quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Festival literário internacional de Óbidos (2ª edição)

Inicia-se hoje o 2º festival de literatura Fólio na vida de Óbidos com uma programação de uma dimensão e qualidade notáveis, arriscando-se a ser o grande acontecimento de literatura do País por aquilo que se propõe realizar. 

A organização estima um conjunto de visitas que chegue aos vinte mil visitantes e conta com a participação de autores consagrados e de grande nível literário como o prémio Nobel da Literatura V.S. Naipaul, o britânico Salman Rushdie, o islandês Jón Kalman Stefánsson, o mexicano Juan Pablo Villalobos, a luso-angolana Djaimilia Pereira de Almeida, e a ilustradora alemã Jutta Bauer.

Serão desenvolvidas um conjunto diversificado de atividades como, mesas de autor, tertúlias, leituras encenadas, aulas, exposições, teatro, concertos, cinema e um seminário internacional de educação. 

O Folio pretende celebrar os 500 anos da publicação de "Utopia", de Thomas More, o Ano Internacional do Entendimento Global, o centenário do nascimento de Vergílio Ferreira, os 500 anos da morte do pintor Hieronymus Bosch e os 400 da morte de William Shakespeare e Miguel de Cervantes. Haverá também a evocação do poeta Ruy Belo, a quem será dedicado um dia do festival. Deixaremos no Twitter alguns dos destaques deste importante acontecimento. O link de acesso geral com o programa pode ser visto aqui.

Recomeçar... com os livros

Recomeçamos com as nossas palavras iniciais. As que nascem do livro e que se suportam em múltiplas páginas livros alinhados em estantes para descobrir universos passados, mundos por construir. As Bibliotecas são um espaço de construção da memória. Concentram uma dimensão de espaço e tempo, o que as remete para uma dimensão de divindade, por onde emergem páginas de sabedoria, em filas de amizade connosco vividas. Mesmo com os novos formatos ainda achamos que naquela matéria de eternidade reside um templo.

A Biblioteca deve ser vista como um espaço cultural, de confluência de várias artes. Deve permitir a promoção da capacitação institucional. A Biblioteca é o espaço para construir a leitura, fazer leitores, alimentar esse fundo de imaginação capaz de dotar todos de melhores possibilidades de vida, porque de escolhas suportadas em conjuntos de dados, de ideias, de pensamentos mais completos, mais divergentes. Uma Biblioteca faz assim o leitor.

A Biblioteca é um espaço, mas é sobretudo o que fazemos nela, as ideias que tivemos com ela, com os livros e as que ainda tentamos ter, nos dias seguintes. A leitura. É com ela que disciplinamos o olhar e em transformamos o olhar, o ver normal, óbvio para outra coisa, onde superamos o medo e dispensamos o útil. A leitura é um dos nossos maiores privilégios. É com a leitura que construímos na imaginação um campo de imagens.

Leituras de diferenciados suportes, mas ainda assim o desenho da palavra, à sua caligrafia. O alfabeto, o livro, o número baseiam-se nessa ideia de desenho do traço. Esse desenho da palavra conduz-nos à informação, à utilização da linguagem. A linguagem é uma ferramenta que usamos para nomear as coisas, mas também para dar existência à realidade. As histórias que lemos são a transformação pelas palavras de uma ideia transformadora de nós próprios. é sobre este universo que preenche as Bibliotecas que convidamos todos a participarem. A Biblioteca é o melhor lugar do mundo pela esperança que conserva em múltiplas vozes. Basta que as saibamos ouvir. É essa a viagem individual e de comunidade que vos propomos a realizar.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

A palavra e o mundo

 "Não são as pessoas que fazem as viagens mas sim as viagens que fazem as pessoas." (1)

A palavra e o mundo é a designação que escolhemos para a etiqueta que organizará um conjunto de propostas de leitura, exploração de temáticas à volta de uma ideia chave, o livro e a viagem. Literatura de viagens no seu sentido mais lato, mas também outras formas de viajar. A viagem dentro do livro, aquela que nos permite transformar um sentido, uma forma de ver o mundo, de nele escrever o que tentamos ser. A viagem como descoberta, entre as suas dimensões físicas e espirituais. 

Ao longo de dois anos fizemos aqui e na Biblioteca, a exploração de um conjunto de livros (o livro da semana) e de autores (escritor do mês). Após mais de duas dezenas de propostas em cada área mudamos este ano para a apresentação de textos / livros / autores que se interessaram por abordar a viagem. 

Conhecer o mundo é ir ao encontro de diversas culturas, de diferentes cores, de ver a vida. Como John Steinbeck nos soube dizer há várias décadas é a viagem que nos faz. É ela que nos faz ser o traçado mais importante da geografia, é ela que nos faz descobrir os poemas do planeta, em cada recolha de sal e pó. É a viagem que nos organiza, nos identifica e é nela que a variedade do mundo nos recria de originalidade. 

Semanalmente faremos uma proposta de livros que nos permitam construir a viagem nas suas diferentes dimensões. A escolha procurou ligar ao currículo de estudo da Literatura e do Português, mas também pela descoberta dos percursos interiores que as palavras fazem nascer dentro das suas linhas. A viagem também como como forma de aprendizagem, pois é nela que podemos compreender a beleza do planeta, a sua diversidade, o belo entre os momentos de imperfeição de que é composta a vida.

(1) John Steinbeck, citado do prefácio de Gonçalo Cadilhe, Um lugar dentro de nós. (2012). Lisboa: Clube do Autor. Imagem - Ilha de São Miguel, Açores.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

De regresso

Imagem - Copyright: Sonia MariaLuce Possentini 


Regressar é sempre uma forma de esperança, uma saudação a um gosto por aprender, essa forma iluminada de saber e de compreender. É ainda uma aprendizagem de consciência do que somos, as palavras imaginárias pelo tempo vivido. Um bom regresso a todos...

sexta-feira, 1 de julho de 2016

A dança das Palavras (III)

Despedida

O orvalho brilhante da manhã
Transformou-se em vidro seco e frio.
O ar congelou, sabe agora a solidão.
Já não se sente a alegria
Nem o toque da tua mão.

Já não se sentem os pés
E as estrelas do céu já sumiram.
Os meus olhos tu já não vês...
As minhas palavras há muito partiram.


Beatriz Carolina Ferreira Sanches (2016), 9º ano, Colégio Via Sacra, Viseu.
Imagem - Copyright : m-ban