quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Carta ao futuro (I) - Livro da semana

Meu amigo:

Escrevo-te para daqui a um século, cinco séculos, para daqui a mil anos... É quase certo que esta carta te não chegará às mãos ou que, chegando, a não lerás. Pouco importa. Escrevo pelo prazer de comunicar. Mas se sempre estimei a epistolografia, é porque é ela a forma de comunicação mais direta que suporta uma larga margem de silêncio; porque ela é a forma mais concreta de diálogo que não anula inteiramente o monólogo. Além disso, seduz-me o halo de aventura que rodeia uma carta: papel de acaso, redigido numa hora intervalar, um vento de acaso o leva pelos caminhos, o perde ou não aí, o atira ao cesto dos papéis e do olvido, ou o guarda entre os sinais da memória.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Novidades na Biblioteca - Livros (I)

  
O pintor debaixo  do Lava-Loiças sendo uma metáfora é uma narrativa sobre um pintor que existiu. Afonso Cruz conheceu esta história familiar e decidiu criar uma história sobre um pintor que existiu na realidade. Afonso Cruz conheceu esta história familiar e decidiu criar uma história sobre um pintor real, um refugiado judeu em Portugal durante a 2ª Guerra Mundial. Afonso Cruz criou um livro muito visual, onde a imagem acompanha o texto e com o qual conhecemos um pintor. Figura um pouco desconcertante, um homem à procura de si num mundo que nem sempre se compreende. Em O pintor debaixo  do Lava-LoiçasAfonso Cruz dá-nos a conhecer uma parte da sua história familiar e revela-nos um quadro humano de coragem e persistência por valores essenciais à vida.

Em O Deus das pequenas coisas, a indiana Arundhati Roy dá-nos o ambiente complexo da sociedade indiana, através de uma história familiar e das respostas encontradas para um quotidiano que em muitos aspetos é estranho para nós. Em O Deus das pequenas coisas, narra-se a história de dois irmãos gémeos na Índia, na década de 60. Numa família em ruína, as crianças reinventam a infância possível e fazem uma descoberta que conduz a narrativa. Tudo pode mudar num só dia e a vida de cada um pode ter o seu rumo alterado, de repente  assumindo formas novas. As crianças descobrem que as coisas podem terminar para sempre. Encontramos neste livro a descrição da angústia e uma magia que advém do conhecimento que se procura. O livro recebeu o Book Prize em 1997 e é considerado uma pequena grande obra.

A sombra do vento é um livro sobre os livros, sobre o seu valor enquanto memória e como património civilizacional. Trata-se de um livro escrito com uma narrativa poética e onde as descrições assumem um valor pictórico, pois o texto é-nos dado como uma grande pintura. A sombra do vento introduz-nos na história de um livro que pode abrir as portas ao desconhecido. Tendo por fundo o final da Guerra Civil de Espanha, a visita ao Cemitério dos Livros surge-nos como, um prémio para a uma criança desconsolada. Local de memória dos livros esquecidos pela Humanidade coloca no centro da narrativa essa tarefa de ser uma criança a escolher um livro e de se tornar a sua guardiã. O livro acaba por conduzir a criança na procura de um autor e da sua história. Um livro sobre o mistério, a aventura, o desconhecido e o valor inestimável dos livros e da leitura.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Novidades na Biblioteca - Filmes (I)

  

Annie Hall, filme de 1977, realizado por Woddy Allen, é um dos filmes marcantes da cinematografia do cineasta de Nova Iorque. Iniciando uma carreira na área da comédia, Woody Allen surpreende o público com um filme que marcará uma linha nos seguintes. Com o recurso à fotografia de Gordon Willis, um dos ícones da fotografia nova-iorquina, e com o apoio de Marshall Brickman, Woody Allen propõe em Annie Hall uma forma de comédia de tom dramático. O filme tem algo de autobiográfico e constrói-se sobre personagens, com destaque para o próprio Woddy Allen e para uma das suas atrizes de eleição, Diane Keaton.

Flags of our parents, As bandeiras dos nossos pais é um filme  de Clint Eastwood com suporte no livro de James Bradley e Ron Powers que narra a batalha de Iwo Jima, entre os Aliados e as Forças  do Eixo, no decurso da guerra do Pacífico em fevereiro de 1945. É um filme icónico que nos conduz à segunda guerra mundial e à história dos soldados que ergueram a bandeira americana no monte Suribachi. A imagem tornou-se uma lenda e um ícone para a vitória dos Aliados na 2ª Guerra Mundial. Imagem de uma luta difícil e violenta entre homens para um momento final que se tornaria imortal. 

O discurso do rei é um filme que narra a história de uma criança, o segundo filho do rei Jorge V, que sofre de uma gaguez extrema. Jorge V morre em 1925 e Eduardo, seu irmão, acabaria por abdicar pelo seu amor por uma americana divorciada. Bertie assume o trono e consegue, com o apoio de Lionel Logue, em terapia de fala, superar a gaguez e assumir a sua responsabilidade de Rei. A sua convicção na figura real procurará dar à Monarquia um sentido muito particular. A história de Bertie é uma inspiração, um exemplo de responsabilidade, coragem e cidadania.

O velho e o mar - livro da semana

Título: O velho e o mar
Autor: Ernest Hemingway
Edição: ..ª
Páginas: 
Editor: Livros do Brasil
ISBN: ...

CDU: ...

As nuvens por cima da terra erguiam-se  agora como serranias, e a costa era apenas uma longa linha verde com os montes azul-cinzentos por detrás. A água era agora de um azul-escuro, tão escuro que era quase púrpura. (p. 31)

O velho e o mar publicado em 1952 é um dos livros marcantes do século XX e da obra de um grande escritor, Ernest Hemingway. Santiago, velho pescador desafia-se a si próprio para compreender o mar, os peixes e o modo como os encontrar. Desafio tornado essência de vida, no combate entre o pescador e um peixe enorme, um espadarte, numa luta difícil em que qualquer desfecho resultará sempre na perda do outro. 

O velho e o mar é uma aventura poética, sobre-humana de luta pela sobrevivência, de vitória sobre o perigo, ainda que dessa vitória se perca tudo. O velho e o mar coloca em confronto a natureza e a humanidade, revelando a dignidade desses mundos, as suas características, a sua beleza, mesmo que rodeada de perigos sublimes. O velho e o mar descreve essa luta de superação das próprias forças, a do pescador, a de  um pessimismo céptico pelo que não seja experimentado e a solitária luta individual. 

É ainda  um livro sobre a dignidade e majestade da luta humana, mas também das águas e dos seus habitantes graciosos, ainda que ferozes e combativos e dessa ignorância dos que passam e não compreendem - os turistas. E finalmente O velho e o mar é um livro de uma linguagem muito descritiva, cheia de cores e cheiros, uma escrita fotográfica com os rios de emoções numa luta essencial - ver e pensar o mundo.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

fevereiro


Cada dia é uma perna.
E fevereiro é esse mês.
que perdeu duas ou três:
ou ficou com vinte e nove
ou vinte e oito, bem vês.
Mesmo com pernas a menos
já corre o bom fecereiro
p'rà casa da Primavera,
que quer ser o mês primeiro
a chegar a essa meta.
E não é, mas fica perto:
pois tanta é a chuva e o granizo
que ele às vezes escorrega
em lameiros e colinas.
E o prémio de consolação?
É a festa do Carnaval
que quase sempre lhe calha
là p'rò final da corrida.
E é ver o bom fevereiro,
mascarado, já festeiro,
a solatar vivas à vida.

                                       João Pedro Mésseder, O livro dos meses