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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Into the wild - Livro da semana

Título: O lado Selvagem 
Autor: Jon Krakauer 
Edição: 1ª 
Páginas:220
 Editor: Editorial presença
 ISBN: 978-972-23-3871-4 
CDU: 821.111(73)-31"20"
Sinopse: " Se um dia e a noite são de tal forma que se saúdam com alegria, e a vida irradia uma fragância que lembra flores e ervas aromáticas, é mais elástica, mais estrelada, mais imortal - é esse o teu sucesso. 

A natureza inteira é o teu aplauso, e tens uma razão momentânea para te abençoares. Os maiores ganhos e valores estão longe de ser apreciados. Facilmente duvidamos que eles existam. 

Facilmente os esquecemos. São a realidade mais elevada... A verdadeira colheita da minha vida diária é de alguma forma tão intangível e indescritível como as tonalidades da manhã ou do fim do dia. É um leve pó de estrelas surpreendido, uma porção de arco-íris que agarrei". 

 Jon Krakauer, O Lado Selvagem, 
 citado de Henry David Thoreau, Walden, Or Life in The Woods

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Patagónia Express - Livro da semana

Título: Patagónia Express
Autor: Luís Sepúlveda
Edição: 1ª
Páginas: 149
Editor:Porto Editora
ISBN: 978-972-0-04369-6
CDU: 821.134.2(83)-992"19/20"

Sinopse: Os índios da Patagónia mantiveram uma longa relação com a quila e não só pela bondade da sua utilização como igualmente pelas suas virtudes de trágico e infalível oráculo. Sempre que floresceu a quila advieram tempos de dor e desolação. A sua flor é de uma intensa e premonitória cor vermelha, e os Tehuelches calculavam a sua idade consoante o número de vezes que a tinham visto florescer. Os que foram testemunhos daquele portenho mais de duas vezes tinham certamente muito que contar ao calor das fogueiras.
    Hoje restam poucos Tehuelches e Mapuches na Patagónia. São sobreviventes que, agarrados à sua dignidade, decidiram não ser maisum simpático pormenor étnico para diversão dos turistas, e vivem e excercem uma espantosa cultura de resistência e de memória de ambos os alados da cordilheira dos Andes. As restantes etnias sucumbiram perante as regras de um processo cujos frutos ninguém é capaz de definir, e delas mal persistem as recordações ou testemunhos reunidos por alguns estudiosos que realizam o seu trabalho vigiados pelos preconceitos e a suspeita. É muito difícil escrever a história dos vencidos, mas a quila continua lá, crescendo nos desfiladeiros, unida pelos invernos ao errante destino dos gaúchos pobres.
    Quando o mês de março encurta os dias, as abetardas cruzam o céu fugindo aos rigores invernais e o vento amontoa as nuvens nos vales, então os gaúchos reúnem os rebanhos de reses e empreendem a subida em direcção à cordilheira, para a estação do inverno. Não são muitos os bovinos nessa terra débil onde primeiro pastaram os guanacos e que mais tarde foi pisada por milhões de ovelhas na época dourada da lã. 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O caminho da esperança - livro da semana

Título: O caminho da esperança
Autor: Stéphane Hessel / Edgar Morin
Edição: 1ª
Páginas: 66
Editor: Planeta
ISBN: 978-989-657-273-0
CDU: 316.42

Sinopse: 
"Nunca a humanidade juntou tanto poder a tanta desordem, tantas inquietações, tantos brinquedos, tanto conhecimento e tanta incerteza. A inquietação e a futilidade partilham os nossos dias entre si. 
Devemos perguntar o que faz pior, hoje em dia, à alma dos homens: a paixão cega que nutrem pelo dinheiro ou a impaciência febril de que sofrem" (...)

Na nossa sociedade falta empatia, simpatia e compaixão, substituídas por indiferença e ausência de cortesia entre pessoas que vivem muitas vezes no mesmo bairro, no mesmo prédio. Dizer bom-dia a um desconhecido significa reconhecê-lo, em termos humanos, digno de simpatia. Do mesmo modo, falta compreensão no seio das empresas, das famílias. 

Quando a missão se reduz à profissão, falta amor nos cuidados médicos, nos hospitais e no ensino, quando, como disse Platão. "para ensinar é preciso amor", is tó é devemos amar o conhecimento e aqueles a quem o passamos. Como muito bem disse Axel Honneth "é graças à experiência do amor que cada um de nós pode aceder à confiança em si próprio". A forma suprema do reconhecimento do próximo é o amor."

(Um livro sobre a chamada crise em que centros políticos e financeiros insistem em impor a milhões de pessoas, mas que é sobretudo um déficit espiritual e moral. Um pequeno livro sobre essa necessidade de acordar do estado de "olhos abotoados", na expressão singular de Miguel Torga.)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

As Farpas - Livro da semana

Título: As Farpas
Autor: Eça de Queiroz
Edição: 3ª
Páginas:639
Editor: Principia

ISBN: 978-972-8818-40-1
CDU: 821.134.3-3


Texto de colaboração entre Ramalho Ortigão e Eça de Queirós é um exemplar linguístico de uma época, de uma sociedade e de um país. Registo de correspondência entre dois escritores, é um livro que nos dá a sabedoria de olhar o real, a espuma que chega à praia e perceber o movimento, a impossibilidade de renovação a sucessivas gerações. José Maria soube ser um imenso sociólogo, tendo feito o diagnóstico de uma classe política naufragada em interesses particulares, que não permitem organizar institucionalmente o país. Por estas folhas se compreende o imobilismo do país e uma escrita e um pensamento modernos.