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Quem o conheceu em sessões de poesia e na austeridade poética da sua vida, entre a seda das pedras da ribeira e as folhas dos jacarandás que na sua praça lhe enchiam as folhas de vento e humildade não pode deixar de o lembrar como uma figura única na construção das palavras. Se há anos parecia excessiva a sua ideia de que a sua poesia era uma possibilidade de ver o mundo e que dita por outros não tinha encanto, hoje compreendemos melhor que as palavras são sempre essa biografia que nós colocamos nelas.
Eugénio é um dos grandes poetas de língua portuguesa, ultrapassando este tempo geográfico para integrar o seu olhar na humanidade, nos gestos mais ousados com que tentamos escrever o real. Em Eugénio de Andrade, a linguagem, a precisão das palavras, a melodia dos sons, a relação com a natureza e a integração dos elementos mais simbólicos (terra, água, luz e vento) estão presentes de uma forma muito precisa. A sua poesia nasce desta combustão dos elementos, procurando a simplicidade da respiração, tentando a pureza que é tão e só essa ligação aos elementos.
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