, à vida pública, às relações sociais, à possibilidade de viver em família, aos gestos mais particulares e íntimos de uma pessoa houve repercussões que o gravaram como a mais baixa forma de existência da Humanidade. Deixamos alguns dos possíveis livros que nos dão essa proximidade do que foi o desespero de milhões de pessoas. Alguns deles estão em mostra na Biblioteca na exposição feita para homenagear uma memória e a mais inexplicável história humana.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Recomeçar


Recomeçar com os caminhos da imaginação, juntando ideias, inquietação, criando formas de expressão, onde a criatividade tenha formas originais, perto do que sonhamos ser. Recomeçar para descobrir e exprimir o pensamento crítico na construção da cidadania, nas suas múltiplas expressões.

Imagem, Nate Williams, in http://www.n8w.com/newweb/index.php

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Declaração Universal dos Direitos Humanos

«Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos.» - artigo 1º

Cerca de mil milhões de pessoas têm como rendimento diário para si e para a sua família o valor de um dólar. Três milhões sobrevivem em condições de extrema pobreza, tendo como valor diário dois dólares. Dois mil milhões não têm cuidados médicos e todos os dias morrem de fome vinte mil pessoas, estimando-se que cerca de 963 milhões de pessoas não têm o que comer. Deste conjunto a grande maioria é formada por crianças com idade inferior a quinze anos.

Em muitos países do Mundo o acesso a redes de comunicação, energia ou água potável é uma tarefa impossível. A participação em meios de comunicação como jornais, televisão ou simplesmente manifestar as suas opiniões está interdita. Milhões de pessoas, especialmente crianças não frequentam qualquer escola. A prisão e a tortura por reivindicar uma opinião ou ser de uma cor ou cultura diferentes é imensamente frequente em vastas zonas deste Planeta. Pode ser este um retrato de um mundo desenvolvido? Com tantos progressos tecnológicos porque continuamos a assistir a este quadro com tanta frequência? 

Comemora-se hoje os sessenta e seis anos da Declaração Universal dos Direitos do Homem. Procura-se chamar à atenção de todos para a importância da vida, do respeito pelos direitos da Humanidade que devem, deveriam ser respeitados em todos os indivíduos. Esta celebração continua, a fazer sentido pelo quadro do mundo actual. O Homem continua a ser o seu maior inimigo pela falta de respeito com que trata o seu semelhante. Desde as Revoluções Americana e Francesa que se tem procurado avançar para formas de sociedade onde a razão e a consciência humanas sejam respeitadas. Infelizmente a crueldade tem marcado uma imensa presença na vida de muitas pessoas que habitam o Planeta.

Num mundo de globalização denunciar (manifestações, cartas, petições)os que oprimem, os que apenas querem ter uma voz, são atitudes que devemos ter. O Darfour ou O Tibete são apenas alguns dos casos desta falta de "amor" pela Humanidade, no seu sentido global. Os Países constroem a sua História, pobre ou grandiosa pela forma como sabem lidar com os Direitos Humanos. A luta pelas causas justas, a construção de uma comunidade humana em que a razão e as ideias possam ser apresentadas livremente só podem ser um património das grandes nações.

O acesso à escolarização e a cuidados de saúde e o trabalho comunitário poderão permitir que daqui, a certamente muitos anos este seja um quadro do passado, e já não tão presente no quotidiano de tantos milhões. Como escreveu Tucídides,historiador grego, a felicidade humana está dependente da liberdade e esta da coragem. A coragem de exigir um mundo diferente. Na semana em que temos a memória de Mandela precisamos lutar pela óbvia decência humana ignorada em muitos faustos palácios de ignorância e esquecimento.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Gandhi - a consciência da humanidade

«Sempre foi para mim um mistério o facto de os homens se sentirem honrados com a humilhação dos seus semelhantes.» (1)

A trinta de Janeiro de 1948, despedia-se deste mundo físico um homem de uma imensa grandeza, que com simplicidade, determinação e beleza soube congregar em si a dimensão única da consciência da Humanidade. Fez da verdade e da justiça a sua causa de vida, enfrentou o Império britânico com a força do espírito, com a sua satyagraha, onde juntou a sua preocupação com os outros à ideia de não-violência.

Albert Einstein, disse dele, em 1948, «gerações vindouras dificilmente acreditarão, que um homem destes, de carne e osso, tenha alguma vez andado por este Planeta». Relembramos, hoje, os sessenta e seis anos de uma memória excepcional, Mahtama Gandh e lembrar os esquecidos ideais humanos, na medida em que essa memória representa a consciência da própria humanidade.

Falamos aqui de uma figura intemporal que lutou com energia, abnegação e inteligência por um mundo mais justo e mais igual entre todos. Com consciência lutou pela verdade nas relações humanas, mostrou-nos que a força do espírito, alimentado pela razão pode vencer impérios e que não existem deuses acima da Verdade, considerada como valores universais.

Lutou pela independência da Índia através da desobediência civil, através de marchas cívicas de protesto ordeiro, aceitando o sofrimento para justificar uma causa nobre e defendendo a verdade, mesmo que representada num só homem. Defendeu o trabalho manual, a reposição da dignidade entre todos, a recuperação da auto-estima dos mais humildes na sua construção individual do futuro. Conduziu a sua vida na conquista de um sonho, o mais elevado. Iluminar a Humanidade para um caminho de paz e harmonia. Deixou-nos elevados valores ligados à liberdade individual, condições para afirmar a liberdade política, a justiça social e a tolerância.

 Criou um pensamento que assentava em dois princípios: a Satyagraha (a força da verdade e do amor) e o Ahimsa (a não-violência). Todos os movimentos que no século XX lutaram contra a opressão dos impérios coloniais, ou contra a violência ou o racismo inspiraram-se nele. Todos os homens que aspiraram no século XX a um mundo melhor, livre da injustiça social, da guerra e da ditadura individual foram procurar motivação nas suas palavras.

De Martin Luther King a Nelson Mandela e a Aung San Suu Kyi na Birmânia, todos compreenderam que a força do seu exemplo e a nobreza da sua causa permitiram fazer evoluir o Homem. Da guerra do Vietname à praça de Tianamen, o seu exemplo deu força à coragem de alguns para se construir uma Humanidade mais fraterna. Este homem, vítima da intolerância, no seu próprio tempo, com as questões relacionadas com a separação da Índia e do Paquistão, após a saída dos Ingleses, guardou para nós o melhor de uma consciência mundial, disponível a todos.

              (1) Mahatma Gandhi, 1893, durante os protestos na África do Sul

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Memória, cultura e cidadania - Aristides - Memórias do Holocausto

Na homenagem às vítimas do Holocausto merece referência um homem muito especial, Aristides de Sousa Mendes. Lembremo-lo como um homem imenso que também participou naquilo que foi a caminhada dos justos. Aristides é um exemplo a diversos níveis. Conhecer a sua vida, o enquadramento social, económico e cultural de outras figuras do País cinzento dos anos trinta e quarenta dá-nos uma real dimensão do seu valor. 

Aristides foi um homem que ensinou ao mundo e a este País como a nossa única obrigação é com a nossa consciência. Ignorado nos livros de História durante décadas deu-nos a honra de vincular este País a um verdadeiro heroísmo, o de contribuir para a civilização contemporânea de um modo construtivo, mas acima de tudo empenhado com a sua tradição humanista.

Um homem que provou na sua vida o que é a bondade, o que é estar preocupado com os outros, com o seu futuro, com o modo como vivem. Um homem que se preocupou com a vida dos outros e que fez por essa defesa mais do que um País inteiro, num tempo difícil. Quando se recomendava a cautela ele ousou contra os maiores perigos, desafiando os que proibiam, perseguiam e calavam os que queriam ter a possibilidade de dizer uma palavra, a da sua dignidade.

Um homem generoso, cristão de formação, diplomata de profissão salvou milhares de vidas, arriscou na sua consciência a sua própria família ensinando-nos o valor da partilha e da luta por uma convicção. Salvou um grande número de judeus pelos vistos que lhe foi consecutivamente atribuindo, de modo a que fosse possível salvar a vida de pessoas que apenas queriam existir.

Um homem que revelou nas dificuldades que sofreu, nas humilhações recebidas, mas essencialmente na luta abnegada pelo amor à vida a imensa, a infinita mediocridade dos caminhos estreitos e sem brilho que Salazar outorgava a um país, triste e sem grandeza.

Chamou-se Aristides de Sousa Mendes. O livro em cima, dá-nos uma ideia do valor da solidariedade e do papel da consciência do consul de Bordéus. Num País  em que é significativo a falta de figuras e instituições capazes de honrar a memória do País, ele é também para nós alguém que superou a memória do Holocausto. A história construída apenas para existir, sem grandeza é uma das limitações do presente e é com figuras inspiradoras que podemos voltar a ousar sobre a injustiça. É esse o grande papel de Aristides de Sousa Mendes.

Memória, cultura e cidadania - Testemunhos do Holocausto

"Nunca nenhum de nós se tinha encontrado numa situação tão perigosa como a da noite passada. Deus protegeu-nos. Imagina a Policia a remexer na estante da nossa porta giratória, iluminada pela luz acesa, sem dar connosco! Em caso de invasão, com bombardeamentos e tudo, cada um de nós pode responder por si próprio. Neste caso, porém, não se tratava só de nós, mas também dos nossos bondosos protectores.

Estamos salvos. Não nos abandones! É apenas isto que podemos suplicar.Este acontecimento trouxe consigo algumas modificações. O sr. Dussel já não trabalha à noite no escritório do Kraler mas sim no quarto de banho. Às oito e meia e às nove e meia o Peter faz a ronda pela casa. Já não pode abrir a janela durante a noite. Depois das nove e meia não podemos utilizar o autoclismo do W.C. Hoje à noite vem um carpinteiro reforçar as portas do armazém. Há discussões a tal respeito, há quem pense que não se devia mandar fazer isso.

O Kraler censurou a nossa imprudência e também o Henk disse que não devíamos em tais casos descer ao andar de baixo. Fizeram-nos ver bem que somos «mergulhados», judeus enclausurados, presos num sitio, sem direitos, mas carregados de milhares de deveres. Nós, judeus, não devemos deixar-nos arrastar pelos sentimentos, temos de ser corajosos e fortes e aceitar o nosso destino sem queixas, temos de cumprir tudo quanto possível e ter confiança em Deus. Há-de chegar o dia em que esta guerra medonha acabará, há-de chegar o dia em que também nós voltaremos a ser gente como os outros e não apenas judeus.

Quem foi que nos impôs este destino? quem decidiu excluir deste modo os judeus do convívio dos outros povos? quem nos fez sofrer tanto até agora? Foi Deus que nos trouxe o sofrimento e será Deus que nos libertará Se apesar de tudo isto que suportamos, ainda sobreviverem judeus, estes servirão a todos os condenados como exemplo. Quem sabe, talvez venha ainda o dia em que o Mundo se aperceba do bem através da nossa fé, e talvez seja por isso que temos de sofrer tanto. Nunca poderemos ser só holandeses, ingleses ou súbditos de qualquer outro pais. Seremos sempre, além disso, judeus. E queremos sê-lo.

Não percamos a coragem. Temos de ter consciência da nossa missão. Não nos queixemos, que o dia da nossa salvação há-de chegar. Nunca Deus abandonou o nosso povo. Através de todos os séculos os judeus sobreviveram. Através de todos os séculos houve sempre judeus a sofrer, mas através de todos os séculos se mantiveram fortes. Os fracos desaparecem mas os fortes sobrevivem e não morrerão!

Naquela noite pensei que ia morrer. Esperava pela Policia, estava preparada como os soldados no campo de batalha, prestes a sacrificar-me pela pátria. Agora que estou salva, o meu desejo é naturalizar-me holandesa depois da guerra. E Gosto dos holandeses, gosto desta terra e da sua língua. É aqui que gostava de trabalhar. E se for preciso escrever à própria rainha, não hei-de desistir enquanto não conseguir este meu fim.

Sinto-me cada vez mais independente dos meus pais. Embora seja muito nova ainda, sei, no entanto, que tenho mais coragem de viver e um sentido de justiça mais apurado, mais seguro do que a mãe. Sei o que quero, tenho uma finalidade, uma opinião, tenho fé e amor. Deixem-me ser eu mesma e estarei satisfeita. Tenho consciência de ser mulher, uma mulher com força interior e com muita coragem.

Se Deus me deixar viver, hei-de ir mais longe de que a mãe. Não quero ficar insignificante. quero conquistar o meu lugar no Mundo e trabalhar para a Humanidade.
O que sei é que a coragem e a alegria são os factores mais importantes na vida!"

(Excertos do diário de Anne Frank, um dos muitos testemunhos sobre a representação no quotidiano do Holocausto e da ameaça aos judeus).

Memória, cidadania e cultura - O Holocausto - Explicar o inexplicável

«As guerras podem ser causadas por indivíduos fracos ou cretinos do ponto de vista moral, mas são combatidas e suportadas por gente muito decente» (1)

Se a cultura é a acumulação de ideias e valores que organizam uma Nação, os padrões civilizacionais de um Povo, a da Alemanha foi na História Contemporânea das mais intensas da Europa. No país de Gothe, Einstein, Beethoven, de Kurt Weill o património acumulado nas artes, no pensamento, era simbólico para a cultura europeia. Neste sentido como explicamos essa doença maligna em que o espírito humano se quebrou perante os mais nefastos fantasmas, o Nazismo.

Aquele foi o regime onde se assistiu à maior regressão da história humana. O Nazismo foi a confirmação de uma sociedade sem princípios racionais, assente nos mais nefastos instintos, o culto irracional pelo ódio e pela morte. Foi a consagração de uma religião incompreensível da loucura, onde a perda da vida uma etapa banal na conquista do poder e da glória.

E no entanto, foi um regime com assinaláveis vagas de popularidade. Antes dos fantasmas emergirem da noite para a mais clara luz, o Fuhrer chegou a ser considerado pessoa muito respeitável. De aparência em aparência o regime conquistou adeptos. A verdade difícil, cruel, trágica é que milhões de alemães acreditaram na causa nazi e muitos, demasiados jovens morreram pelo seu Fuhrer. Houve opositores ao regime nazi? Sim, mas proporcionalmente foram poucos. Como explicar este dilema?

Todas as respostas serão insuficientes, ingratas, insatisfatórias, incompletas de sentido para explicar a emergência do Mal absoluto. As condições do tratado de Versalhes, a crise económica e social, o desemprego, a inflação, a crise monetária, a derrota alemã em 1918, a psicologia teutónica tudo é pouco para justificar esta contradição. Quando se comemora o dia do Holocausto é necessário refletir sobre esta esta enigmática e cruel realidade. É uma oprtunidade para analisar a genialidade do mal. Custa admiti-lo, mas o Mal também pode ser servido por génios. A História como disciplina ignora muitas vezes o papel do indivíduo, integrando-o em grandes movimentos. Este é um caso em que um indivíduo servido por uma  ideologia irreconhecível, uma máquina de propaganda, condições históricas particulares e uma psicologia e filosofias únicas soube criar a maldade extrema na sociedade humana.

É fundamental perceber isto. É decisivo compreender como a cultura e a história se relacionam e como o discurso da cultura muitas vezes já o é ao serviço de ideologias transformando-se apenas em propaganda. Aqui se compreende como a História como disciplina oferece possibilidades formativas para que a sociedade evolua em todos os sentidos, naquilo que é a dignidade humana.

A História não se repete nas formas, mas pode voltar noutras condições oferecer uma igual falta de dignidade para a Humanidade. Só discutindo o mal se pode estar atento e preparado. É essencial pensar nos mecanismos do poder, no controle feito sobre o indivíduo, na desvinculação social, nas respostas únicas. De Heidegger, a Sartre, quantos "bons" filósofos não estavam inconscientes, para com o mal absoluto, em tantos regimes do século XX, que não sabiam reconhecer o outro como pessoa.

(1) Testemunho de pilloto da Luftwaffe,
citado em A Vida Perdida de Eva Braun

Memória, cidadania e cultura

Ainda está por deslindar o essencial da história desta feliz coincidência entre a desumanidade mais sistemática e uma forma de simpatia ou de indiferença geradora de uma cultura tão elevada". (1)

A vinte sete Janeiro de 2005, a Assembleia-Geral dass Nações Unidas instituiu este dia, como o Dia do Holocausto, em memória das vítimas daquilo que o nazismo chamou a solução final. No mesmo dia, em 1945 era libertado um dos locais, onde a Humanidade perdeu a sua dignidade, os campos de concentração de Auschwitz-Birkenau. É um dia e um acontecimento que nos remete para o mais difícil de explicar na História da Humanidade. 

Alguns escritores e cineastas têm tentado explicar esta doença mais cruel do espirito humano, que foi o nazismo.  Deixamos alguns dos filmes que melhor deram conta desta incapacidade de como sociedade impedirmos o inaceitável. São muitos deles em grande medida documentos históricos sobre o Holocausto e o Nazismo.



 A Biblioteca passará ao longo do dia, uma dessas obras, O Pianista, de Roman Polanski e fará uma breve mostra de livros sobre o nazismo. Nos intervalos passarão excertos da Lista de Shindler. É importante e necessário nesta data pensar como a cultura, a educação, o conhecimento permite ou não estabelecer elementos essenciais na construção de sociedades evoluídas materialmente e como estas se podem conciliar com as mais tenebrosas formas de existência. 

Se em A Noite e o Nevoeiro, de Alain Resnais, tomamos contato com o foco onde as imagens de uma câmara de filmar projectam o fundo trágico do cenário inquietante e incompreensível da Soah, em O Ovo da Serpente, deIngmar Bergman, onde este nos dá a procura de uma resposta para que se visualize a origem desse mal e o modo como os fantasmas emergiram da noite para a luz. 

Em Saudade de Veronika Voss de Rainer Werner Fassbinder, reconstroem-se as memórias do nazismo, onde somos devolvidos à construção de vidas, de uma sociedade triunfante sobre os escombros de uma moralidade sem direitos humanos e onde a reconstrução do pós-guerra se torna impossível de concretizar, para os que no passado recente o tinham alcançado. Em A Vida Maravilhosa e Horrível de Leni Riefenstahl, de Ray Muller, temos acesso a um documento interessante para compreender como ocinema e a arte podem estar ao serviço da propaganda que condicionaou milhºoes nas suas vontades e opções de vida. 

Leni Riefenstahl, em O Triunfo da Vontade, filma todo o aparato das massas nos comícios do partido nazi em Nuremberga. Apesar de trágico, é um filme que nos mostra como o cinemapode criar líderes e influenciar multidões e como ele pode funcionar como documento da História e criador de ideologias. 

A Lista de Schindler, de Steven Spielberg, dá-nos o retrato do que significa o Holocausto para milhões de judeus e o como estar vivo era apenas uma questão de sorte, a de alguém escolher para um trabalho que permitisse a sua sobrevivência. Oscar Shindler optou, como membro do partido, de usar a sua influência para salvar pessoas da morte. O Pianista de Roman Polanski, confirma-nos essa ideologia de morte, dos mais baixos níveis de indignidade humana, numa história verídica sobre um homem que viveu esse pesadelo e pôde sobreviver.

(1) George SteinerO silêncio dos livros

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

A respiração da cidadania...

"Toda a miséria, toda a brutalidade deveriam ser interditas como insultos ao belo corpo da humanidade. Toda a iniquidade era uma nota falsa a evitar na harmonia das esferas. (...) Toda a felicidade é uma obra-prima: o menor erro falseia-a, a menor hesitação altera-a. A menor deselegância desfeia-a, a menor estupidez embrutece-a

(...) alguns homens pensarão, trabalharão e sentirão como nós; ouso contar com esses continuadores colocados a intervalos irregulares ao longo dos séculos, com essa intermitente imortalidade. A vida é atroz, sabemos isso. Mas precisamente porque espero pouco da condição humana, os períodos de felicidade, os progressos parciais, os esforços de recomeço e de continuidade parecem-me outros tantos prodígios que compensam quase a massa enorme dos males, dos fracassos, da incúria e do erro. (...) As palavras liberdade, humanidade, justiça reencontrarão aqui e ali o sentido que temos tentado dar-lhe."(1) 

"Um pé na erudição, outro na magia, ou, mais exatamente e sem metáfora, nesta magia simpática que consiste em nos transportarmos em pensamento ao interior de alguém.(...) é somente por orgulho, por ignorância grosseira, por cobardia, que nos recusamos a ver, no presente, os lineamentos das épocas que hão-de-vir. Aqueles livres sábios do mundo antigo pensavam como nós em termos da física ou de filologia universal: encaravam o fim do homem e a morte do globo. Plutarco e Marco Aurélio não ignoravam que os deuses e as civilizações passam e morrem.(...) Este século II interessa-me porque foi, durante muito tempo, o dos últimos homens livres.

Nada mais frágil que o equilíbrio dos lugares belos. As nossas fantasias de interpretação deixam intatos os próprios textos, que sobrevivem aos nossos comentários; mas a menor restauração imprudente infligida às pedras, a menor estrada macadamizada cortando um campo onde a erva crescia em paz desde há séculos criam para sempre o irreparável. A beleza afasta-se, a autenticidade também.(2)

(Num tempo em que a Liberdade, a Fraternidade e a Humanidade, velha divisa do imperador Adriano [nas vésperas do seu nascimento] e da casa de Marco Aurélio estão em falência significativa, um livro essencial. Escrito por Marguerite Yourcenar durante duas décadas é um documento admirável, um expoente da literatura do século XX, onde desenhou com humildade e sabedoria o olhar sobre a vida do imperador Adriano. Livro que chega a esse plano tão difícil, às palmeiras da voz. Livro que nos chega de um tempo que já não é o nosso, mas ainda próximo pela descoberta íntima da voz, do sentido mais partilhado de uma vida. Ainda é o que procuramos em tempos carentes de Humanidade.). 

(1) - Marguerite Yourcenar, memórias de Adriano ( do corpo do livro)  
(2) - Marguerite Yourcenar, memórias de Adriano (do conjunto dos apontamentos das diversas edições da obra). 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Pensar os direitos humanos - 10º G - Profª Isabel Sousa

A Educação deve promover a paz e deve ser promovida a todas as pessoas

Com a conjugação dos pontos 1 e 2, do primeiro artigo dos Direitos do Homem, Malala refere que todas as pessoas têm o direito à educação. Com ela o horizonte, as ambições das pessoas podem ser elevadas a patamares mais altos, aspirarem a ter empregos bem remunerados, por exemplo, algo que sem a mesma, não aconteceria. A educação, quando conseguida a nível mundial, tornar-se-ia algo muito poderoso e que poderá levar a um maior e melhor entendimento entre os povos, por outras palavras, poderá promover a Paz Mundial.
Trabalho realizado por:
Duarte Conchinhas, Madalena Aires, Natália Oliveira e Renata Dias
10ºG

Pensar os direitos humanos - 10ºG - Profª Isabel Sousa -

Toda a pessoa tem direito ao repouso e ao lazer e, especialmente, a uma limitação razoável da duração do trabalho e a férias periódicas pagas.
ARTIGO 19º
FRANCISCA SIMAS
MARGARIDA FRANQUEIRA DIAS
MARIANA PEREIRA – 10ºG

(Produto de informação realizado no decurso de uma sessão de trabalho para lembrar a importância dos direitos humanos.)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Pelos direitos humanos

Com o patrocínio da Comercial e  da Amnistia Internacional, uma sessão para evocar os direitos humanos perdidos em tantas geografias e em tantos interiores esquecidos dos valores essenciais da Humanidade.

Os Direitos Humanos no início do século XXI

"(...) é necessário, antes de mais, ter uma grande humildade, para penetrar no coração do oceano." (1)


Há mais de dois séculos que o homem, como sentido de uma formação e inspiração cultural tenta fazer cumprir esse princípio simples que a Declaração Universal dos Direitos do Homem, inclui no seu artigo primeiro, a saber, «Todos os seres humanos nascem livres em dignidade e direitos». No entanto, hoje, no início de um novo século, sessenta e um anos após a Declaração adoptada pela O.N.U., em dez de Dezembro de 1948, continuamos desastradamente num mundo profundamente desigual e injusto para milhões de seres humanos.

Os direitos humanos negados em tantas zonas do Planeta são tão básicos como a falta de acesso a água potável, a pobreza extrema, a ausência de cuidados médicos básicos. Infelizmente neste quadro quantas crianças, não têm acesso à alfabetização, por ausência de uma escola. Em quantos locais é possível aceder a redes de comunicação, ou tão só manifestar a sua opinião. Pior. Quantos países não praticam a prisão e a tortura, apenas por questões tão banais como a cor da pele, a religião, a tribo, a cultura? Em quantos países não se pratica a escravatura de pessoas?

É contra esta absurda tirania da humanidade, contra o sentido global do homem, contra esta ausência de consciência que importa lembrar os Direitos Humanos e apoiar os que no mundo contemporâneo lutam por essa dignidade perdida. E os exemplos são muitos, felizmente. (...) em construção




(1) Gandhi, in The Life and Thoughts of Mahatma Gandhi 
Imagens, in amnesty.org

Em construção ...

Declaração Universal dos Direitos Humanos


sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Prémio Nobel da Paz 2014

"Vamos pegar em nossos livros e em nossas canetas. Elas são as nossas armas mais importantes. Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo. Educação é a única solução. Educação em primeiro lugar".

Já inventámos tudo o que realmente precisamos para chegar a uma dimensão real e sentida do ser. Vivemos com demasiada pressa, em espaços muito ruidosos, com uma inteligência pouco comovida. A alma do homem contemporâneo abriga-se em demasia no valor da ganância, vivendo em circuitos de grande velocidade, onde pensamos muito e sentimos pouco. 

Um valor moral e ético maior é-nos dado por quem superou as dores mais íntimas, para procurar ainda e sempre, o olhar do outro, a possível felicidade de outros sorrisos. Poucas vezes o Prémio Nobel foi tão justamente dado como a Malala Yousafzai. Uma jovem baleada pelos talibãs, que nos relembra a importância do exemplo em dias passivos como os que se vivem. 

Por que será tão difícil que esta simplicidade do coração se pronuncie com gestos verdadeiros em tantos salões disfarçados de cidadania? Precisamos refundir estes exemplos, para acabar com o semblante de um mundo triste, "para acabar com esta tristeza e reinventar a alegria" (Vinicius), de dias dignos do que somos. Precisamos de com estes exemplos reinventar a Humanidade.

(1) Malala Yousafzai - numa sessão na ONU em 2012