quinta-feira, 29 de maio de 2025

A propósito do Dia da Europa

 No 3.º período,  aproveitando a comemoração do “Dia da Europa” a 9 de maio, foi proposto, no âmbito da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, um projeto de trabalho, em duas turmas de 7.º ano,  que levasse os alunos a alargar os seus conhecimentos sobre os países que integram a União Europeia.

Por sorteio, foi atribuído a cada aluno(a) um país devendo ser elaborada uma maquete com um "Bilhete de Identidade” de cada país. Eis algumas imagens alusivas a esta exposição na Biblioteca Escolar.

Aqui fica o convite para uma visita a esta exposição de final de ano letivo.














Profª Isabel Alarcão e Silva - História e Ana Cristina Tavares - Coordenadora da Biblioteca Escolar




quarta-feira, 14 de maio de 2025

Eleições legislativas. Tens dúvidas?

 No próximo dia 18 de maio realizam-se novas eleições legislativas. Sabes para que servem e como  se processam?

Eis um cartaz explicativo  e vê também o vídeo seguindo a hiperligação:

 https://app.parlamento.pt/programas/videos/p-eleicoes_1.mp4



Ana Cristina Silva (História) e Ana Cristina Tavares (Coordenadora da Biblioteca Escolar)

terça-feira, 13 de maio de 2025

"Manifesto pela leitura" - sugestão para o mês de maio.

LIVRO DO MÊS DE MAIO DE 2025

 


 

MANIFESTO PELA LEITURA, Irene Vallejo, Bertrand Editora, Lisboa, 2021

Esta autora bastante conhecida, desde a publicação do livro, O Infinito num Junco, um livro muito aclamado no mundo das Letras, redigiu este pequeno livro, de fácil leitura, é um autêntico Hino à Leitura.

Perguntar-nos-emos: porquê ainda ler ? quando tudo parece facilitado, com acesso imediato à informação, onde tudo fica ao alcance dum clique, cada vez mais funcional por via das várias tecnologias.

No entanto, constatamos, de facto, que nenhum meio técnico ou tecnologia digital conseguiu ocupar “o espaço e o tempo do livro”.

A autora, que é escritora e filósofa, fala-nos do valor e importância da leitura a vários níveis:

1. a relação pessoal com o livro;

2. a relação espácio-temporal que o livro proporciona;

3. a fragilidade e a força da leitura;

4. o livro como fator do desenvolvimento intelectual, cognitivo, emocional, ético-moral e espiritual do ser  humano;

5. o livro como abertura a um mundo real, mágico, imaginário e ficcional  possível;

6. a relação eu-tu- nós proporcionada pela leitura;

7. o livro como fator de recolhimento, reflexão , meditação e elevação espiritual;

8. o livro como Património Imaterial da Humanidade.

 

Este pequeno livro , passa em revista todos estes aspetos e mostra-nos a versatilidade desta invenção preciosa em que o Homem foi deixando a sua marca, ao longo de séculos, e que nos transporta ao Infinito. Infinito ou Transcendência têm aqui o mesmo sentido na medida em que o livro nos faz sair do plano imediato da Imanência.

Com ele e por ele o ser humano foi abrindo caminhos, vias de explorar o visível e o invisível, afirmar o poder da criação, abrir-nos asas para nos lançar em mundos imaginários ou utópicos, numa afirmação de Liberdade.

 

“As palavras são um feitiço carregado de Futuro – reforça Irene Vallejo.

 

                                                                                        Boas leituras!    

                                                     

                                      Equipa da Biblioteca Escolar

                                       Professora de Filosofia  

                                     Isabel  Maria Cruz Nunes de Sousa

 

 Com o final do ano letivo a aproximar-se a passos largos aqui fica a última sugestão de leitura deste ano letivo! 

 Ana Cristina Tavares (Coordenadora da Biblioteca Escolar)

quinta-feira, 24 de abril de 2025

Livro Digital - "As plantas na obra de Luís de Camões"

 Ainda no âmbito da comemoração do V Centenário do Nascimento de Camões, a nossa biblioteca lançou um desafio para uma atividade interdisciplinar  - DAC (Ciências Naturais, História e Português). Assim,  os alunos do 8º 1ª e 8º 5ª realizaram atividades de pesquisa botânica, contextualização histórica e introdução à obra lírica de Camões. O produto final é uma EXPOSIÇÃO constituída por cartazes sobre as plantas mencionadas na obra de Camões, patente na BE durante o final de abril e todo o mês de maio.

Aqui fica o convite para lerem o Livro Digital elaborado pela docente Ana Cristina Silva (História). Aceda à hiperligação do Livro Digital através da imagem.

 



 Reiteramos o nosso agradecimento aos colaboradores/dinamizadores deste projeto com a Biblioteca Escolar (BE): Ana Cristina Silva (História), André Soares (História), Isabel Leal (Biologia e Geologia), João Martins (Português) e Laura Oliveira (Português).

A Coordenadora da Biblioteca Escolar : Ana Cristina Tavares


As plantas na obra de Luís de Camões - exposição na BE

 No âmbito da Comemoração do V Centenário do Nascimento de Camões e integrando a iniciativa "Camões, engenho e arte", sob a égide da Rede de Bibliotecas Escolares, a nossa Biblioteca Escolar lançou um desafio aos docentes de diferentes disciplinas para uma atividade interdisciplinar  - DAC (Ciências Naturais, História e Português). 

Assim,  os alunos do 8º 1ª e 8º 5ª realizaram atividades de pesquisa botânica, contextualização histórica e introdução à obra lírica de Camões. O produto final é uma EXPOSIÇÃO constituída por cartazes sobre as plantas mencionadas na obra de Camões. Esta exposição poderá ser visitada durante o final de abril e todo o mês de maio, na Biblioteca Escolar; será  igualmente divulgada no Genially da RBE:https://view.genially.com/6752eecbf1edfb6f8a499772/learning-experience-didactic-unit-camoesengenhoearte-escola-secundaria-rainha-d-amelia

 Aqui fica um especial agradecimento aos docentes dinamizadores desta atividade: Ana Cristina Silva (História), André Soares (História), Isabel Leal (Biologia e Geologia), João Martins (Português) e Laura Oliveira (Português).









A Coordenadora da Biblioteca Escolar: Ana Cristina Tavares


quinta-feira, 3 de abril de 2025

Ainda a propósito dos Direitos Humanos...

 No âmbito da atividade promovida pelo Departamento de Ciências Sociais e Humanas "Pensar o mundo: que desafios?" e em articulação com a abordagem dos Direitos Humanos, as turmas de 7º-3ª e 7º-4ª elaboraram um Dicionário denominado "Inimigos dos Direitos Humanos ... de A a Z". Os alunos da turma 9º-1ª fizeram os "Bilhetes de Identidade" de Ativistas dos Direitos Humanos". 

Estes trabalhos foram realizados no âmbito da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento com a docente Isabel Alarcão e Silva. As várias turmas que têm vindo visitar realizam igualmente um Desafio concebido pela docente com expressões representativas da violação dos Direitos Humanos.

Aqui fica o convite para virem ver estes trabalhos  de alunos.







A Coordenadora da Biblioteca Escolar: Ana Cristina Tavares



segunda-feira, 24 de março de 2025

O medo e a angústia existencial - laboratório sensorial

 No âmbito do laboratório sensorial, a realizar-se a 27 de março, integrado na Semana das Ciências Sociais e Humanas,  divulgamos, de seguida, um texto sobre a temática do medo e da angústia existencial:


                                

"Sobre o Medo (parte I): Uma perspetiva filosófica

Exploração filosófica de uma situação:

Onde moro atualmente, embora seja litoral, jamais ouvi falar de um ataque de tubarões. Portanto, nenhum evento traumático relacionado com esses animais jamais me ocorreu nem a qualquer pessoa próxima de mim. Assim, se eu demonstrar este medo, ele aparecerá como um evento aparentemente injustificável, e inclusivamente, por qualquer fator externo.

Naturalmente, esta questão pode ser um ponto de partida para entender  “o quê” e as causas da fobia ou do medo. Esta reflexão, portanto, concentrar-se-á em entender o que é o medo, por que o sentimos e como vencê-lo. E para tentar entender o problema, recorri à literatura que me foi mais acessível, partindo de uma perspetiva filosófica-teórica para uma visão psicológico-prática. Esta reflexão, portanto, terá duas partes, sendo esta primeira dedicada a uma perspetiva filosófica do assunto.

Pois bem, podemos dizer que o medo é uma das nossas emoções mais básicas, estritamente associada ao nosso sentido de autoproteção e sobrevivência. O corpo humano reage instintivamente ao perigo, à aparência do perigo ou simplesmente à crença do perigo, levando-nos em direção à fuga.

Fugir, afastar-se, correr para longe de forma a esquecer o que nos perturba é a raíz de qualquer vivência profunda como seja o medo

: “é especialmente daquilo de que foge que a presença corre atrás” revelando o que se esconde de uma forma mais profunda – que eu me sinto ameaçado, perdido ou desencontrado de mim mesmo.

Encontramos em Heidegger a reflexão mais próxima sobre o modo fundamental como o medo se faz ver: na ação.

Basearemos as ideias que se seguem tal como se apresentam no capítulo sexto da sua obra Ser e Tempo.Sabe-se que a preocupação mais profunda de Heidegger não se concentrou na existência em si, mas no ser, mais especificamente no esquecimento do ser. Para ele, o homem cotidiano (do século XX) mantém-se numa situação de encobrimento do seu ser, por isso, não possui uma compreensão profunda da sua própria existência. E essa tendência para o encobrimento, o equívoco, a banalidade que este filósofo colocou pela primeira vez ligando-o ao problema do “esquecimento de si e do ser”.

 De acordo com a análise que M. Heidegger faz, os gregos, dedicavam-se à questão do ser, mas, ao longo do tempo, o homem foi-se afastando do ser para se fixar nos entes. E isso levará Heidegger, não surpreendentemente, a encontrar na superação ou mesmo na “destruição” da tradição filosófica clássica uma solução.

Todo o problema central , na visão heideggeriana, gira em torno do conceito de Dasein (o ser-aí ou o ser-no-mundo). O Dasein, normalmente traduzido para o português como “o ser- aí ou o aí do ser”, é aquilo que confere ao mundo o caráter de mundo, e aqui o mundo tem uma definição diferente da conceção moderna estabelecida em Descartes. Falar de “ser-no-mundo” em Heidegger pressupõe vários graus: a quotidianeidade; o modo impróprio de existir em contraponto com o ser autêntico e o cuidado bem como a resolução a ser si mesmo. E é aqui que o medo e a angústia mostram a sua função fundamental.

 Ao concentrar-se em explicar os aspetos existenciais que constituem o Dasein como ser no mundo, Heidegger viu-se diante da questão existencial fundamental, - qual é, afinal, o sentido da existência humana, o traço constitutivo da existência do Dasein no qual residirá a totalidade do ser da existência humana, por outras palavras, a própria essência humana. Ele encontrará esse traço totalizante que define a essência do ser humano justamente no conceito de angústia, buscando o nexo ontológico entre angústia e medo, admitindo que entre ambos existe um parentesco de grau, por isso aparecem, na maior parte das vezes, inseparáveis um do outro. No entanto, o medo é mais concreto e emocionalmente mais identificável que a angústia.

Essa distinção que Heidegger faz entre angústia e medo leva-nos à conclusão de que o meu medo de tubarões tem muito pouco a ver com tubarões. Heidegger diz que, ao contrário do medo, a angústia não vê um “aqui” e um “ali” determinados, de onde o ameaçador surge. É justamente quando o ameaçador não se encontrar em lugar nenhum que se anuncia a angústia. Ela não sabe o que é aquilo com que se angustia. No entanto, “em lugar nenhum” não significa um nada meramente negativo: “o ameaçador dispõe da possibilidade de não se aproximar a partir de uma direção determinada, situada na proximidade, e isso porque ele já está sempre 'por aí', embora em lugar nenhum. Está tão próximo que sufoca a respiração e, no entanto, encontra-se em lugar nenhum”.

Podemos, portanto dizer, de uma forma simples, que o medo parece mais concreto e determinável na sua origem ou causa enquanto a angústia é indeterminável e coloca-nos perante o abissal nada.

No caso da psicologia, o medo e a angústia terão uma carga traumática que, repetida, levará a uma defesa e fechamento do ser humano que, numa atitude de fuga, não será capaz de lidar com esse trauma sem ajuda.

Aliás, Heidegger, trabalhando e dando Seminários a psiquiatras (ver Seminários de Zollicon), discutirá as formas como o medo e a angústia podem levar o ser humano a perder-se da sua essência, sendo “ o CUIDADO” a categoria existencial que restituirá o sentido à totalidade do seu “ser-no-mundo”.

O que Heidegger explicita é que o medo vai muito além da situação em que uma pessoa teme ser atacada por tubarões, ou morrer afogada, ou viajar de avião; é um estado diante do mundo ou um modo de lidar com o mundo, perante o qual os tubarões, a água e os aviões estariam aí, senão como figuras quase irrelevantes, sobretudo, como representação/sinal daquilo que se verdadeiramente se teme.

Aquilo de que se tem medo é sempre um ente intramundano que, advindo de determinada região, torna-se, de maneira ameaçadora, cada vez mais próximo, diz o autor alemão. Medo é a angústia imprópria, entregue à decadência do “mundo” e, como tal, a angústia em si mesma, está ainda velada. Na angústia, o ser aí como existente sente-se no “estranho”. Estranheza significa “não se sentir em casa”, não estar “familiarizado com...”. O não sentir-se em casa deve ser compreendido aqui, essencialmente e ontologicamente, como o fenómeno mais originário, que nos afasta do nosso ser e do ser enquanto tal.

A angústia, para Heidegger, em comum acordo com Kierkegaard, tem um quê existencial essencialmente humano. Ela é mais que um fenómeno psicológico e ôntico; ela tem uma dimensão ontológica, pois remete-nos para totalidade da existência como ser-no-mundo. Só o homem se angustia, só o homem existe e só o homem pode ter uma compreensão do ser. Kierkegaard dirá que o desespero e a angústia revelam a nudez do ser humano a si mesmo. A diferença entre os dois autores vai residir no fato de que, em Kierkegaard, a angústia revela o nosso ser finito, o nada de nossa existência diante da infinitude de Deus, do caráter eterno de Deus, enquanto que,  em Heidegger, a angústia revela-nos o sentido existencial da finitude do homem – põe-nos diante do NADA.

“É na angústia que a liberdade de ser para o poder-ser mais próprio do Dasein se mostra numa dimensão originária e fundamental.” ( Ser e Tempo)

O filósofo alemão descreve, igualmente, o sentimento de apavoramento de que falava Pascal com o sentimento de angústia, e sugere que a angústia é fundamental para que se alcance a verdade. A busca da verdade não deve ser estática, passiva, contemplativa, mas movimentada pela ação; a ação de ir vivenciar o Nada, o desconhecido, o medo. O medo, assim, impele o homem a abandonar a passividade e abrir-se para o desconhecido e abissal, lutando contra os seus instintos mais elementares.

Para Heidegger, o medo não é algo a ser evitado, mas faz parte do nosso ser mais profundo. O obscuro, o desconhecido, o temido, é onde propriamente encontramos a nossa essência como seres humanos. Somente abrindo-nos em direção ao medo, e enfrentando-o, conseguiremos, de facto, conhecer-nos e superar-nos a nós mesmos. Esta pode ser, talvez, uma diferenciação própria do Dasein, uma capacidade do ser que reside não apenas em estar no mundo, mas de ser-no-mundo, de estar envolvido no mundo, compreendido no mundo. E o medo da morte encontra aqui uma posição especial, pois coloca-nos em face, ou com a eternidade, ou com a total falta de sentido, o que foi, por sua vez, brilhantemente, comentado por Pascal.

Uma pausa para observar uma coisa interessante: parece que essa diferença entre Heidegger e Kierkegaard e entre Heidegger e Pascal, que parte justamente do fato de que Kierkegaard e Pascal buscam explicar a angústia a partir da eternidade, do caráter eterno de Deus, ao passo que Heidegger busca uma explicação mais fenomenológica da “disposição existencial”, como vulgarmente designamos “o sentir-se” explica. É difícil encontrar, uma abordagem filosófica sobre o medo, fora de pressupostos teológicos, senão em Heidegger. A impressão é que, para a maioria dos estudiosos sobre o assunto, Heidegger conserva o pensamento estritamente filosófico, “puro”, enquanto os autores que o influenciaram, como Kierkegaard e Pascal, “se afastam” da filosofia para encontrar refúgio na “teologia”, o que representa uma espécie de retrocesso filosófico.

 Heidegger considera que o pensamento Onto-teológico, que esteve na base da Metafísica tradicional, foi incapaz de se abrir em direção à eternidade e ao Ser, ocultando o pensamento do homem que o limitou na sua existência a este mundo, aparente, banal e orientado para o “ruído”, “ a conversa banal” ou “ a rotina do hábito”.

Notas:

Para obter uma compreensão melhor da visão de Kierkegaard sobre a angústia, recomendamos a leitura da sua obra “O Conceito de Angústia”, lembrando, claro, que também temos uma lista de leitura do autor. Sabendo que a maioria das questões que preocupam as pessoas estão na maioria relacionadas ao "medo da morte", faremos esta reflexão não mais em duas, mas em quatro partes. A segunda parte trará a visão de Pascal sobre a importância de se “antecipar a morte” e de se investigar a natureza mortal ou imortal da alma; na terceira parte traremos conceitos e conselhos práticos sobre o medo e como dominá-lo, inspirados numa abordagem menos analítica e mais psicológica sobre o tema; e na quarta falaremos de medos relacionados com a infância que podem influenciar na vida adulta."

A continuar...

Texto da Profª Isabel Nunes de Sousa (Filosofia)




A Profª Bibliotecária: Ana Cristina Tavares