quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Comunidade de leitores

Apaixonei-me todas as vezes
e ainda assim foram insuficientes
para a idade e dedos que tenho.

Conduzo a alta velocidade,
ignorante dos radares.
Foram pelo menos quinze,
os túneis até hoje.

Escapei ilesa. Frases mal pronunciadas,
suspiros demasiado presentes,
uma t-shirt usada em excesso
em dias de sono longe,
memórias inesperadas,
longas páginas de prosa,
poesia, jornalismo e catálogos
de venda postal
têm-me salvo com frequência
do abismo.

Ensinavas-me a viver longe e
podia acreditar em ti,
se me chamasses. (1)

Ontem, dia três de dezembro na Biblioteca o grupo que constitui a comunidade de leitores, promovida pela professora Filipa Barreto em colaboração com um jornalista do JL, e os alunos de uma turma do 11º ano de Literatura Portuguesa conversaram sobre poesia e sobre as palavras de Margarida Ferra.

(1) - Margarida Ferra. "3".Sorte de principiante, ETC, 2000.

Ebook - Exposição (Texto e Ilustração)

Memória de Francisco Sá Carneiro

Nos dias amarelecidos de pouca coragem com que as sociedades emergem, na formulação estabelecida por sistemas políticos e mediáticos dominados pela prudência, pelo "calcozito" tão bem expressa por Eça, vale a pena distinguir os que se destacaram pela coragem, pela ousadia de se pensarem como elementos de uma comunidade.  Acima das fórmulas importadas e mantidas pelo conforto ideológico e financeiro há que distinguir quem pretendeu marcar na praia sossegada e prevível dos dias algo de diferente, qualquer ideia de mudança, uma paixão pelo confronto com a realidade estática.

Existem pessoas que parecem ter uma áurea significativa para impulsionar os movimentos de mudança, acreditando em convinções, como se elas assegurassem sempre um ganho em qualquer contexto, apesar das dificuldades. Existem pessoas que parecem ter uma dádiva de conquista pelo seu carisma, pela luta intransigente, pela ruptura, sem concessões por uma quietude mais calma. Ruptura alimentada por ideias, que a si se pensam sobre a sociedade, as oportunidades e a vida que se alimenta apenas de si própria.

Existem pessoas que emergem como alimento de uma onda maior que projetaram, arriscando as convições no seu objectivo de alimentar a confiança e o entusiasmo. Apesar de ainda só terem passado pouco mais de trinta anos, o que em História é uma ninharia, não é difícil entregar a Sá Carneiro esse papel com que arriscou os dias. O que teria sido nunca o saberemos. Foi uma figura de primeiro plano na conjuntura dos anos setenta do século passado. No adormecimento de valores que o País vive há duas décadas, Sá Carneiro deixou-nos a interrogação de sabermos até onde iria a sua convição pelo afrontamento, pela criação de rupturas para algo diferenciado nos dias. 

Formação Pordata

Ontem, dia três de dezembro, os alunos do 10º H tiveram uma sessão promovida pela Pordata. A sessão correu muito bem, tendo os alunos ficado a conhecer o tipo de dados organizados desde a década de sessenta em Portugal e o modo como podem ser consultados para qualquer pesquisa que tenham de realizar. Foram feitas várias questões e sugeridas formas de encontrar e interpretar a informação, especialmente pelas metodologias dinâmicas que o site proporciona a quem o consultar. Foi dada uma apresentação pelos aspetos que a nível dos municípios ou da Europa podem ainda ser pesquisados.


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

O chapéu das fitas a voar - Livro da semana


Título: O chapéu das fitas a voar
Autor: Augustina Bessa-Luís
Edição: 1ª
Páginas:2008
Editor: Guimarães Editores
ISBN:  978-972-665-523-2
CDU: 
821.134.3

Sinopse (Excertos):
"Não são os crentes que se salvam; são os que esperam em plano de igualdade com o que é eterno - a vida humana e a realidade dos seus direitos. Devo acrescentar aqui alguma coisa que sempre me pesou: acima dos amigos eu tive o pensamento; além da gratidão, eu pus o amor forte e generoso pela vida. (...)

Somos sempre muito faladores com o insignificante e muito calados com o que nos assusta. Assusta-nos o íntimo das nossas vidas, por passarmos todas as portas sem pensar que elas se fecham para sempre atrás de nós. Não podemos voltar para compor o inacabado ou as palavras soltas ou a que faltou a experiência.

A criança de seis anos que eu era, que andava sozinha pela avenida onde cresciam as grandes tílias e só os pássaros se ouviam como guardas dos meus passos, teve o primeiro pressentimento do extarordinário. Disse para mim: "Estou num lugar, numa hora, numa vida que não me são desconhecidos." É que esse entendimento de que a nossa vida é repetição e pode ser corrigida a ponto de produzir uma forma de profecia, aquilo que nos abençoa e protege e alegra, fazendo com que o sofrimento tenha sentido no mundo". (1)

(Desta vez optámos apenas por retirar uns excertos do livro escolhido, pois a sabedoria de Agustina nas suas palavras é a melhor forma de seduzir outros leitores a descobrir uma obra rara, a que voltaremos mais vezes, para essa multiplicação do eterno).

   (1) Agustina Bessa-Luís, "Os amigos", in O chapéu das fitas a voar, págs. 214-215

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

No dia mundial contra a AIDS

... a thousands miles to sleep this skin...

dezembro

É um mês de estimação
com um nome que agasalha,
e nem o finíssimo frio,
a neve mais assombrosa
conseguem fazê-lo cair
do alto trono que é seu
no coração dos meninos.

será das luzes, dos sinos,
do torvelinho das ruas
ou do Natal que já cresce
(o que será que acontece?)
por dentro de cada pessoa
e faz com que, neste mês,
se sinta pequena outra vez?

Diga-se o que se disser,
Dezembro é o mês dos meninos
- e isso também agasalha.
Mas é um mês corredio
que cedo, tão cedo acaba;
e logo em Janeiro desaba.

João Pedro Mésseder, "Dezembro", in O Livro dos Meses
Jose M Capitán Del Rio, El Hombre Invierno