quinta-feira, 3 de março de 2016

História de um caracol que descobriu a importância da lentidão - Livro da semana

"O caracol que desejava conhecer os motivos da lentidão também não possuía um nome (tal como os restantes caracóis) e isso causava-lhe uma grande preocupação. Parecia-lhe injusto não ter um nome, e quando algum dos caracóis mais velhos lhe perguntava  porque o queria, igualmente sem erguer a voz, respondia:

Porque o calicanto se chama assim, calicanto, e por isso quando chove, por exemplo, dizemos que nos vamos refugiar sob as folhas do calicanto. Também o saboroso dente-de-leão se chama assim, dente-de-leão, e, por isso, quando dizemos que vamos comer umas folhas de dente-de-leão, já não comemos urtigas por engano.

Mas os argumentos do caracol que desejava conhecer os motivos da lentidão não despertavam grande interesse nos outros caracóis. Entre eles murmuravam que as coisas estavam bem assim, que bastavam saber o nome do calicanto, do dente-de-leão, do esquilo e da gralha, do prado a que chamamos País do Dente-de-Leão, e que não precisavam de mais nada para serem felizes sendo como eram, caracóis lentos e silenciosos, decididos a conservar a humidade dos seus corpos e a engordar para suportarem o longo inverno".

(As perguntas são sempre a mais original forma de aprender, de descobrir, de viajar pelo que não conhecemos. Em História de um caracol que descobriu a importância da lentidão, Luís Sepúlveda criou uma narrativa simples que procura encontrar respostas para questões simples. Paulo Galindro deu corpo a uma história simpática com um conjunto de ilustrações que dão muita plasticidade a um caracol ávido de respostas, para compreender o mundo em que vive).

quarta-feira, 2 de março de 2016

Das palavras de Vergílio (XX)

Não penses muito. Vive. Pensando crias problemas. Aparecem dúvidas. A vida é curta. Tens de aproveitá-la. Não percas tempo a pensar. Faz o que sentes, o que te faz feliz. Escreve. Redige em palavras o que te vai na alma, escreve sem pensar, mas escreve. E vive. Preocupa-te em encontrar a tua felicidade. A felicidade pura que te faz agir sem pensar nas consequências. Constrói momentos grandiosos. Não penses. Sem pensares, vives melhor.

Inês, "Pensar", 11º C1; Imagem - Copyright: ppixie-deviantart

Das palavras de Vergílio (XIX)

Pensar o quê? Pensar no futuro? Pensar na morte? Pensar na nossa existência? Pensar no que nos rodeia, pensar no que envolvemos com a nossa vida? Pensar em nada. Pensar no que pensamos, perdermo-nos no pensamento. Perdermo-nos em assuntos relevantes, arte, filosofia, política e encontrarmo-nos em aspetos banais. Pensar nas rochas soltas, nas ondas que rebentam e no céu que começa a ganhar tonalidades rosas. Pensar no velho que desaparece na areia e nos pensamentos superfulamente complexos que ocupam a sua mente. Pensar na maneira como ele vê a mesma praia que eu através de uma perspetiva distinta. Eu vejo-o e penso-o. Pensar. Para quê? Para ver as rochas e as ondas e o céu. Pensar para viver. Pensar para existir.

Marta, "Pensar o quê?", 11º H1
Imagem: Copyright - Radin Badrnia

Das palavras de Vergílio (XVIII)

Somos seres galardoados com a possibilidade de viver, de nos exprimirmos, de criarmos a nossa identidade e essência. Temos tanto para fazer, uma vontade imensa de criar e desenvolver os nossos sonhos e esperanças, mas e o tempo? Chega-nos?
Não passamos de uma efemeridade física; um produto que nasce e morre, repetindo-se assim até ao fim dos tempos. Deparamo-nos com este ciclo vicioso. E vale a pena todo o esforço que possamos fazer, se somos tão curtos? Vale! Todos nós precisamos de encontrar a nossa essência, pois todos, inevitavelmente anseiam deixar uma marca no nosso mundo, superando assim o típico "nascer" e "morrer". Precisamos de viver, de largar na realidade e na história a nossa arte pessoal.
Afinal, para quê? habitarmos se não nos demonstramos?
Necessitamos de dar um sentido estético à nossa pessoa, de exprimirmos as nossas vivências e sentimentos e sermos aquele ser... tudo o que soubermos exprimir...

Mariana, "Vida. Esteticismo", 11º H1

Das palavras de Vergílio (XVII)

Respirar. Pensar. Aprender.
Algumas das coisas que o ser humano sabe ser possível, mas de certa forma nunca pensou.
É sinistro, assustador e fascinante saber que nos foi dada esta oportunidade de experienciar algo tão belo como a vida, algo tão simples e ao mesmo tempo tão complexo e impressionante.
Viver é saber, aprender, rir, chorar, pensar, julgar, cantar... é tudo o que nos faz agir e aproveitar o pouco tempo que aqui temos.
O tão pouco tempo em que... em que... de facto são tantas as coisas que se fazem, enquanto vivemos e tantas vezes procuramos uma essência que não sabemos definir. O que é de facto viver? Não sei, tenho apenas de aceitar este desafio e viver com isso.

Filipa, "Estar vivo". 11º H1

terça-feira, 1 de março de 2016

Das palavras de Vergílio (XVI)

Ser em mim. Um sublime nada. Vergílio Ferreira, escritor, filósofo, humano, apaixonado pela solidão, porquê?
Se sozinhos, no vazio temos a tendência inata de lutar para preencher esse vazio, porém, para tal é necessário o vazio da solidão... A distância do mundo, da vida, do real é uma solidão, mas a verdade é que se refletirmos bem, poderemos estar fechados do mundo, no quarto da nossa casa, porém, nunca estaremos sozinhos na turbulência do nosso pensamento.
O humano, ser insignificante num enorme universo pode aprisionar-se do mundo sensível e aparentar viver uma irresistível solidão, porém, este ser está condenado à ideia da solidão, pois vive na barulhenta e incontrolável razão.

Sara, "A solidão", 11º H1
Imagem: © – Liudmila Prokofeva