sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Voluntários da Leitura



A leitura é essencial para a aprendizagem. Os voluntários da leitura promovem o encontro entre livros e leitores, ajudando a desenvolver o prazer de ler.

Quer ser um voluntário da leitura?

Para mais informações, consulte:

 http://www.voluntariosdaleitura.org/


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

http://youtu.be/BdHbQBvgyQ0

Há uma música do Povo
Nem sei dizer se é um Fado
Que ouvindo-a há um chiste novo
No ser que tenho guardado…

Ouvindo-a sou quem seria
Se desejar fosse ser…
É uma simples melodia
Das que se aprendem a viver…

E oiço-a embalado e sozinho...
É essa mesma que eu quis...
Perdi a fé e o caminho...
Quem não fui é que é feliz.

Mas é tão consoladora
A vaga e triste canção…
Que a minha alma já não chora
Nem eu tenho coração…

Se uma emoção estrangeira,
Um erro de sonho ido…
Canto de qualquer maneira
E acaba com um sentido!

Fernando Pessoa

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013


As mãos
http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=ZOeWqfDffUA

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.
E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.


De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.
 
Manuel Alegre

Sugestão de leitura - janeiro


Título: ALMA

Autor: MANUEL ALEGRE

Editora: LEYA

"Há sítios, salas, objetos, que se apoderam da alma das pessoas". Há vidas que cativam e têm histórias para contar. Há cheiros, vozes, emoções de um tempo que passou mas que permanece dentro de nós. Com as suas marcas, neste lugar tão próximo que é a memória. Há pessoas a quem devemos o que somos hoje. Há a vida de um homem, há uma aldeia. Há Águeda, onde se formou a sua Alma. Onde permanece ainda hoje, em parte. Há tradição e subversão, Monarquia e República, tempos áureos de uma época cheia de vidas, e de uma vida de tantas vidas.

Em Águeda, Alegre abre-se ao leitor, abre-se a si próprio, abre a Alma. Já me diziam "de pequenos momentos são feitos as grandes vidas". Pela voz audaciosa deste homem, ainda hoje tão presente, somos convidados a reviver a sua própria história, feita de momentos e pessoas, lugares e memórias de uma infância que nos molda, que nos abre aos poucos às maravilhas do mundo, numa aldeia pequena, ou na cidade cosmopolita. Num misto de nostalgia e melancolia, regresso e audácia, nestas páginas confundimos o que é do autor e o que é nosso, o que ele viveu e o que nós vivemos. Afinal, de
Alma partiu toda a sua vida...

Afinal também os livros e as palavras se apoderam da alma das pessoas. Tal como os lugares.

SOFIA CABRITA - 12ºG 

Autor do mês - janeiro

MANUEL ALEGRE

Manuel Alegre de Melo Duarte nasceu em Águeda, a 12 de maio de 1936. Estudou Direito na Universidade de Coimbra, onde foi um ativo dirigente estudantil. Destacou-se também como campeão nacional de natação e atleta internacional da Associação Académica de Coimbra.

A sua contestação ao regime de Salazar fez com que fosse preso pela PIDE. Em 1964 saiu de Portugal, tendo estado exilado cerca de 10 anos. Mesmo fora do país, a sua tomada de posição sobre a ditadura e a guerra colonial converteram-no num símbolo da resistência e da liberdade. Os seus primeiros dois livros (Praça da Canção, 1965, e O canto e as armas, 1967) foram apreendidos pela censura, mas passaram de mão em mão em cópias clandestinas, manuscritas ou datilografadas.

Os seus poemas, cantados, entre outros, por Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Manuel Freire e Luís Cília, tornaram-se emblemáticos da luta pela liberdade. Regressou a Portugal alguns dias depois do 25 de abril de 1974. Nesse mesmo ano, ingressou no Partido Socialista, onde, ao lado de Mário Soares, promoveu mobilizações populares que contribuíram para a consolidação da democracia. Foi deputado pelo Partido Socialista desde 1975 até julho de 2009, altura em que, por vontade própria, se afastou do cargo que durante 34 anos ocupou. Em 2006 e em 2011 candidatou-se às eleições presidenciais. Mantém-se como membro do Conselho de Estado e das Ordens Honoríficas de Portugal.

Além da atividade política, saliente-se o seu proeminente labor literário, quer como poeta, quer como ficcionista. Um dos seus poemas musicados mais conhecidos é a Trova do Vento que Passa, cantada por Adriano Correia de Oliveira e por Amália Rodrigues, entre muitos outros. Reconhecido além- fronteiras, em abril de 2010, a Universidade de Pádua, em Itália, inaugurou a Cátedra Manuel Alegre, destinada ao estudo da Língua, Literatura e Cultura Portuguesas. Pelo conjunto da sua obra recebeu inúmeros prémios. A sua obra literária está editada em italiano, espanhol, alemão, catalão, francês, romeno e russo.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Poema da Semana

Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica os teus braços para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado,
Para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro. Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo.

Cecília Meireles

A equipa da BE deseja a toda a comunidade educativa Feliz Natal e um Próspero Ano Novo!